Nasser, Gamal Abdel
(1918-1970)
 
 

 

Natural do Alto Egipto. De origens modestas, segue a carreira militar. Integra o movimento clandestino nacionalista dos Oficiais Livres, fundado em 1942, mas que apenas se manifestou em1948. O grupo organiza o golpe de Estado bem sucedido de 1952. Nasser é então colaborador íntimo do dirigente do movimento o general Neguib, sucedendo-lhe em1954. A unidade então existente com os Irmãos Muçulmanos é desfeita quando estes tentan assassinar Nasser em Outubro desse ano. Os homens da revolução de Julho defendem a necessidade de uma revolução contra a decadência dos partidos e não são apoiados pelo Baas que os considerava pró-americanos. Chegam mesmo a contactar a experiência salazarista da União Nacional. Liga-se a Nehru e Sukarno a partir da conferência de Bandung de 1955. Promove a nacionalização do canal do Suez, depois dos norte-americanos recusarem financiamento para a construção da barruagem do Assuão. Já então se assume como raïs. Opõe-se ao Pacto de Bagdad. Na Constituição de 1956 asusme o islamismo como religião oficial do Estado, chegando a criticar o laicismo do Baas. Não aceita no entanto a ideia de fazer assentar o Estado na religião. Inspira a criação da República Árabe Unida, a fusão do Egipto com a Síria, em1958, e que dura até1961.

Nos seus escritos, não há o vigor teórico dos baasistas, mas antes uma perspectiva mais geoestratégica. Considera que o Egipto pertence a tres círculos. O árabe, o africano e o islâmico. O Egipto é a porta do Norte do círculo africano, constituindo também a ponte entre a África e a Ásia, no âmbito do círculo islâmico, ao mesmo tempo que constitui o Estado pivot da unidade árabe.

 

 

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Cosmopolis  © José Adelino Maltez, História do Presente (2006)

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 19-03-2009