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  Anuário 1960

 

1960

 

Comemorações henriquinas, fuga de Cunhal, prisão de Agostinho Neto e revolta de Mueda

Fim da détente depois do episódio do U2

O tempo do fim das ideologias

Da instituição da EFTA à eleição de John Kennedy

(Ver Tradição e Revolução, vol. II)

Ver Cosmopolis

 

França dominada pela questão argelina

Inauguração de Brasília

Cuba passa para o campo soviético

Ruptura entre Moscovo e Pequim

Criação da EFTA e da OCDE

Bomba atómica francesa

Greve de Aljustrel (Abril)

Revolta de Mueda (16 de Junho)

Comunistas fogem de Peniche (3 de Janeiro)

Prisão de Agostinho Neto (8 de Junho)

Eleição nº 60 (Novembro). 816 965 000 votantes. Oposição acaba por desistir

Frente Eleitoral Independente

Frente Revolucionária Africana para a Independência Nacional das Colónias Portuguesas

 

1960

Católicos – No plano de organização dos católicos, destaque para a introdução do Movimento por um Mundo Melhor, e para a criação dos Cursilhos de Cristandade, que constituem uma espécie de alternativa à Acção Católica, quando já mostra uma certa pujança o Opus Dei, aqui chegado em 1958, sobretudo a partir da Editorial Aster e da revista Rumo que chegam a ser dirigidos pelo poeta Ruy Belo. Não tarda que surjam os Casais de Santa Maria, 1963. os Focolares, 1966, e o Renovamento Carismático, 1967, bases em que se fundará um movimento social-cristão que, pela primeira vez, desde 1820, não entrará em directo conflito com a maçonaria. Bem pelo contrário: a respectiva facção esquerdista tanto se aliará aos comunistas como receberá o apoio dos próprios maçons, opondo-se a um regime que havia sido conformado pela ideologia e pela liderança do Centro Católico Português que assim vê perder a sua fundamental base ideológica de apoio. Mas para cair ainda era preciso que o situacionismo perdesse o pé militar, o que só acontecerá depois de treze anos de guerra colonial.

Oposição republicana – Reactivada a Liga Portuguesa dos Direitos do Homem, que se filia na Fedération Internationale des Droits de L’Homme (2 de Janeiro). Em Maio assume a presidência deste grupo para-maçónico Luís Hernâni Dias Amado (1901-1991). Surge no Porto uma Frente Eleitoral Independente (30 de Setembro), para apoiar a candidatura da oposição nas eleições.

●Manifestações oposicionistas – Oposicionistas reúnem-se no Cemitério do Alto de S. João e manifestam-se, depois, nas ruas da Baixa de Lisboa (5 de Outubro). Alguns deles são presos pela PSP, como Mário Soares, libertado no dia seguinte. Terá havido uma carta de Mário de Azevedo a Américo Tomás intercedendo por Soares junto do Ministro do Interior Arnaldo Schultz. Segue-se nova manifestação oposicionista num almoço de homenagem a Mário de Azevedo Gomes (23 de Outubro). São mobilizados para a campanha nomes como os de Acácio Gouveia, Mário Soares, Mayer Garção, Armando Castanheira, Nuno Rodrigues dos Santos, Adão e Silva, Gustavo Soromenho, Fernando Piteira Santos, Rui Cabeçadas, Areosa Feio e Fernando Homem de Figueiredo. Alguns deles subscrevem uma representação dirigida ao Presidente da República solicitando autorização para a realização de um Congresso dos Democratas Portugueses, o lançamento de um semanário da oposição e uma amnistia para os presos políticos (Novembro).

Eleição nº 60 (Novembro). 816 965 000 votantes. Oposição acaba por desistir

Questão colonial – Em 3 de Março é recrutado para o cargo de subsecretário de estado da administração ultramarina o ex-oposicionista, ex-marcelista e futuro anti-salazarista, Adriano José Alves Moreira, então famado como o maravilhas, sucedendo a Álvaro da Silva Tavares, nomeado governador-geral de Angola. Em 17 de Dezembro chega a Lisboa, vindo de Lourenço Marques o jovem moçambicano Eusébio da Silva Ferreira, que será um dos maiores jogadores de futebol do século e um dos símbolos do Portugal luso-tropical.

●Dá-se a revolta de Mueda em Moçambique (16 de Junho) e surge uma Frente Revolucionária Africana para a Independência Nacional das Colónias Portuguesas. Entre os fundadores da Frente, Mário Pinto de Andrade, Lúcio Lara e Viriato Cruz, do MPLA, Amílcar Cabral, do PAIGC, e Hugo de Meneses, do MAC (Março).

●Prisão de Agostinho Neto em Luanda (8 de Junho), seguindo-se várias manifestações de protesto que são violentamente reprimidas. A Amnistia Internacional há-de considerá-lo o prisioneiro político do ano. Transferido para Lisboa em 8 de Agosto de 1960, é depois deportado para Cabo Verde e enviado novamente para Lisboa, em 17 de Outubro de 1961, para a cadeia do Aljube. Mal é posto em residência fixa, evade-se em Julho de 1962. Joaquim Pinto de Andrade, preso em Luanda, é transferido para a cadeia do Aljube, em Lisboa. Libertado em 8 de Novembro seguinte (4 de Julho).

Adesão à EFTA –Parecer da Câmara Corporativa nº 30/VII, de 13 de Abril, que tem como relator, o professor de economia Francisco Pereira de Moura, onde se critica a CEE por ter nascido sob o signo da profunda integração política, mas com uma enganadora aparência de arranjo de política económica e comercial. Isto é, o salazarismo faz suas as palavras de quem virá a ser um dos mais irrequietos responsáveis pela leveza das ideias do PREC, quanto à pesada herança económica do regime do Estado Novo.

Política externa Há um certo fulgor na política externa portuguesa, no ano em que aderimos ao BIRD e ao FMI e Lisboa recebe as visitas de Franz Joseph Strauss a Lisboa (10 a 17 de Janeiro), Sukarno (5 de Maio), Eisenhower (19 de Maio) e dos reis da Tailândia (22 de Agosto), enquanto se inaugura a I Feira Internacional de Lisboa (9 de Junho).

Comunistas – Álvaro Cunhal e outros militantes comunistas fogem da cadeia de Peniche, com o apoio de um militar da GNR que aceita ser subornado, permitindo um dos mais ousados e heróicos episódios da luta comunista contra o regime (3 de Janeiro). Greve em Aljustrel com ocupação das minas e da sede do sindicato. Cerca de uma centena de detidos (Abril). Greves de protesto comemoram o Dia do Trabalhador (1 de Maio). Reunião do comité central do PCP, onde é apresentado um relatório de Álvaro Cunhal intitulado A tendência anarco-liberal no trabalho de direcção, onde se criticam alguns elementos do próprio comité central (Dezembro). Neste ano, Cunhal subscreve um acordo com a comunista espanhola Dolores Ibarruri, representando o PCE, onde decidem apoiar o modelo frentista para a Península Ibérica, tendo como símbolos o general Humberto Delgado e Emílio Herrera, o chefe do governo republicano espanhol no exílio.