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  Anuário 1964

1964

 

Acção Socialista Portuguesa, cisão ML no PCP e guerrilha em Moçambique

Da emergência dos Beatles ao começo da era Brejnev  

Brejnev sobe ao poder 

França reconhece a República Popular da China 

Martin Luther King prémio Nobel da Paz  

Nelson Mandela condenado a prisão perpétua

Jogos Olímpicos de Tóquio

Da luta de classes a um mundo dividido

(Ver Tradição e Revolução, vol. II)

Ver Cosmopolis

 

Frente de Acção Patriótica (dissidência m-l do PCP, promovida por Francisco Martins Rodrigues em Janeiro de 1964)

Liga Popular Monárquica, de João Vaz de Serra e Moura

Frente Portuguesa de Libertação Nacional (delgadista)

Acção Socialista Portuguesa

 

Cisão delgadista contra o PCP

Cisão maoísta no PCP

Morte de Craveiro Lopes (2 de Setembro)

Começa a guerrilha da FRELIMO em Moçambique (25 de Setembro)

A cisão delgadista contra o PCP – Em Abril, é aprovado no PCP o relatório de Álvaro Cunhal Rumo à Vitória. As Tarefas do Partido na Revolução Democrática e Nacional. Terceira Terceira Conferência da Frente Patriótica de Libertação Nacional, reunindo o PCP, a Resistência Republicana e o MAR, onde Humberto Delgado é afastado da organização. Delgado chega a Argel (27 de Junho) ainda convalescente, de uma intervenção cirúrgica a que é submetido em Praga (27 de Maio) e, pouco depois, cria uma Frente Portuguesa de Libertação Nacional, entrando em ruptura com as estruturas integrantes da FPLN, principalmente o PCP. É então que passa a ser apoiado por Henrique Cerqueira, a partir de Rabat. Acusa os membros do grupo de Argel de politiqueiros palavrosos. O delírio conspirativo de Delgado leva-o a conceber vários planos para o derrube do regime, nomeadamente uma chamada operação laranjas, com a instalação de um governo provisório em Macau, para o que pensa contar com o apoio da China. O isolamento do general propicia que este caia numa cilada armada pela polícia política que o atrai a Espanha em Fevereiro de 1965, onde viria a ser assassinado.

●A cisão maoísta no PCP – Surge a Frente de Acção Patriótica, dissidência do PCP criada em Janeiro de 1964 por Francisco Martins Rodrigues, depois de divergências na reunião do comité central de Agosto de 1963. Segue-se o CMLP, Comité Marxista-Leninista Português, onde é apoiado por Rui d’Espiney e João Pulido Valente, dissidentes do PCP. Em Junho, emitem o primeiro número do periódico Acção Popular e em Outubro o Revolução Popular. Em Novembro, o jornal Avante! denuncia dois membros da FAP, entrados clandestinamente em Portugal. Idênticas denúncias surgirão em O Militante de Fevereiro de 1965 e em o Avante! de Março de 1965.

 

Alargada a linha de combate contra a guerrilha – No ano da morte de Craveiros Lopes (2 de Setembro) e do estabelecimento de um acordo com a França, para a instalação de uma estação de rastreio na ilha das Flores (17 de Março), inicia-se a guerrilha em Moçambique, por iniciativa da FRELIMO (25 de Setembro). D. Sebastião Soares de Resende, bispo da Beira, emite uma Nota Pastoral protestando contra a suspensão do jornal da diocese, o Diário de Moçambique, bem como contra a circunstância do mesmo estar sujeito a censura prévia (15 de Dezembro).

Caso Luandino Vieira na Sociedade Portuguesa de Escritores, com protestos pela atribuição de um prémio a este militante do MPLA, de origem europeia. Sociedade será encerrada.

●Emitido, em Brazzaville, o manifesto Amangola por um grupo de dissidentes da UPA, base da futura UNITA (11 de Dezembro).

Contra-subversão doméstica – Distúrbios no Rossio e na Avenida da Liberdade (1 de Maio). Um morto, Almeida Reis. Em Junho, o jornal O Militante do PCP há-de criticar os organizadores desta contestação, por terem realizado sabotagens e reunido armas.

●Cristãos progressistas e socialistas. Surge a Cooperativa de Difusão Cultural e Acção Comunitária, visando os princípios da Pacem in Terris (11 de Abril). Será encerrada pela PIDE em 1967. No Porto, aparece a cooperativa Confronto, liderada por Francisco Sá Carneiro (1934-1980), Leite de Castro e Mário Brochado Coelho. Criada a Acção Socialista Portuguesa, em Genebra, por Mário Soares, Tito de Morais e Ramos da Costa em Abril.