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Grande Oriente Lusitano (1821-1841)

 

Nos começos de 1821, houve eleições no Grande Oriente Lusitano. João da Cunha Sotto-Mayor foi eleito Grão-Mestre, assessorado por Agostinho José Freire, José Correia da serra, Nuno Álvares Pato Moniz, José Ferreira Borges e Manuel Borges Carneiro. Em Março de 1822 ou entre Janeiro e Maio de 1823, o novo grão-mestre passou a ser José da Silva Carvalho. Entre as principais lojas maçónicas em actividade, destaque para Aliança, em Lisboa, entre 1820 e 1823, com Manuel Borges Carneiro; Fortaleza, de Lisboa, entre 1820 e 1822, com José Liberato, Ferreira de Moura e Manuel Fernandes Tomás; Patriotismo, em Lisboa, entre 1821 e 1823, com Manuel Fernandes Tomás; Primeiro de Outubro, em Lisboa, entre 1821 e 1823, com José Liberato e Ferreira de Moura; Regeneração, em Lisboa, entre 1805-1821 e 1820-1823, com Rodrigo da Fonseca e Pereira Mesquita. Entre os grupos para-maçónicos, para além do Sinédrio, de Janeiro de 1818 a 1820, a Sociedade Literária Patriótica, de 2 de Janeiro de 1822 a Junho de 1823, com Póvoas, Anselmo Braamcamp (pai), Molelos, Bernardo Sepúlveda, Garrett, J. B. da Rocha Loureiro, José Liberato, Pinto França e Pato Moniz. Destaque também para a lojoa SPTU, com Sá Nogueira, Gaspar e Lacerda.

●Em Julho de 1837 já o Grande Oriente Lusitano, com o exílio de Silva Carvalho e o assassinato de Agostinho José Freire, fica acéfalo e muitas lojas desta obediência abatem colunas. Também inúmeros irmãos abandonam a ordem, como terá sucedido a Alexandre Herculano.

●Em 12 de Novembro de 1839 é eleito grão-mestre Manuel Gonçalves de Miranda, levando ao afastamento de José da Silva Carvalho. Com efeito, a subida ao poder da dupla Rodrigo-Cabral, com o governo de Bonfim, irritara o grupo de J. A. Magalhães e A. Luís de Seabra, que esperam ser chamados à governança. Mas Rodrigo apazigua esses adversários, através de contactos com Manuel Gonçalves de Miranda e fazendo promessas tanto aos dois, como a Joaquim António de Aguiar.

●Em Fevereiro de 1840, face à recusa de Silva Carvalho, de tomar posse como Grande Administrador do Grande Oriente Lusitano, há eleições para o cargo, cabendo a escolha em Joaquim António de Magalhães. Depois da morte de Manuel Gonçalves de Miranda, grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, sucede-se então uma disputa pelo lugar entre a dupla que dinamiza o governo: Costa Cabral e Rodrigo da Fonseca.

Fundado o Montepio dos Empregados Públicos, três anos depois chamado Montepio Geral, de inspiração maçónica (19 de Março).

Na loja Fortaleza do Grande Oriente Lusitano, sob a liderança de José da Silva Carvalho, com o apoio de Rodrigo da Fonseca, dá-se a segunda instalação do Rito Escocês Antigo e Aceite, em 24 de Junho, depois do mesmo ter sido adoptado em Setembro de 1837 pela loja Regeneração nº 338.

Morte de Manuel Gonçalves de Miranda, grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (5 de Abril de 1840). Segue-se então um grave conflito entre a dupla que dinamiza o governo, Costa Cabral e Rodrigo da Fonseca. António Bernardo da Costa Cabral é eleito grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, tomando posse no dia 26. Vai, a partir de então, instrumentalizar as lojas de tal obediência para efeitos da conquista do poder, nomeadamente pela criação de uma rede das mesmas em regimentos militares (20 de Abril).

●António Bernardo, o irmão Fénelon, é eleito grão-mestre do Grande Oriente Lusitano em 22 de Abril de 1841. Vai, a partir de então, instrumentalizar as lojas de tal obediência para efeitos da conquista do poder, nomeadamente pela criada de uma rede das mesmas em regimentos militares.

●Rodrigo da Fonseca acabará por mudar de filiação maçónica, aproximando-se de Silva Carvalho e integrando o rito escocês, onde também participa António Maria Fontes Pereira de Melo.

●José da Silva Carvalho, em 1841, comanda a dissidência do Supremo Conselho do Grau 33, contra Costa Cabral, quando Fontes Pereira de Melo, sob inspiração de Rodrigo da Fonseca, se inicia na loja Segredo.

A partir de 1842, vamos viver um período de amplo domínio da maçonaria. Segundo o Príncipe Félix Lichnowski (1814-1848), a maçonaria dá a António Bernardo da Costa Cabral um poder independente da Coroa, salientando que a tendência das lojas portuguesas é exclusivamente política, e até aqui tem sido predominantemente revolucionária.

Paradoxalmente, surgem os primeiros ataques formais à maçonaria em plena repressentação nacional. O Conde da Taipa interpela o governo na Câmara dos Pares sobre o fatal influxo das sociedades secretas. Apela para a aplicação da lei de 1823, exigindo aos funcionários um compromisso de honra sobre não pertencerem a sociedades secretas.

No processo alinham também o 2º conde do Lavradio, D. Francisco de Almeida Portugal (este país está cheio de sociedades secretas que, debaixo da direcção do sr. Ministro do reino, tomaram um andamento regular) e o 3º conde de Linhares, D. Vitório Maria Francisco de Sousa Coutinho (anuncia a apresentação próxima de um projecto de lei contra as sociedades secretas).

António Bernardo da Costa Cabral, muito hipocritamente, põe em dúvida a importância das sociedades secretas e recusa-se a confirmar se pertencia a alguma (20 de Julho). Admitido na Câmara dos Deputados projecto de Luís Mouzinho de Albuquerque contra as mesmas (4 de Agosto). 3º Conde de Linhares apresenta, na Câmara dos Pares, um projecto de lei nº 2 de idêntico teor (9 de Agosto).

1843– No ano um do cabralismo institucionalizado, e apoiado numa ditadura da maioria, de carácter parlamentar, Alexandre Herculano publica, na revista Panorama, o romance histórico O Bobo. Esboça as linhas ideológicas básicas de combate ao cabralismo.

Estamos também no ano da introdução sistematizada do krausismo, devido, sobretudo, à acção de Vicente Ferrer Paiva que, na Faculdade de Direito de Coimbra, deixa de utilizar as velhas sebentas iluministas de Martini e passa para as lições de Ahrens, a ideologia maçónica suave que, a partir da Universidade Livre de Bruxelas, vai sendo exportada para os países da Europa Católica. Em Coimbra, a Imprensa da Universidade edita os Elements de Droit Politique de Macarel, de 1833, seguido desde 1837.

1844

António Bernardo da Costa Cabral é reeleito grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (16 de Fevereiro). Cabralistas emitem anonimamente o folheto Algumas Considerações Políticas pelo Autor do Ontem Hoje e Amanhã, onde são especialmente visados o conde de Lavradio, José Jorge Loureiro e Luís Mouzinho de Albuquerque.

Volta a debater-se na Câmara dos Pares a questão da proibição das sociedades secretas, com violentas críticas de Sá da Bandeira e do conde da Taipa a António Bernardo da Costa Cabral, que é expressamente acusado da verdade: que é maçon e grão-mestre. O ministro, fingindo, nega e refere-se com desprezo às acusações. Assume assim a bidimensionalidade da postura de tempos onde o espaço de teatro público dos homens de Estado não coincide com os passos que os mesmos dão na sombra das sociedades secretas e discretas (22 de Novembro).

1845 A nova religião para a humanidade Auguste Comte, depois do encontro com Clotilde de Vaux, abandona os exageros cientificistas, colocando o sentimento em equilíbrio com a razão e começa a lançar a sua versão positivista de uma nova religião para a humanidade, em torno da tríade família, pátria, humanidade, que pretende assumir-se como uma espécie de catolicismo sem cristianismo, conforme as palavras de Aldous Huxley. As duas opções hão-de penetrar em Portugal de forma avassaladora, principalmente sob a forma de vulgatas ideológicas, marcando o ritmo tanto dos modelos educativos como de alguns dos nossos principais partidos e movimentos políticos, com o positivismo a ser a epidemia na viragem do século XIX para o século XX e o marxismo a infestar o último quartel do século XX.

●O visconde da Oliveira, Marcelino Máximo de Azevedo e Melo é eleito, em 15 de Agosto de 1846, Grande Inspector do Grande Oriente Lusitano. Passa a ser o grão-mestre de facto, na ausência de António Bernardo da Costa Cabral.

●Para o cargo de grão-mestre chega a ser convidado o marquês de Fronteira que nem sequer é maçon.

●Encíclica de Pio IX, Qui Pluribus, critica as seitas secretas, vomitadas do seio das trevas para ruína da religião e dos Estados (11 de Setembro de 1846).

1847 – O exército era no tempo de Costa Cabral um Club Armado; os oficiais estavam na sua loja, os postos e as gratificações dependiam da graduação, da ordem, e a manobra de um regimento era o resultado de uma sessão nocturna. Cada eleição foi uma batalha, a urna estava na boca dos arcabuzes, e os votos eram exprimidos por metralhadas (palavras do miguelista João de Lemos em 1847).

Em Portugal quase não há homem, dos que se importam com os negócios públicos, que não esteja filiado a alguma maçonaria e que não há maçonaria, que, por muito que alardeia a sua abnegação política, na política não intervenha mais ou menos directamente. Observa também que existem maçonarias diferentes e até contrárias, que elas são associações poderosas, que podem, quando inimigas do governo – ser-lhe de perigo, e quando amigas, mas obrando independentemente – ser-lhe de empeço

 (José Maria Lacerda, propagandista de Cabral, clérigo, filho e aliado de maçons).

1849 – António Bernardo da Costa Cabral demite-se de grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (18 de Maio).

Cisão no Grande Oriente Lusitano. A facção adepta de Costa Cabral passa a ser liderada por João Rebelo da Costa Cabral. Outro grupo, por José Bernardo da Silva Cabral. A terceira parcela constitui o Grande Oriente de Portugal, com o Visconde da Oliveira, o conde da Cunha e José Joaquim de Almeida Moura Coutinho (1838-1912), o novo grão-mestre.


●António Bernardo da Costa Cabral regressa do exílio e retoma as funções de grão-mestre do Grande Oriente Lusitano em 27 de Agosto de 1847. Demite-se de grão-mestre em 18 de Maio de 1849.

●Em 16 de Julho de 1849, quando estão marcadas eleições para grão-mestre, um grupo cabralista, liderado por João Rebelo da Costa Cabral, ocupa o local onde se reunia a Grande Dieta e elege como grão-mestre o cónego Euletério Francisco de Castelo Branco, que se mantém em tais funções até 30 de Novembro de 1850.

Em 30 de Novembro de 1850, novas eleições na facção cabralista do Grande Oriente Lusitano. José Bernardo da Silva Cabral é eleito grão-mestre. Este está então em ruptura com os irmãos de sangue António Bernardo e João Rebelo. Passa a contar como colaboradores Agostinho Albano da Silveira Pinto, João Lourenço da Cruz, João Paulino Vieira e o cónego Euletério Francisco de Castelo Branco. Nova fornada de pares em 15 de Dezembro de 1850. A terceira concedida a Cabral. O governo passava a ter 53 pares em pouco mais de cem. Em 29 de Janeiro de 1851, eis que, do grupo cabralista de José Bernardo se destaca um conjunto de lojas liderado por João Rebelo da Costa Cabral que cria um Grande Capítulo Central da Maçonaria Lusitana

●José Bernardo da Silva Cabral é eleito grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (30 de Novembro de 1850). Está então em ruptura com os irmãos de sangue António Bernardo e João Rebelo. Passa a contar como colaboradores Agostinho Albano da Silveira Pinto, João Lourenço da Cruz, João Paulino Vieira e o cónego Euletério Francisco de Castelo Branco.

●A usurpação de Julho de 1849 dará origem à dissidência do GOP. A eleição de José Bernardo dará origem à nova dissidência em 1851, o GCCML.

●De 1859 a 1864, conde de Parati, João Inácio Francisco Paula Noronha, exerce as funções de grão-mestre.

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 08-05-2007