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Maçonaria do Sul

Liderada Saldanha, antes deste se aliar a chamorros e conservadores. Constituída uma barraca da carbonária em Angra do Heroísmo, que dura até Julho de 1833. Dominada por saldanhistas, inclui entre os seus membros António Jervis de Atouguia e Francisco Soares Caldeira.

●Segue-se idêntica organização no Porto, com Jervis de Atouguia, António César Vasconcelos Correia, João Carlos de Saldanha, José Lúcio de Travassos Valdez e, talvez, Júlio Gomes da Silva Sanches.

●Em 19 de Junho de 1835, Maçonaria do Sul adopta uma nova constituição, elegendo como grão-mestre Saldanha, acompanhado por José Liberato Freire de Carvalho, Francisco António de Campos e pelo conde de Lumiares.

●Saldanha tinha dito em Agosto do ano anterior que se desligara de sociedades secretas, mas a relações com a maçonaria apenas seriam cortadas em 1837, depois da revolta dos marechais.

Entre 1834 e 1836, o poder é controlado pelos chamorros e a palavra de ordem é a de luta contra os anarquistas e os desorganizadores,   das Guardas Nacionais, afectas aos radicais. Isto é, o facciosismo trata de brincar às guardas pretorianas e, portanto, passa a depender desse jogo de forças milicianas.

Segue-se a Revolução de 1836, que é planeada e executada pela Maçonaria do Sul, com o apoio, declarado ou tácito da Maçonaria do Norte, conforme as palavras de Oliveira Marques, e, nela, as chamadas Sociedades Patrióticas desempenham um papel semelhante ao que vai ter a Carbonária relativamente ao 5 de Outubro de 1910 e o Partido Comunista relativamente ao MFA em 1974.


De um lado, a Maçonaria do Sul, liberta de Saldanha. Do outro, o Grande Oriente Lusitano, ligado ao regime derrubado em 9 de Setembro. A terceira força, representada pela Maçonaria do Norte e em aliança com Sá da Bandeira, acaba por liderar o processo, dada a respectiva postura, defensora da revolução institucionalizada por uma moderação racional, capaz de dialogar com os anteriores situacionistas. A Maçonaria do Sul radicaliza-se. O Grande Oriente Lusitano dialoga com Sá da Bandeira, enquanto Passos Manuel entra em compromisso com Palmela e sempre vai negociando com o Paço. A conspiração havia sido organizada por um grupo de radicais, onde se destacam Soares Caldeira, Leonel Tavares, Cassiano Tavares Cabral e José António Morais, o Mantas, contínuo do Clube os Camilos, que conseguira ser nomeado administrador da fábrica nacional de mantas. Parte deste grupo já havia dinamizado, em 1834, o Centro Eleitoral Progressista e em 1822 a Sociedade Patriótica da Indústria Nacional, presidida por Cândido José Xavier.

●Em 19 de Janeiro de 1840, Francisco António de Campos toma posse como grão-mestre da Maçonaria do Sul, cargo para que é eleito em finais de 1839.

●Nos começos de 1840, há ataques de José Estevão nas páginas da Revolução de Setembro ao governo ordeiro. Diz que o uniforme de Bonfim, o chefe do governo, está cheio de nódoas, impossíveis de eliminar por água de colónia.

1844. Os maçons oposicionistas desencadeiam a oposição armada e aliam-se aos miguelistas. Revolta radical de Torres Novas. Pronunciamento organizado por António César Vasconcelos Correia e José Lúcio Travassos Valdez (4 de Fevereiro). Passos Manuel chama ao golpe a bombochata. Todos os líderes da revolta pertencem à Maçonaria do Sul. Apoderam-se de Almeida (8 de Abril) e têm o apoio de José Estêvão e de vários estudantes miguelistas de Coimbra, aliciados por Caetano Beirão. A revolta apenas termina em 28 de Abril de 1844. São também presos os miguelistas Caetano Beirão, José Manuel Teixeira e D. Jorge Coutinho, dado estar previsto o levantamento de guerrilhas realistas em Amarante e Fafe.

1847 – O exército era no tempo de Costa Cabral um Club Armado; os oficiais estavam na sua loja, os postos e as gratificações dependiam da graduação, da ordem, e a manobra de um regimento era o resultado de uma sessão nocturna. Cada eleição foi uma batalha, a urna estava na boca dos arcabuzes, e os votos eram exprimidos por metralhadas (palavras do miguelista João de Lemos em 1847).

Em Portugal quase não há homem, dos que se importam com os negócios públicos, que não esteja filiado a alguma maçonaria e que não há maçonaria, que, por muito que alardeia a sua abnegação política, na política não intervenha mais ou menos directamente. Observa também que existem maçonarias diferentes e até contrárias, que elas são associações poderosas, que podem, quando inimigas do governo – ser-lhe de perigo, e quando amigas, mas obrando independentemente – ser-lhe de empeço

 (José Maria Lacerda, propagandista de Cabral, clérigo, filho e aliado de maçons).

1849

Crise na liderança da Maçonaria do Sul que tem como grão-mestre Francisco António de Campos até Junho de 1849. Em 26 de Dezembro esta maçonaria passa a Confederação Maçónica Portuguesa, sob o regime do grão-mestre João Gualberto de Pina Cabral.

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 03-05-2007