/span>
 || Governos || Grupos || Eleições || Regimes || Anuário || Biografias || Revoltas

  Anuário 1847

Da Convenção do Gramido ao cabralismo sem Cabrais

Guerras civis por empregos públicos

Arquivo antigo do anuário CEPP

Patuleia

Convenção do Gramido

Eleição nº 11 (28 de Novembro). Vitória dos cabralistas. A Patuleia não compareceu às urnas.

 

Grupos políticos 1847

Derrota dos patuleias em Setúbal – Sá da Bandeira, depois do combate do Alto do Viso, aceita armistício (5 de Janeiro). Perde 500 homens na refrega, diante das tropas governamentais são comandadas pelo conde Vinhais.

Novo comandante dos realistas. Derrota miguelista em Vila Pouca de Aguiar. Mac Donnel, chacinado (30 de Janeiro). Em 31 de Janeiro Cândido Figueiredo e Lima nomeia o general Bernardino Coelho Soares como novo comandante em chefe das tropas realistas.

Ataque a Estremoz – O exército da Patuleia, comandado pelo conde de Melo, ataca Estremoz (27 de Fevereiro).

Concha no Porto – Divisão espanhola de doze mil homens ocupa o Porto (6 de Março). Vem através de Trás-os-Montes até Valongo.

Lord John Russell reconhece: não percamos também Portugal. A nossa influência está desaparecendo rapidamente (carta de Março).

Sá da Bandeira detém-se em Setúbal (16 de Abril).

Acordo entre miguelistas e as juntas – Entretanto, D. Miguel instala-se em Londres (2 de Fevereiro). Os miguelistas tentam negociar com as Juntas através do general António Joaquim Guedes (1789-1861) e de João de Lemos Seixas Castelo Branco (1819-1890), poeta e futuro redactor de A Nação, ambos com o apoio do general Bernardino, para quem o grande fim é salvar a Nação da tirania cabralina. Do lado das juntas, o interlocutor é António Luís de Seabra. D. Miguel apoia expressamente o processo (6 de Abril).

Barbacena – Em 12 de Abril, D. Miguel nomeia como seu lugar-tenente no reino o conde de Barbacena que logo é seduzido por várias ofertas, vindas do poder estabelecido. D. Maria II tenta sondá-lo para um lugar no Conselho de Estado e Saldanha chega a sondá-lo para a constituição de um governo.

Novos tumultos patuleias em Lisboa, fugindo cerca de seiscentos presos do Limoeiro (29 de Abril).

Esquadra britânica bloqueia o Douro, impedindo a saída da esquadra do conde das Antas (27 de Maio). Segundo Victor de Sá, obedece a uma táctica de capitulação, porque se trata de um plano suspeito: uma expedição marítima, no preciso momento em que a barra do Porto era bloqueada por cinco navios britânicos, três espanhóis e um francês...A sorte da expedição fora prevista.

Febre tifóide – Começa uma epidemia de febre tifóide que vai durar cerca de dois anos.

Remodelações: Em 20 de Fevereiro: João de Oliveira, conde do Tojal, na fazenda, até 22 de Agosto de 1847. António da Costa e Silva (1782-1856), 1º barão e 1º visconde de Ovar e barão de Aveiro em 1841, na guerra.

Em 27 e 28 de Abril: Francisco Tavares de Almeida Proença no reino (até 22 de Agosto de 1847). Manuel Duarte Leitão nos negócios eclesiásticos e justiça (até 22 de Agosto de 1847). Ildefonso Leopoldo Bayard (1785-1856) na guerra e nos estrangeiros. Conde do Tojal na marinha e ultramar. Valente Farinho, visconde da Oliveira, visconde de Algés e D. Manuel Portugal e Castro saem do governo.

Em 3 de Maio de 1847: Barão da Ponte da Barca, Jerónimo Pereira de Vasconcelos na guerra

Convenção do Gramido. Assinam Loulé e António César Vasconcelos Correia pelas juntas, na presença dos espanhóis general D. Manuel Gutierrez de la Concha, coronel Buenaga e o inglês coronel W. Wylde (24 de Junho). Tudo acontece na aldeia do Gramido, freguesia de Santa Maria de Campanha. Como salienta Oliveira Martins, o povo voltava para casa, chorando: chorando assistira à entrada de Concha. Para José Miguel Sardica, Saldanha nunca foi o factotum de Costa Cabral, queria ter o napoleónico papel de grande fusionista, apesar de aceitar em Setembro de 1846 a presidência do partido cartista-cabralista. Acrescenta que a Patuleia veio a ser uma gigantesca operação magistralmente encenada, mas nunca assumida por razões de oportunidade política, entre Saldanha e os chefes moderados da Junta, sua inimiga, no sentido de que o resultado final fosse não haver vencedores nem vencidos, o que explicaria a genérica falta de vontade de combater de parte a parte, acontecendo um empate técnico laboriosamente combinado entre os contendores, para que se realizasse o sonho da fusão..

Com a Convenção, imposta por forças militares estrangeiras, em nome da Quádrupla Aliança de 1834, a Santa Liberdade acabara usurpada. Como então chega a proclamar Rodrigues Sampaio, deixávamos de ter uma coroa pela graça de Deus e pela Constituição, dado que a mesma passava a sê-lo por graça dos aliados, ingleses e espanhóis, sobretudo, e vontade do estrangeiro.

Encerra-se o processo das revoltas militares miguelistas. Terão existido cerca de 126 ocorrências revoltosas desse teor em 1846-1847, mas só em meia centena delas se nota a existência de chefias, segundo o estudo de José Brissos. Apenas são identificadas as lideranças de treze padres, destacando-se, além do padre Casimiro José Vieira, o padre Manuel Fernandes Agras, o abade de Priscos, Luís António Pereira. O essencial das movimentações não passou de povo em armas, onde tiveram especial preponderância pequenos proprietários contra os funcionários do Estado e contra os militares dependentes do centro.

Nova remodelação – Em 22 de Agosto: ampla renovação governamental, na sequência da Convenção do Gramido. António de Azevedo Melo Carvalho, no reino (até 18 de Dezembro de 1847); Francisco António Fernandes da Silva Ferrão (1798-1874) na justiça (até 18 de Dezembro de 1847); Marino Miguel Franzini (1779-1861) na fazenda; o barão de Almofala, brigadeiro António José da Silva Leão (1793-1850) na guerra, até 8 de Janeiro de 1848; João de Fontes Pereira de Melo na marinha (até 18 de Dezembro de 1847); Joaquim António Velez Barreirosö (1803-1865) 1º barão, desde 1847, e 1ºvisconde, desde 1854, de Nossa Senhora da Luz, nos estrangeiros.

O regresso de Costa Cabral – António Bernardo da Costa Cabral que, como embaixador em Madrid, conseguira aí negociar um vantajoso empréstimo, regressa do exílio em 27 de Agosto, retoma as funções de grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, onde está filiada a maioria dos membros do governo de Saldanha.

José Bernardo e o EstandarteJosé Bernardo da Silva Cabral tinha chegado a Lisboa logo em 17 de Abril e, em fins de Maio já institui o Centro Eleitoral Cartista do Reino e Ilhas onde, formalmente, eleva o irmão a presidente. Em 2 de Agosto começa a emitir o jornal o Estandarte, desta forma institucionalizando a chamada parte exaltada do partido cartista.

 

Eleição nº 11 da Câmara dos Deputados (28 de Novembro) Vitória dos cabralistas. A Patuleia não comparece às urnas. As terceiras e últimas eleições do cabralismo, depois da Convenção do Gramido e do regresso de António Bernardo. Cerca de 32,7% dos deputados são maçons. Há 3 786 472 habitantes e 129 deputados.

O país estava dividido em três grupos. Os cabralistas estavam por D. Maria II. Os homens das juntas, ora clamavam por D. Pedro V, ora pela república. Os miguelistas tinham renascido. O desempate tinha vindo da intervenção estrangeira.

Entre os oposicionistas, para além de José Bernardo da Silva Cabral, a oposição moderada e não sistemática de António José de Ávila e uma novidade chamada António Maria Fontes Pereira de Meloö (1819-1887) que, segundo o Marquês de Fronteira, debutou, fazendo oposição ao Ministério e à situação, com talento, moderação e polidez.

Destaque para a violenta oposição na Câmara dos Pares de Lavradio, Taipa, Sá da Bandeira, Palmela, Rodrigo da Fonseca.

Nas trevas e para as trevas – Eleições de facção. Eleições de dependência. Eleições de compra, ou de compadria. Eleições sem cor, ao menos, de verosimilhança ou possibilidade. Eleições sem eleição. Eleições verdadeiramente fabricadas nas trevas, e para trevas. Comédia, que seria para rir, se não fosse para chorar, e mais vã cem vezes que as dos tablados, pois que aí, ao menos, se o actor não é a personagem que representa, aparece falando acertadamente como ela, e advogando nos termos próprios os seus interesses (António Feliciano de Castilho, em 1849).

Mais mudanças no governo – Em 18 de Dezembro: Saldanha na guerra e nos estrangeiros; Bernardo Gorjão Henriques da Cunha Coimbra Botado e Serra (1786-1854) no reino (até 29 de Março de 1848); José Joaquim de Queirós e Almeida (1774-1850) na justiça; Coronel José Joaquim Falcão (1796-1863) na fazenda.