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Da Convenção do Gramido ao cabralismo sem Cabrais
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Derrota dos
patuleias em Setúbal – Sá da Bandeira, depois do combate do Alto do Viso,
aceita armistício (5 de Janeiro). Perde 500 homens na refrega, diante das tropas
governamentais são comandadas pelo conde Vinhais.
Novo comandante
dos realistas. Derrota miguelista em Vila Pouca de Aguiar. Mac Donnel,
chacinado (30 de Janeiro). Em 31 de Janeiro Cândido Figueiredo e Lima nomeia o
general Bernardino Coelho Soares como novo comandante em chefe das tropas
realistas.
Ataque a Estremoz
– O exército da Patuleia, comandado pelo conde de Melo, ataca
Estremoz (27 de Fevereiro).
Concha no Porto –
Divisão espanhola de doze mil homens ocupa o Porto (6 de Março). Vem através
de Trás-os-Montes até Valongo.
Lord John Russell
reconhece: não percamos também Portugal. A nossa influência está
desaparecendo rapidamente (carta de Março).
Sá da Bandeira
detém-se em Setúbal (16 de Abril).
Acordo entre
miguelistas e as juntas – Entretanto, D. Miguel instala-se em Londres (2 de
Fevereiro). Os miguelistas tentam negociar com as Juntas através do general
António Joaquim Guedes (1789-1861) e de João de Lemos Seixas Castelo Branco
(1819-1890), poeta e futuro redactor de A Nação, ambos com o apoio do
general Bernardino, para quem o grande fim é salvar a Nação da tirania
cabralina. Do lado das juntas, o interlocutor é António Luís de Seabra. D.
Miguel apoia expressamente o processo (6 de Abril).
Barbacena –
Em 12 de Abril, D. Miguel nomeia como seu lugar-tenente no reino o conde de
Barbacena que logo é seduzido por várias ofertas, vindas do poder estabelecido.
D. Maria II tenta sondá-lo para um lugar no Conselho de Estado e Saldanha chega
a sondá-lo para a constituição de um governo.
Novos tumultos
patuleias em Lisboa, fugindo cerca de seiscentos presos do Limoeiro (29 de
Abril).
Esquadra
britânica bloqueia o Douro, impedindo a saída da esquadra do conde das Antas
(27 de Maio). Segundo Victor de Sá, obedece a uma táctica de capitulação,
porque se trata de um plano suspeito: uma expedição marítima, no preciso
momento em que a barra do Porto era bloqueada por cinco navios britânicos, três
espanhóis e um francês...A sorte da expedição fora prevista.
Febre tifóide –
Começa uma epidemia de febre tifóide que vai durar cerca de dois anos.
Remodelações:
Em 20 de Fevereiro: João de Oliveira,
conde do Tojal, na fazenda, até 22 de Agosto de 1847. António da Costa e Silva
(1782-1856), 1º barão e 1º visconde de Ovar e barão de Aveiro em 1841, na
guerra.
Em 27 e 28 de Abril: Francisco Tavares de Almeida
Proença no reino (até 22 de Agosto de 1847). Manuel Duarte Leitão nos negócios
eclesiásticos e justiça (até 22 de Agosto de 1847). Ildefonso Leopoldo Bayard
(1785-1856) na guerra e nos estrangeiros. Conde do Tojal na marinha e ultramar.
Valente Farinho, visconde da Oliveira, visconde de Algés e D. Manuel Portugal e
Castro saem do governo.
Em 3 de Maio de 1847: Barão da Ponte da Barca,
Jerónimo Pereira de Vasconcelos na guerra
Convenção
do Gramido. Assinam Loulé e António César Vasconcelos Correia pelas juntas,
na presença dos espanhóis general D. Manuel Gutierrez de la Concha, coronel
Buenaga e o inglês coronel W. Wylde (24 de Junho). Tudo acontece na aldeia do
Gramido, freguesia de Santa Maria de Campanha. Como salienta Oliveira Martins,
o povo voltava para casa, chorando: chorando assistira à entrada de Concha.
Para José Miguel Sardica, Saldanha nunca foi o factotum de Costa Cabral,
queria ter o napoleónico papel de grande fusionista, apesar de aceitar em
Setembro de 1846 a presidência do partido cartista-cabralista. Acrescenta que
a Patuleia veio a ser uma gigantesca operação magistralmente encenada, mas nunca
assumida por razões de oportunidade política, entre Saldanha e os chefes
moderados da Junta, sua inimiga, no sentido de que o resultado final fosse não
haver vencedores nem vencidos, o que explicaria a genérica falta de
vontade de combater de parte a parte, acontecendo um empate técnico
laboriosamente combinado entre os contendores, para que se realizasse o
sonho da fusão..
Com a Convenção, imposta por forças militares estrangeiras, em nome da
Quádrupla Aliança de 1834, a Santa Liberdade acabara usurpada. Como então
chega a proclamar Rodrigues Sampaio, deixávamos de ter uma coroa pela graça
de Deus e pela Constituição, dado que a mesma passava a sê-lo por graça
dos aliados, ingleses e espanhóis, sobretudo, e vontade do estrangeiro.
Encerra-se o processo das revoltas militares miguelistas. Terão existido cerca
de 126 ocorrências revoltosas desse teor em 1846-1847, mas só em meia centena
delas se nota a existência de chefias, segundo o estudo de José Brissos. Apenas
são identificadas as lideranças de treze padres, destacando-se, além do padre
Casimiro José Vieira, o padre Manuel Fernandes Agras, o abade de Priscos, Luís
António Pereira. O essencial das movimentações não passou de povo em armas,
onde tiveram especial preponderância pequenos proprietários contra os
funcionários do Estado e contra os militares dependentes do centro.
Nova
remodelação – Em 22 de Agosto: ampla
renovação governamental, na sequência da Convenção do Gramido. António de
Azevedo Melo Carvalho, no reino (até 18 de Dezembro de 1847); Francisco António
Fernandes da Silva Ferrão (1798-1874) na justiça (até 18 de Dezembro de 1847);
Marino Miguel Franzini (1779-1861) na fazenda; o barão de Almofala, brigadeiro
António José da Silva Leão (1793-1850) na guerra, até 8 de Janeiro de 1848; João
de Fontes Pereira de Melo na marinha (até 18 de Dezembro de 1847); Joaquim
António Velez Barreirosö
(1803-1865) 1º barão, desde 1847, e 1ºvisconde, desde 1854, de Nossa Senhora da
Luz, nos estrangeiros.
O regresso de
Costa Cabral – António Bernardo da Costa Cabral que, como embaixador em
Madrid, conseguira aí negociar um vantajoso empréstimo, regressa do exílio em 27
de Agosto, retoma as funções de grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, onde
está filiada a maioria dos membros do governo de Saldanha.
José Bernardo e o
Estandarte – José Bernardo da Silva Cabral tinha chegado a Lisboa
logo em 17 de Abril e, em fins de Maio já institui o Centro Eleitoral
Cartista do Reino e Ilhas onde, formalmente, eleva o irmão a presidente. Em
2 de Agosto começa a emitir o jornal o Estandarte, desta forma
institucionalizando a chamada parte exaltada do partido cartista.
Eleição
nº 11 da Câmara dos Deputados (28
de Novembro) Vitória dos cabralistas. A Patuleia não comparece às urnas. As
terceiras e últimas eleições do cabralismo, depois da Convenção do Gramido e do
regresso de António Bernardo. Cerca de 32,7% dos deputados são maçons. Há 3 786
472 habitantes e 129 deputados.
O país estava dividido em três grupos. Os
cabralistas estavam por D. Maria II. Os homens das juntas, ora clamavam por D.
Pedro V, ora pela república. Os miguelistas tinham renascido. O desempate tinha
vindo da intervenção estrangeira.
Entre os oposicionistas, para além de José
Bernardo da Silva Cabral, a oposição moderada e não sistemática de
António José de Ávila e uma novidade chamada António Maria Fontes Pereira de
Meloö
(1819-1887) que, segundo o Marquês de Fronteira, debutou, fazendo oposição ao
Ministério e à situação, com talento, moderação e polidez.
Destaque para a violenta oposição na Câmara dos
Pares de Lavradio, Taipa, Sá da Bandeira, Palmela, Rodrigo da Fonseca.
Nas trevas e para
as trevas – Eleições de facção. Eleições de dependência. Eleições de
compra, ou de compadria. Eleições sem cor, ao menos, de verosimilhança ou
possibilidade. Eleições sem eleição. Eleições verdadeiramente fabricadas nas
trevas, e para trevas. Comédia, que seria para rir, se não fosse para chorar, e
mais vã cem vezes que as dos tablados, pois que aí, ao menos, se o actor não é a
personagem que representa, aparece falando acertadamente como ela, e advogando
nos termos próprios os seus interesses (António Feliciano de Castilho, em
1849).
Mais mudanças no
governo – Em 18 de Dezembro: Saldanha na guerra e nos estrangeiros; Bernardo
Gorjão Henriques da Cunha Coimbra Botado e Serra (1786-1854) no reino (até 29 de
Março de 1848); José Joaquim de Queirós e Almeida (1774-1850) na justiça;
Coronel José Joaquim Falcão (1796-1863) na fazenda.