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  Anuário de 1860

O segundo governo histórico

Lincoln, Garibaldi e debulhadoras

( Arquivo antigo do anuário CEPP

Eleição nº 16 (1 de Janeiro). Nova lei eleitoral. Vitória dos governamentais regeneradores que já integram antigos cabralistas. 15 deputados da oposição histórica, já liderada pela Confederação Maçónica Portuguesa. Dois miguelistas.

 

Governo nº 25 Loulé (1749 dias, desde 4 de Julho de 1860). O 2º governo histórico.

 

Eleição nº 16 (1 de Janeiro). Vitória dos governamentais regeneradores que já integram antigos cabralistas (91%). 15 deputados da oposição histórica, então liderada pela Confederação Maçónica Portuguesa (8%).

Os oposicionistas históricos já são liderados por Loulé que adere ao partido em 4 de Dezembro de 1859, sucedendo a Francisco António de Campos. Também o antigo cabralista, o avilista Carlos Bento da Silva formaliza a sua adesão aos históricos. Falam em escândalos eleitorais e que temos eleições à baioneta.

Os governamentais chegam a convidar para deputado o legitimista Caetano Beirão. Dois miguelistas.

Experimenta-se um novo modelo de lei eleitoral, com 156 círculos uninominais no continente e 9 nas ilhas, mantendo-se círculos plurinominais no ultramar, num total de 179 deputados, enquanto se diminui o censo. Oposição vence em Lisboa.

O verbo em vez da ideia – Fontes é o que nós sabemos: o verbo em vez da ideia, a palavra hábil, em vez do raciocínio. Mais duro, o rei assinala que a sua bagagem de ideias governativas ou administrativas (que para ele é a mesma coisa) resume-se no plagiato da imoralidade mansa, inimitavelmente decente, de Rodrigo da Fonseca, ou bravia do Conde de Tomar.

Remodelação. Em 16 de Março: Fontes substitui Adriano Maurício Ferreri na marinha, por morte deste. tem uma congestão cerebral em plena Câmara dos Deputados em 9 de Março de 1860.

Associativismo patronal – Criação da Associação Industrial Portuguesa (20 de Março). Fundada a Real Associação Central da Agricultura Portuguesa que em 13 de Janeiro de 1861 há-de eleger João Rebelo da Costa Cabral como primeiro presidente (10 de Junho).

Morte do duque da Terceira – Terceira fica doente e abandona o governo. Com a doença de Terceira, António Serpa passa a acumular a guerra e Casal Ribeiro a acumular os estrangeiros (24 de Abril). Morte do Duque da Terceira (26 de Abril).

Rei contra Fontes. D. Pedro V tenta que o marquês de Ficalho organize um novo ministério. Reconhece que Fontes quer a todo o custo escalar a presidência, e eu forcejo por afastá-lo de uma situação a que nada o chama, além da sua ambição, e que multiplicaria entre nós relações dificilmente amigáveis.

José Estêvão, que rompera com os regeneradores em 1859, assume-se como independente e funda os jornais A Discussão e A Política Liberal.

Nova chefia do governo. Joaquim António de Aguiar na presidência; Joaquim António Velez Barreiros, barão da Senhora da Luz assume a pasta da guerra; José Marcelino Sá Vargas na marinha; Casal Ribeiro mantém a fazenda e os estrangeiros; António Serpa fica apenas com as obras públicas (1 de Maio).

Fontes fica furioso com o rei e com Aguiar e trata de agir de forma dissidente, agitando os seus amigos, Martens Ferrão, Casal Ribeiro e António Serpa. José Estêvão também fica desesperado, porque não foi chamado para ministro.

Começam a intensificar-se as acusações de corrupção contra os governantes. Estes são vistos como ladrões por parte importante da opinião pública (Maio). O rei mostra-se agastado com a linha situacionista, principalmente quando Fontes pede a vaga de Terceira no Conselho de Estado.

Governo nº 25 de Loulé, o segundo governo histórico (1 749 dias, desde 4 de Julho de 1860), constituindo uma espécie de coligação com os avilistas. Marcado pela questão das Irmãs da Caridade e pela morte do rei. Presidente começa por acumular o reino (até 21 de Fevereiro de 1862). Loulé está ausente de 12 de Setembro a 6 de Outubro de 1862, sendo interinamente substituído por Sá da Bandeira.

António José de Ávilaö soma a fazenda e os estrangeiros (até 21 de Fevereiro de 1862). Loulé passará também pelas obras públicas, reino e estrangeiros. Belchior José Garcez Penha na guerra. Carlos Bento da Silva na marinha (até 21 de Fevereiro de 1862). Alberto António Morais de Carvalho (1801-1878) nos negócios eclesiásticos e justiça. Tiago Augusto Veloso da Horta (1819-1863) nas obras públicas (até 26 de Fevereiro de 1862). Em 3 de Dezembro de 1860: Sá da Bandeira substitui Belchior José Garcez Penha na guerra.

Católicos – Em 15 de Agosto reúnem no convento do Barro, junto a Torres Vedras, os jesuítas residentes em Portugal. São liderados pelo português Carlos Rademaker, fundador do Colégio de Campolide, com o padre Meloni, dirigente da casa das missões de Cernache de Bonjardim, do padre Prosperi, criador do Apostolado da Oração, e do padre Ficarelli, que será o provincial português até 1867. Saliente-se também a criação, em 1860, pelo Padre Luís Pacheco do movimento das Leituras Populares Ilustradas.

O Oriente na política externa – Retomadas as relações diplomáticas com o Japão, interrompidas desde 1639, através de Isidoro Francisco Guimarães (1808-1883), então governador de Macau desde 1851. Tratado assinado em 2 de Agosto seguinte (12 de Julho). Tratado com os Países Baixos regulariza a questão de Timor (10 de Agosto).

Autorizada a livre importação de cereais (1 de Setembro).