Governo de Loulé (1860-1865)

 

 

1860  O segundo governo histórico  

1861 Morte de D. Pedro V e tumultos do Natal  

1862  D. Luís I: entre José Estêvão e a Maria Bernarda  

1863  Abolição dos morgados, cisões maçónicas e federalismo   
1864 
Caminho-de-ferro chega a Vilar Formoso e revoltas estudantis  

1865 O começo da fusão

 

Governo nº 25 de Loulé, o segundo governo histórico (1 749 dias, desde 4 de Julho de 1860), constituindo uma espécie de coligação com os avilistas. Marcado pela questão das Irmãs da Caridade e pela morte do rei. Presidente começa por acumular o reino (até 21 de Fevereiro de 1862). Loulé está ausente de 12 de Setembro a 6 de Outubro de 1862, sendo interinamente substituído por Sá da Bandeira.

 

António José de Ávila soma a fazenda e os estrangeiros (até 21 de Fevereiro de 1862). Loulé passará também pelas obras públicas, reino e estrangeiros. Belchior José Garcez Penha na guerra. Carlos Bento da Silva na marinha (até 21 de Fevereiro de 1862). Alberto António Morais de Carvalho (1801-1878) nos negócios eclesiásticos e justiça. Tiago Augusto Veloso da Horta (1819-1863) nas obras públicas (até 26 de Fevereiro de 1862). Em 3 de Dezembro de 1860: Sá da Bandeira substitui Belchior José Garcez Penha na guerra.

 

Em 24 de Fevereiro de 1862, como consequência dos tumultos do Natal de 1861, saem António José de Ávila e Carlos Bento da Silva. José Estêvão, convidado para integrar o governo, declina, mas indica Mendes Leal. Os avilistas passam para a oposição e aproximam-se de Sá da Bandeira. D. António Alves Martins, bispo de Viseu de 1862 a 1882, apoia então António José de Ávila.

 

Anselmo José Braamcamp (1819-1885) no reino (até 16 de Janeiro de 1864). Gaspar Pereira da Silva (1801-1870) na justiça. Joaquim Tomás de Lobo Ávila (1822-1901), 1º conde de Valbom, desde 1875, na fazenda. Loulé nos estrangeiros. José da Silva Mendes Leal (1820-1886) na marinha (até 12 de Dezembro de 1864).

 

Em 26 de Fevereiro: Loulé nas obras públicas.

 

Em 16 de Janeiro de 1864: Loulé volta ao reino, substituindo Anselmo José Braamcamp (até 5 de Março de 1865); José Gerardo Ferreira Passos (1801-1870) substitui Sá da Bandeira na guerra (até 5 de Março de 1865); João Crisóstomo de Abreu e Sousa substitui Loulé nas obras públicas.

 

 

Em 12 de Dezembro: João Crisóstomo de Abreu e Sousa na marinha, continuando nas obras públicas. Mendes Leal pedira a demissão em plena Câmara dos Deputados.

 

Em 5 de Março de 1865, Lobo de Ávila sai do governo. Loulé pede a demissão e tanto Sá da Bandeira como o Conde de Torres Novas chegam a ser encarregados da formação de um novo governo, mas logo desistem. Surge assim o chamado governo Loulé-Matias.

 

Loulé na marinha, em lugar de João Crisóstomo. O 3º marquês de Sabugosa, António Maria da Silva César e Meneses (1825-1893), no reino, em lugar de Loulé. Sá da Bandeira na guerra, em lugar de Ferreira Passos. D. António Aires Gouveia (1828-1916) nos negócios eclesiásticos e justiça em lugar de Gaspar Pereira da Silva. Matias de Carvalho e Vasconcelos (1832-1910) na fazenda, em lugar de Lobo de Ávila. Loulé pediu a demissão e Sá da Bandeira chega a ser encarregado de formar novo governo, mas logo desiste. Depois de breve remodelação, o governo resistiria apenas até 17 de Abril de 1865.

 

  Governo anterior

Governo posterior  

 

Governo de Loulé

De 4 de Julho de 1860 a 17 de Abril de 1865

1749 dias

4º governo da Regeneração.

2º governo histórico

5º governo sob o reinado de D. Pedro V

1º governo sob o reinado de D. Luís

Promove as eleições de 28 de Abril de 1861 e de 11 de Setembro de 1864.

Morte de D. Pedro V em 11 de Novembro de 1861.

·Presidente começa por acumular o reino (até 21 de Fevereiro de 1862). Loulé esteve ausente de 12 de Setembro a 6 de Outubro de 1862, sendo interinamente substituído por Sá da Bandeira.

 

· António José de Ávila soma a fazenda e os estrangeiros (até 21 de Fevereiro de 1862).

 

·Loulé passará também pelas obras públicas, reino e estrangeiros.

 

· Belchior José Garcez Penha na guerra

 

· Carlos Bento da Silva na marinha (até 21 de Fevereiro de 1862)

 

· Alberto António Morais de Carvalho nos negócios eclesiásticos e justiça

 

· Tiago Augusto Veloso da Horta nas obras públicas (até 26 de Fevereiro de 1862)

·Reforçam-se as posições dos antigos cabralistas chamados ao governo histórico

·Em 10 de Agosto de 1860, tratado com os Países Baixos regulariza a questão de Timor.

·Em 5 de Novembro de 1860, as cortes adiadas por 63 dias até 7 de Janeiro de 1861

 

 

Em 3 de Dezembro de 1860,

 

·Sá da Bandeira substitui Belchior José Garcez Penha na guerra.

·Em 14 de Janeiro de 1861 dá-se a abertura solene do Curso Superior de Letras.

·Em 5 de Março de 1861 é emitida uma portaria contra a congregação das Irmãs da Caridade. Reage na Câmara dos Deputados, D. Rodrigo de Meneses, criticando a pressão da Revolução Francesa, considerada tão funesta quanto as fogueiras da Inquisição.

·Em 27 de Março dá-se a dissolução da Câmara dos Deputados, seguindo-se as eleições de 22 de Abril. Maioria de históricos, mas com cerca de meia centena de deputados oposicionistas. Depois da reabertura das Cortes, em 20 de Maio, o governo emite um decreto de 22 de Junho que dissolve a congregação das Irmãs da Caridade. Contudo, por pressão diplomática francesa, o diploma acaba por não ser aplicado.

·Em 25 de Agosto de 1861, inaugurada a Exposição Industrial do Porto, no Palácio de Cristal

·Em 5 de Novembro de 1861, a cortes adiadas por 58 dias até 2 de Janeiro de 1862

·Nos começos do Outono, o rei visita o Alentejo. Comitiva contrai peste. O infante D. Fernando morre a 6 de Novembro. D. Augusto em perigo de vida. D. Pedro V morre a 11 de Novembro. D. Luís e D. João estavam em Paris. D. João acaba  também por morrer em 27 de Dezembro.

·Tumultos no Natal de 1861. Acusam-se os lazristas, os espanhóis e Loulé de envenenamento do rei. Querem incendiar a casa de Loulé. O conde da Ponte chega a ser atacado à saída do paço. Morre na altura Passos Manuel.

 

Continuação do Governo de Loulé

Desde 4 de Julho de 1860 a 17 de Abril de 1865

1749 dias

Em 21 de Fevereiro de 1862

 

·Anselmo José Braamcamp substitui Loulé no reino (até 16 de Janeiro de 1864).

 

· Gaspar Pereira da Silva substitui Alberto António de Morais Carvalho nos negócios eclesiásticos e justiça[1];

 

·Sai António José de Ávila, substituído por  Joaquim Tomás de Lobo Ávila[2] na fazenda e por Loulé nos estrangeiros[3].

 

· José da Silva Mendes Leal substitui Carlos Bento da Silva na marinha (até 12 de Dezembro de 1864);

 

·Em 21 de Fevereiro de 1862, remodelação governamental, em consequência dos tumultos do Natal de 1861. Saída de António José de Ávila e entrada de Braamcamp, Lobo de Ávila e Mendes Leal. Apenas ficam no governo Loulé e Sá da Bandeira.

·A entrada de Braamcamp no reino levou a uma intensificação das medidas contra as congregações religiosas, sobretudo na área do ensino. Em 11 de Março, surge uma comissão da Câmara dos Deputados para dar parecer sobre a congregação. Toma uma posição transigente, contra a perspectiva mais radicalmente anti-congreganista, assumida por Vicente Ferrer de Neto Paiva. A questão terminará no dia 9 de Maio quando as irmãs embarcam para França.

 

Em 26 de Fevereiro de 1862:

·Loulé substitui interinamente o capitão Tiago Augusto Veloso da Horta nas obras públicas (de 12 de Setembro a 6 de Outubro de 1862, foi substituído por Lobo de Ávila).

·No ano de 1862, quando se publica o Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco, morria Passos Manuel (18 de Janeiro).

 

·José Estevão grão-mestre da Confederação Maçónica Portuguesa em Março de 1862. Loulé mostra-se indisponível para um novo mandato face à chefia do governo. Estevão, que toma posse em 9 de Abril, vai falecer em 4 de Novembro desse mesmo ano. No discurso de posse. considera que a maçonaria é uma religião e pretende mobilizar no seu seio as excelências do país para que possam vigiar-se as praias da civilização, reconhecendo que as perseguições acabaram, mas alertando contra a reacção e os inimigos da verdadeira luz.

·Na Confederação Maçónica Portuguesa, Lobo de Ávila, ministro da fazenda, venceu a candidatura de Tiago Augusto Veloso da Horta. Seguem-se Abreu Viana (1863) e Mendes Leal (1863-1867). Em 1863-1865 destaca-se da Confederação Maçónica Portuguesa a Federação Maçónica Portuguesa, liderada por José Elias Garcia

Em 24 de Novembro de 1863, o conde de Peniche foi eleito grão-mestre do Grande Oriente de Portugal, dissidência anti-cabralista do Grande Oriente Lusitano. Antes, tinham sido grão-mestres, o visconde da Oliveira e Moura Coutinho, desde Março de 1854 (reeleito em 1859 até 1861). Desde então, chefia interina de Frederico Leão cabreira.

·Em 17 de Março de 1862 as cortes são adiadas por 36 dias, até 22 de Abril de 1862.

·No dia 1 de Maio de 1862 assinalam-se tumultos populares no Minho. No dia 15 de Setembro, revolta da Maria Bernarda em Braga contra a carga fiscal. Insurreição do quartel de Infantaria 6, chefiada militarmente pelo capitão Guilherme Macedo, contando com o apoio civil de Manuel Joaquim Alves de Passos, professor de liceu e jornalista. O processo é pacificado por José Gerardo Ferreira Passos, então nomeado governador civil e militar de Braga.

·Em 9 de Junho de 1862 as Irmãs da Caridade abandonam Portugal. A Imperatriz viúva, D. Amélia, acompanhada por outras damas do Paço, abandonam, em sinal de protesto várias associações filantrópicas e de beneficência a que pertenciam. A Confederação Maçónica portuguesa, tenta colmatar a lacuna, lançando várias obras de assistência social.

·Em 4 de Novembro de 1862 morre José Estevão

·Em Dezembro de 1862 foi criada a sociedade para-maçónica do Raio. Entre os estudantes que integram o grupo, Antero de Quental, Alberto Sampaio e José Falcão. Assumem-se contra o reitor da Universidade de Coimbra, Basílio Alberto de Sousa Pinto. Nesse ano de 1862, surgia o Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco.

·De 12 de Setembro a 6 de Outubro de 1862, Loulé esteve fora do governo. A presidência foi então assumida por Sá da Bandeira. Nas obras públicas ficou Joaquim Tomás de Lobo Ávila. Loulé foi a Turim. Foi o procurador de D. Luís no casamento deste com D. Maria Pia, filha de Vitor Emanuel, em 27 de Setembro de 1862.

·Em 5 de Novembro de 1862, as cortes são adiadas por 58 dias, até 2 de Janeiro de 1863.

·Reorganização do crédito hipotecário em Julho de 1863; desamortização dos bens das freiras e das igrejas, com incorporação dos mesmos na fazenda nacional, em Abril de 1861; abolição definitiva dos morgados, à excepção da Casa de Bragança, em 19 de Maio de 1863. Se é extinto o morgadio, eis que se cria o monopólio do crédito predial.

·Em 24 de Novembro de 1863, o conde de Peniche foi eleito grão-mestre do Grande Oriente de Portugal, dissidência anti-cabralista do Grande Oriente Lusitano. Antes, tinham sido grão-mestres, o visconde da Oliveira e Moura Coutinho, desde Março de 1854 (reeleito em 1859 até 1861). Desde então, chefia interina de Frederico Leão cabreira.

·Em 28 de Setembro de 1863 nasce D. Carlos.

·Realiza-se a exposição agrícola e industrial de Braga, organizada pelo governador civil Januário Correia de Almeida

·Em 21 de Dezembro de 1863 surge um decreto sobre a organização do exército referendado por Braamcamp e Sá da Bandeira. O diploma gera protestos e vai levar à queda dos dois ministros em 14 e 16 de Janeiro. Loulé assume a pasta do reino e Ferreira Passos passa a ministro da guerra, enquanto João Crisóstomos acede ao  ministério das obras públicas.

 

Em 16 de Janeiro de 1864,

·Loulé volta ao reino, substituindo Anselmo José Braamcamp (até 5 de Março de 1865);

· José Gerardo Ferreira Passos substitui Sá da Bandeira na guerra (até 5 de Março de 1865);.

 

· João Crisóstomo de Abreu e Sousa substitui Loulé nas obras públicas (de 16 de Janeiro de 1864 a 17 de Abril de 1865).

·Governo consegue um grande empréstimo de 5 milhões de libras.

·Entre Abril e Maio, revolta estudantil em Coimbra, contra Loulé. Fica conhecida pela rolinada.

·Nas eleições de 11 de Setembro de 1864, nova vitória governamental.

 

 


 

[1] Gaspar Ferreira da Silva apenas exerceu estas funções de 16 de Novembro de 1863 até 5 de Março de 1865. Até lá, foi substituído por Braamcamp.

[2] Será ministro das obras públicas interino, em substituição de Loulé, de 12 de Setembro a 6 de Outubro de 1862.

[3] Loulé será substituído nos estrangeiros e nas obras públicas, de 12 de Setembro a 6 de Outubro de 1872.

 

 

 

Continuação do Governo de Loulé

Desde 4 de Julho de 1860 a 17 de Abril de 1865

1749 dias

Em 12 de Dezembro de 1864:

·João Crisóstomo de Abreu e Sousa substitui Mendes Leal na marinha, continuando nas obras públicas.

·Mendes Leal pediu a demissão em plena Câmara dos Deputados; logo se seguiria a de Ferreira Passos, a quem estava intimamente ligado

Em 5 de Março de 1865:

·Loulé na marinha, em lugar de João Crisóstomo

·O 3º marquês de Sabugosa, António Maria da Silva César e Meneses, no reino, em lugar de Loulé

·Sá da Bandeira na guerra, em lugar de Ferreira Passos

·D. António Aires Gouveia nos negócios eclesiásticos e justiça em lugar de Gaspar Pereira da Silva

·Matias de Carvalho e Vasconcelos na fazenda, em lugar de Lobo de  Ávila

·Loulé pediu a demissão e Sá da Bandeira chegou a ser encarregado de formar novo governo, mas logo desistiu. Depois de breve remodelação, o governo resistiria apenas até 17 de Abril de 1865.

·Em 7 de Abril de 1865, as cortes são adiadas por 17 dias até 24 de Abril de 1865

 

Em 12 de Setembro de 1865:

·Sá da Bandeira substitui Loulé nos estrangeiros.

 

Em 6 de Novembro de 1865:

·Loulé volta aos estrangeiros

 

 

 

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 31-03-2009