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1904 |
Do fracasso hintzáceo às mil e uma maravilhas dos lucianistas
(Ver pormenores em anuário CEPP)
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Oposição parlamentar: Debate do
discurso da coroa em 2 de Janeiro, com intervenções críticas de Manuel António
Moreira Júnior, Eduardo José Coelho, Dantas Baracho e Veiga Beirão. João Franco
visita o Norte, inaugurando centros políticos no Porto, Braga e Viana do
Castelo. São de destacar as propostas de reforma da fazenda da autoria do
ministro Teixeira de Sousa. João Franco visita o Alentejo e o Algarve.
Bernardino Machado e Dantas Baracho começam a aproximar-se dos republicanos.
Oposição social: Em Janeiro,
protestos contra a política financeira do governo, da Associação Comercial de
Lisboa e do Centro Comercial do Porto. Insurgem-se contra o novo imposto de
armazenagem na Alfândega.
Oposição republicana:
Conferência de Bernardino Machado no Porto em 23 de Janeiro. Republicanos
promovem romagens aos túmulos de José Falcão, em Coimbra, e de Elias Garcia, em
Lisboa. No Porto, ao cemitério onde jazem os animadores da revolta de 1891 (31
de Janeiro). Comício republicano no Porto, presidido por Manuel de Arriaga
contra a política financeira (7 de Fevereiro)
Greves –
Retomam-se as greves dos metalúrgicos desencadeadas em
Dezembro (4 e 5 de Fevereiro). Greve dos tipógrafos de Lisboa durante sete dias,
impedindo a saída de jornais (19 de Fevereiro).
Ofensiva anti-governamental –
Comício no Porto, presidido pelo nacionalista conde de Samodães.
Estabelecimentos comerciais de quase todo o país fazem greve de protesto,
fechando as portas. Comício em Braga (24 de Fevereiro), reunindo oradores
progressistas, republicanos, franquistas e nacionalistas. Governo é atacado no
parlamento por Veiga Beirão e José de Alpoim (5 de Abril).
Avanço republicano – Comício
republicano em Lisboa presidido por Manuel de Arriaga, com discursos de Jacinto
Nunes, Magalhães Lima, António Luís Gomes e João de Meneses (21 de Fevereiro).
Comício em Coimbra contra a política governamental, com intervenção de
Bernardino Machado (Março). Novo comício em Lisboa do mesmo teor. Vários
incidentes com as forças da ordem (19 de Junho). Manifestação republicana no
Porto saúda Guerra Junqueiro, que regressa de Paris. Incidentes com a polícia
(23 de Junho)
Imprensa publica nova proposta
governamental de contrato dos tabacos, atribuindo-se o monopólio ao grupo
de Burnay. Ataques parlamentares de Ressano Garcia, João Pinto dos Santos e José
de Alpoim (6 de Setembro).
Mais sinais oposicionistas –
Novo discurso de João Arroioö na Câmara dos Pares
contra Hintze Ribeiro. Este vai a Cascais pedir ao rei o adiamento das Cortes,
que lhe é negado. Solicita, então, a demissão (15 de Setembro). Bernardino
Machado profere oração de sapiência na Universidade de Coimbra: nenhuma
escola se fecha entre as quatro paredes da aula (16 de Setembro).
Eleição nº 40 (26 de Junho).
Vitória dos regeneradores hintzáceos, depois de prévio acordo com os
progressistas. Mas as questões dos contratos de tabacos e fósforos levam à queda
do governo.
Entre os Fósforos e os Tabacos –
Os homens estão cada vez mais divididos por ambições e interesses. Dum
lado os Fósforos. Do outro os Tabacos; dum lado o Século
e o Navarro...do outro o Burnay e o seu grupo..
Governo nº 46 (20 de Outubro)
José Luciano (516 dias) O chamado ministério das mil e uma maravilhas,
por conseguir reunir personalidades como José Maria Alpoim, na justiça e não no
reino, como pretendia, e Manuel Afonso Espregueira, quando, José Luciano,
sofrendo de grave hemiplegia, quase não sai da sua residência na Rua dos
Navegantes, donde manobra pelo telefone. É o último governo presidido pela
velha raposa que, contra a praxe, não vai ocupar nenhuma pasta.
Os ministros constantes são: Manuel
António Moreira Júnior (1866-1953), lente da Escola Médica, conhecido pelo
moreirinha, destacando-se pela sua acção na Assistência Nacional aos
Tuberculosos, na marinha e ultramar; Eduardo Vilaça nos estrangeiros; Eduardo
José Coelho que passa das obras públicas para o reino em 1905. No reino, Pereira
de Miranda, e na guerra, Sebastião Teles.
Clientelismo rotativo – Diploma
extingue 37 comissariados do governo em vários serviços (17 de Novembro).
Regeneradores reagem e dão a conhecer que em 1900 os progressistas tinham feito
o mesmo, mas deixando 594 nomeações de compadres.
Muitos pés e poucas botas – O
spoil system do rotativismo continua com inúmeras suspensões e
transferências de empregados públicos nomeados pelos regeneradores. Cem anos
depois, as boas intenções de líderes políticos ainda hão-de clamar por
no jobs for the boys, mas o inferno do clientelismo há-de continuar,
porque, na prática, a teoria é outra. Como há-de dizer Afonso Costa,
quando, no começo do século XX, ainda se punha o problema do pé descalço,
o problema está em que há muitos pés e poucas botas.
Motins estudantis no seminário de
Bragança (Dezembro)
& Almeida, Fortunato de (VI): 493, 494; Brandão, Raul (I): 113; Gallis, Alfredo (II): 223, 254, 255, 256, 270, 290, 291, 295, 302, 303, 304, 305, 307, 308, 313-316; Oliveira, Lopes: 200, 201, 203, 295, 206; Paixão, Braga (III, 1971): 34 ss.