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  Anuário 1945

 

1945

 

Vitória dos aliados e criação do MUD

Do fim da Guerra à Nova Ordem Mundial

Da animal farm à defesa da sociedade aberta

Tradição e Revolução, vol. II

Cosmopolis

 

Grupos políticos

 

União Democrato-Socialista

Movimento de Unidade Democrática

Jornal O Combate

Católicos e monárquicos integram-se no MUD

  Eleição nº 56 (Novembro). Chegam a organizar-se listas do MUD

Tentativa de golpe. Janeiro de 1945

Greves de Abril

Manifestação pró-aliados em Lisboa (8 de Maio)

Greves rurais no Alentejo (Junho)

Morte de Alex (4 de Julho)

Revolta abortada de Norton de Matos (Agosto)

Manifestações oposicionistas (Outubro)

Eleições Sindicais

Lei de 17 de Setembro altera a Constituição, nomeadamente o Acto Colonial

diplomado pela Escola Colonial, Marcelo Gonçalves Nunes Duarte Matiasö (n. 1903) que em 10 de Fevereiro de 1946 passará a director-geral dos negócios políticos e da administração interna, para, em Julho de 1958, ascender a ministro. Sampaio, que estivera saneado das respectivas funções de 1919 a 1926, assume em 1929 o cargo de secretário-geral do ministério, atingindo o topo da carreira sem nunca exercer funções no estrangeiro, mas conhecendo minuciosamente os arquivos e as pessoas.

●Conselho de Ministros. De 9 a 19 de Fevereiro, Salazar realiza o segundo conselho do remodelado gabinete, abordando directamente a situação política interna. Só em 5 de Dezembro será convocado um terceiro plenário do governo, para se fazer o balanço das eleições. Entretanto, em 9 de Junho, Marcello Caetano parte para uma demorada viagem pelo império, pelo que não está em Lisboa durante o período eleitoral.

Revoltas do reviralho – Em Janeiro, anulada tentativa de golpe militar, liderado por republicanos conservadores e monárquicos liberais. Em Agosto falha conspiração a ser liderada por Norton de Matos, com João Soares, Miguel dos Santos, Teófilo Carvalho Santos e José António Cardoso Vilhena. Tem origem no modelo do golpismo palaciano, concebido pelo comité revolucionário secreto do MUNAF.

Comunistas – O processo de subversão oposicionista não desarma. Greves de trabalhadores rurais no Ribatejo e Alentejo em Abril de 1945. Voltam a tomar como pretexto o aumento de preços, resultante das circunstâncias da economia de guerra. Em Junho, são especialmente intensas no Alentejo, sendo preso Germano Vidal em Montemor-o-Novo. Em 4 de Julho o militante comunista Alfredo Dinis (Alex) é morto em Bucelas por uma brigada da polícia política, ainda PVDE, dirigida por José Gonçalves. ●Socialistas – Surge uma clandestina União Democrato-Socialista, resultante da fusão do Núcleo de Doutrinação e Acção Socialista com a União Democrática. Em Abril, aparece o jornal O Combate considerado órgão de um Partido Trabalhista Português, que tem como secretário-geral Castanheira Lobo. Ainda se mantém em 1947.

●Estrutura-se no exílio parisiense uma União Patriótica e Democrática Portuguesa, dirigida por José Domingues dos Santos, com Emídio Guerreiro, nas funções de secretário-geral (Maio). Tentam, através de Armando Cortesão, então no exílio de Londres, que Domingues dos Santos visite a Grã-Bretanha, o que não conseguem, mesmo com a intercessão de Harold Laski, que também é contactado por António Sérgio.

Opus Dei – Escrivá de Balaguer visita Portugal. O foco irradiador da obra passa pela Residência dos Estudantes da Beira em Coimbra, graças à cooperação de Guilherme Braga da Cruz, alargando-se depois a dois ministros de Salazar, Daniel Barbosa e Cavaleiro Ferreira.

O pós-guerra – No dia da capitulação da Alemanha, em 8 de Maio, com discurso de Salazar na Assembleia Nacional, grande manifestação em Lisboa pela vitória dos Aliados, de que aproveitam os oposicionistas. Uma greve estudantil acompanha o processo. Surgem, entretanto, sinais de apoio de britânicos e norte-americanos ao regime salazarista, a partir de Junho. Os Aliados ocidentais desconfiam da capacidade da oposição não-comunista e preferem a manutenção da Salazar.

Marcação de eleições – Dissolução da Assembleia Nacional e marcação de eleições em 6 de Outubro de 1945. Salazar declara que estas serão Tão livres quanto na livre Inglaterra.

 

MUD. É neste ambiente que nasce o MUD (Movimento de Unidade Democrática) numa sessão do Centro Republicano Almirante Reis, na Rua do Bem-Formoso (8 de Outubro 1945).

Regime procura uma imagem de tolerância – Decreto-Lei nº 35 041 de 18 de Outubro estabelece uma amnistia parcial para os presos acusados de crimes contra a segurança interna e externa do Estado.

Eleições para as Juntas de Freguesia sem a presença do MUD, em 21 de Outubro. Ministro do Interior havia substituído todos os governadores civis, numa altura em que lavra um certo mal-estar nas fileiras situacionistas.

●Nas eleições para os sindicatos nacionais, surgem listas dominadas pelo PCP, cujos influenciados conseguem obter bastantes lugares.

Eleição nº 56 da Assembleia Nacional, em 18 de Novembro. 120 deputados. Candidaturas da oposição, pelo Movimento de Unidade Democrática que desiste em 11 de Novembro.

O salazarismo do pós-guerra – Lei de 17 de Setembro altera a Constituição, nomeadamente o Acto Colonial. Criados Tribunais Plenários de Lisboa e Porto, competentes para o julgamento de crimes de imprensa e de crimes contra a segurança do Estado. De 1932 a 1960 serão julgados 4 792 indivíduos. Só nos Tribunais Plenários, de 1945 a 1960, acabam condenadas 3 562 pessoas. Surge a PIDE, Polícia Internacional e de Defesa do Estado, em substituição da PVDE (Decreto-Lei nº 35 046, de 22 de Outubro), invocando-se, hipocritamente, um sistema similar ao adoptado na Inglaterra, onde idênticas funções são desempenhadas por um ramo especial, com autonomia, do Departamento de Investigação Criminal, vulgarmente conhecido por "Scotland Yard"..

Católicos da oposição O jornal República publica, em 23 de Outubro, um artigo do Padre Alves Correia intitulado O Mal e a Caramunha, que o hão-de levar ao exílio. Critica o regime por dar cobertura aos monárquicos, eventuais instigadores da Noite Sangrenta.

● Surgem outras divisões entre os católicos, com o antigo companheiro de Salazar, Francisco Veloso, a aderir ao MUD, em nome das teses de Leão XIII e Jacques Maritain. Considera que em democracia não há soberano e que tem-se governado longe do povo, em círculo fechado e de portas cerradas. Daí, proclamar a necessidade da instauração perfeita da democracia em Portugal.

●O Padre Abel Varzim, instigado por Cerejeira, chega a sondar algumas personalidades católicas, incluindo membros do governo no sentido da constituição de um eventual partido democrata-cristão.

●Surgem monárquicos como Francisco Vieira de Almeida (1888-1962) a denunciarem o pessoalismo do poder. Refira-se, também, a criação de outros grupos, como o Centro Nacional de Cultura, fundado por um grupo de monárquicos não alinhados com o regime, sob a liderança de Fernando Amado (Dezembro)

●O Grande Oriente Lusitano escreve ao presidente norte-americano Truman, solicitando-lhe os bons ofícios contra a Gestapo lusitana, mas o pedido de socorro não é atendido.

Oposição no Brasil – Entretanto, surge no Brasil a Sociedade dos Amigos da Democracia Portuguesa com Manuel Bandeira, Jorge Amado, Carlos Drumond de Andrade, Gilberto Freyre e Graciliano Ramos. Apoiam o Comité Central do Movimento Anti-Fascista dos Portugueses do Brasil, onde se destaca Lúcio Pinheiro dos Santos. Outros oposicionistas movem as suas influências nesse país, com destaque para Jaime Cortesão, Moura Pinto, Jaime de Morais e Sarmento Pimental, com a protecção financeira de Ricardo Seabra.