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  Anuário de 1993

1993

União Europeia, Partido Popular, TVI e PS vencendo autárquicas

Da conclusão do mercado único à procura da nova ordem internacional

A terceira onda da democracia

( Tradição e Revolução, vol. II)

Cosmopolis

 

 

Partido Popular O velho CDS, agora liderado por Manuel Monteiro, passa a Partido Popular (24 de Janeiro). O jovem líder, que conclui a licenciatura em Direito, querendo uma nova ideia para a Europa, reúne algumas contribuições estratégicas em Viva Portugal, com os contributos de Adriano Moreira, Paulo Portas e António Marques Bessa, entre outros.

Guerra das propinas Manifestações diante do Ministério da Educação são policialmente reprimidas (26 de Março). Cerca de cem mil estudantes candidatam-se à entrada no ensino superior (17 de Junho). A crise agrava-se em 24 de Novembro, quando a polícia carrega sobre os protestantes nas escadarias da Assembleia da República. No dia seguinte, é decretada uma greve às aulas e o próprio Presidente da República trata de criticar a atitude da polícia. O PSD fala em desordeiros e defende a hierarquia policial. Se antigamente, no tempo da ditadura, eram os polícias contra os estudantes, agora vira-se o disco, porque são os estudantes contra os polícias, embora continue a tocar-se o mesmo. Muitos questionam se vamos regressar à agitação universitária por causa de uma questiúncula. Poucos reparam que está em causa um problema de fiscalidade, e uma incompreensão relativamente ao Estado de Direito e à sociedade aberta.

Iniciam-se as emissões experimentais da TVI (30 de Janeiro), o quarto canal televisivo e o segundo não-público, da responsabilidade da Igreja Católica. As emissões regulares do canal começam em 20 de Fevereiro, sob a direcção de dois antigos ajudantes de Diogo Freitas do Amaral, Roberto Carneiro, o ministro da educação de Cavaco Silva, e José Ribeiro e Castro, o futuro deputado europeu de Paulo Portas.

Satélites – Em 26 de Setembro entra em órbita o primeiro satélite português, o Posat 1, enquanto se agrava o conflito institucional entre o governo e a presidência da república. Na equipa que coordena um projecto mais mediático do que científico, dado visar apenas o chamado reforço da auto-estima nacional, destaca-se o dirigente do LNETI, Professor Fernando Carvalho Rodrigues, antigo colaborador de Veiga Simão, que então se aproxima do PSD, de quem virá a ser candidato a deputado pela Guarda.

Vitória do PS nas eleições autárquicas (12 de Dezembro). Consegue 126 câmaras contra 116 do PSD. CDU com 49 e CDS com 13. Os socialistas Fernando Gomes e Jorge Sampaio vencem nas câmaras do Porto e de Lisboa, respectivamente, mas o homem do futebol, Valentim Loureiro, do PSD, conquista Gondomar. O PSD decide combater nas autárquicas de Lisboa e do Porto com dois dos seus ambientalistas mais afamados: Macário Correia e António Taveira. Isto é, tenta colocar dois altos dirigentes do PS numa postura situacionista e trata de fingir-se o contra-poder. Isto é, os dois irmãos-inimigos continuam o ritmo do bloco central europeísta. Os dois não passam de dois pratos da mesma balança do poder, de duas faces do mesmo oceano situacionista. Os que procuram monopolizar a democracia e que a afogam numa demagogia verbalista.

Aristides Pereira que, durante dezasseis anos, foi presidente de Cabo Verde, confidencia ao semanário Expresso que o povo crioulo, em 1974, não queria a independência, mas um estatuto de autonomia que lhe garantisse o estatuto de ilhas adjacentes da metrópole. Afinal, os adeptos da descolonização talvez tivessem tão pouca razão quanto os da colonização. Todos repudiaram um espaço universal de portugalidade que não devia ter sido confundido com um regime, um sistema ou um governo. Todos foram simples peões do xadrez internacional da guerra fria, não faltando os idiotas úteis de um retórico anti-colonialismo que não passaram de meros agentes objectivo de neo-colonialismos ainda mais devoristas e sangrentos.