| || | Governos | || | Grupos | || | Eleições | || | Regimes | || | Anuário | || | Classe Política |
|
|
|
Estado de graça de Guterres, Sampaio na presidência e Marcelo no PSD
(
|
12ª eleição presidencial. 14 de Janeiro
de 1996. Eleição do Presidente da República. 8 693 636 eleitores. 5 762 978
votantes. Jorge Sampaio 53,91%. Cavaco Silva 46,09%. Jorge Sampaio toma
posse em 9 de Março de 1996. Neste contexto, o governo do Partido Socialista
anuncia o propósito de concretização de duas intenções programáticas
apresentadas ao eleitorado, a regionalização e a modificação do sistema
eleitoral. Quase um quarto de século após a instauração do mais consensual
de todos os regimes demo-liberais portugueses, o único em que as grandes
regras de organização do poder político são substancialmente cumpridas, com
uma estabilidade política bem assente numa economia relativamente sã e
competitiva, numas finanças minimamente equilibradas e num ambiente social
pacificado, eis que tenta adequar-se a macropolítica ao efectivo modelo
poliárquico.
Eleições
regionais. Mantém-se a maioria absoluta do PSD e Alberto João Jardim na
Madeira. Vitória do PS, liderado por Carlos César, nos Açores (13 de
Outubro).
Sai Nogueira,
entra Marcelo –
Fernando Nogueira
renuncia à presidência do PSD (16 de Janeiro). XVIII Congresso do partido em
Vila da Feira. Marcelo Rebelo de Sousa eleito presidente, pouco tempo depois
de a direita espanhola ganhar as eleições gerais. Propõe imediatamente um
referendo sobre a Europa e ameaça de boicote a revisão constitucional (29 de
Março). PSD integra-se formalmente no Partido Popular Europeu (7 de
Dezembro), graças às diligências de Francisco Lucas Pires.
Livro maldito
Posto à venda o livro de Rui Mateus,
Memórias de um PS Desconhecido, onde se revelam as histórias do
financiamento do partido soarista nos primeiros tempos (27 de Janeiro).
Apesar de livro ser avidamente consumido, quase não há recensões sobre o
mesmo.
Remodelação –
Murteira Nabo, ministro do Equipamento, demite-se, depois da respectiva
situação fiscal ter vindo a público (12 de Janeiro) João Cravinho, ministro
do Planeamento passa a acumular a pasta do Equipamento (15 de Janeiro).
Augusto Mateus toma posse como ministro da economia, substituindo Daniel
Bessa (27 de Março)
Totonegócio –
Governo apresenta uma proposta de lei com o objectivo de enquadrar as
dívidas dos clubes de futebol num regime que prevê a retenção das receitas
do totobola. O projecto é alcunhado como Totonegócio e encarado como
um perdão fiscal (27 de Maio). Chumbado na Assembleia da República (27 de
Junho). Torna-se patente a ligação das lideranças políticas aos grandes
dirigentes dos clubes desportivos. Pedro Santana Lopes, além de comentador
desportivo na televisão chega a presidente do Sporting Clube de Portugal,
antes de mais altos voos. Valentim Loureiro, dirigente do PSD e presidente
da Câmara Municipal de Gondomar, passa por presidente do Boavista Futebol
Clube e da Liga Profissional de Futebol. Pinto da Costa, presidente do
Futebol Clube do Porto, é activo apoiante do Partido Socialista, através do
presidente da Câmara Municipal do Porto, Fernando Gomes. As tribos do
futebol e da política, emaranhadas em cumplicidades e financiamentos, vão
continuar a marcar o ritmo da vida nacional.