Governo de António Dias de Oliveira (1837)

1837  Do triunvirato revolucionário à revolta dos marechais

Governo nº 12 de Dias Oliveira (71 dias, desde 2 de Junho). O terceiro governo setembrista, presidido por um antigo colaborador de Silva Carvalho, que tinha a habilidade de se fazer como pertencente a todos os partidos. Já não tem a participação dos membros do triunvirato revolucionário

Presidente acumula o reino e a justiça. Na fazenda, João de Oliveira, o barão do Tojal*. Na guerra e na marinha, o 1º visconde de Bóbeda, Joaquim de Sousa Quevedo Pizarro. Nos estrangeiros, Manuel de Castro Pereira de Mesquita Pimentel Cardoso e Sousa (1778-1863).

Tojal – Era um homem novo, rico, sem política, banqueiro, inglesado (comentário de Oliveira Martins sobre João Gualberto Oliveira, futuro conde do Tojal, ministro da fazenda em 1 de Julho).

Carta de lei cria a Junta de Crédito Público, para administrar e arrecadar os fundos destinados ao pagamento dos juros e amortização de toda a dívida consolidada da nação (15 de Julho).

  Governo anterior

Governo posterior  

3º governo setembrista

 

Governo de António Dias de Oliveira

De 1 de Junho de 1837 a 10 de Agosto de 1837

·Presidente acumula o reino e a justiça.

·Na fazenda, João de Oliveira, o barão do Tojal

·Na guerra e na marinha, o visconde de Bóbeda, Joaquim de Sousa Quevedo Pizarro

·Nos estrangeiros, Manuel de Castro Pereira de Mesquita Pimentel Cardoso e Sousa

·Segundo o juízo de Fronteira, Oliveira tinha tido a habilidade de se fazer como pertencente a todos os partidos, e, inclusivamente, entendia-se com os clubes revolucionários[1]. Mas, nas primeiras sessões a que assistiu como ministro, sendo interpelado por um membro da oposição, quis ter espírito e graça, sendo grosseiro e sensabor; cantou modinha da sua terra que lhe deitou tal ridículo que ficou sempre conhecido pelo Ministro da modinha. Bóbeda tinha sido capitão de mar e guerra e nunca tinha navegado e era marechal de campo sem nunca ter comandado uma baioneta[2].
·O novo governo, sem os três membros do anterior triunvirato setembrista, vai ter de enfrentar a revolta dos marechais, comandada por Saldanha e Terceira, desencadeada em 12 de Julho pelo barão de Leiria, a partir da vila da Barca. Os chefes militares, Terceira e Saldanha, passavam a condottieri. Pouco antes, Leiria chegar a ser sondado por D. Maria II para formar governo, para o que convidou Fronteira, Silva Sanches e Vieira de Castro.
·Por lei de 14 de Julho de 1837 são suspensas as garantias por 30 dias. Prorrogada a suspensão em 13 de Agosto e 13 de setembro. Em 7 de Outubro, face à convenção de Chaves, regressa-se à normalidade. Apenas continuam suspensas as garantias no Algarve.

 

[1] Fronteira, VI, p. 217.

[2] Idem, p. 218.

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 31-03-2009