1995

Do Windows de Bill Gates à desordem internacional

Cosmopolis

© José Adelino Maltez, História do Presente, 2006

Windows 95 – No ano da morte de Miguel Torga, quando é lançado o software do Windows 95 (24 de Agosto) e se realiza uma cimeira entre Clinton e Ieltsine em Moscovo (10 de Maio), entra em vigor a Convenção de Schengen, Jacques Chirac torna-se presidente francês, Javier Solana é nomeado secretário-geral da NATO (05-12-1995), e Áustria, Finlândia e Suécia aderem à União Europeia (01-01-1995), quando a nova comissão, presidida por Jacques Santer, é aprovada pelo Parlamento Europeu (19-01-1995). Bill Clinton funda o Democratic Leadership Council visando eliminar o esquerdismo liberal que domina os democratas desde 1972, procurando recentrar o partido na classe média. Defende assim os novos democratas, tal como Blair defende o new labour. Entretanto, chega a Lisboa um novo embaixador espanhol, Raul Morodo, professor na Universidade Complutense, amigo político de Mário Soares e antigo militante do Partido Socialista Popular de Tierno Galván, que participara no Congresso Republicano de Aveiro de 1969. Um seu filho acabará por casar-se com uma filha de Manuel Dias Loureiro e entrará em íntimas relações políticas com Adriano Moreira.

Fim do cavaquismo e do soarismo – No ano de 1995 também acaba o ciclo do cavaquismo e do soarismo. Ao governo vai ascender o PS, liderado por António Guterres que, nas eleições, vence com relativa facilidade o candidato do PSD, Fernando Nogueira, enquanto Pedro Santana Lopes, iniciando uma profícua travessia no deserto político-partidário aceita a missão de se tornar presidente do clube de futebol Sporting Clube de Portugal, apoiado pelo aristocrata empresário José Roquete. Na presidência, coloca-se Jorge Sampaio que consegue fazer o pleno do povo de esquerda, vencendo Cavaco Silva. Depois da onda laranja, o país passa, assim, a ser gerido pelo cor-de-rosa. Os irmãos-inimigos sucedem-se numa espécie de rotativismo. O subsistema político-partidário deixa de ter o peso institucional de outrora. No PSD, depois da liderança transitória de Fernando Nogueira, sobe ao poder Marcelo Rebelo de Sousa. No CDS, depois do breve abandono de Paulo Portas, que vai fazer um intervalo como professor da Universidade Moderna, Manuel Monteiro sucede a Manuel Monteiro. No PCP continua Carlos Carvalhas. Mário Soares, depois de abandonar a presidência transforma-se numa espécie de guru do regime, passando a comentador de programas sobre a história do século, antes de lançar uma fundação destinada fundamentalmente ao revisionismo histórico, para onde mobiliza o ex-maoísta Fernando Rosas. O país, definitivamente entrado no ciclo do consumismo, visita supermercados onde compra produtos espanhóis. Nos últimos anos do século, Portugal, conquistado o armistício constitucional e a estabilidade política, ao mesmo tempo que a sociedade de consumo se torna regra, assume-se como uma entidade sui generis. Pela memória, ajuda a constituir uma CPLP; pelo futuro, assume o europeísmo na sua plenitude. O seu ritmo histórico passa a ser pautado pelos modelos da globalização. Começa a também notar-se a quebra demográfica, devido à infecundidade pessoal e familiar e a ingovernabilidade do Welfare State torna-se patente. Entretanto, o jornal Tal & Qual, depois de uma investigação inédita, indica como membros da maçonaria, integrantes do GOL, Fernando Reino, José de Medeiros Ferreira, Aquilino Ribeiro Machado, Vasco franco, José Lamego e Carlos Monjardino, enquanto se tornam públicos outros activistas maçónicos, através da Grande Loja Regular de Portugal, como José João Zoio, Francisco Moita Flores,Sanches Osório, José Vacondeus, Nicolau Breyner e José Cordeiro Pereira.

Desordem internacional – Em tempo de desordem internacional (Bertrand Badie), quando muitos se preocupam teoricamente com o cerco da democracia pela corrupção (Donatella Della) e pela tirania da maioria (Lani Guinier), Francis Fukuyama procura a confiança (trust) como fundamento do político e regressa a ideia radical, como algo que está para além da esquerda e da direita (Anthony Giddens), em tempo de comunitarismo (Amitai Etzioni) e de neoconservatives (Mark Gerson e Irving Kristol), quando Kenichi Ohmae fala no fim do Estado e na emergência da economia regional. Acabada a guerra fria, quando todos falam em globalização, Eric J. Hobsbawm caracteriza o período posterior a 1914, como a age of extremes. Boaventura Sousa Santos edita Towards a New Common Sense, Francisco Lucas Pires reflecte sobre Portugal e oFuturo da União Europeia e Almerindo Lessa deixa-nos No Tempo do Meu Espaço, no Espaço do Meu Tempo.


 
1 e82 (1 Out.1995)  

 

1995
 

Entra em vigor a Convenção de Schengen.

Chirac presidente

Queda de Grozny

Derrota de Walesa

Assassinato de Rabin

Acordo de Dayton para a paz nos Balcãs

 

Windows 95

No ano da morte de Miguel Torga, quando é lançado o software do Windows 95 (24 de Agosto) e se realiza uma cimeira entre Clinton e Ieltsine em Moscovo (10 de Maio), entra em vigor a Convenção de Schengen, Jacques Chirac torna-se presidente francês, Javier Solana é nomeado secretário-geral da NATO (05-12-1995), e Áustria, Finlândia e Suécia aderem à União Europeia (01-01-1995), quando a nova comissão, presidida por Jacques Santer, é aprovada pelo Parlamento Europeu (19-01-1995). Bill Clinton funda o Democratic Leadership Council visando eliminar o esquerdismo liberal que domina os democratas desde 1972, procurando recentrar o partido na classe média. Defende assim os novos democratas, tal como Blair defende o new labour. Entretanto, chega a Lisboa um novo embaixador espanhol, Raul Morodo, professor na Universidade Complutense, amigo político de Mário Soares e antigo militante do Partido Socialista Popular de Tierno Galván, que participara no Congresso Republicano de Aveiro de 1969. Um seu filho acabará por casar-se com uma filha de Manuel Dias Loureiro e entrará em íntimas relações políticas com Adriano Moreira.

Desordem internacional

Em tempo de desordem internacional (Bertrand Badie), quando muitos se preocupam teoricamente com o cerco da democracia pela corrupção (Donatella Della) e pela tirania da maioria (Lani Guinier), Francis Fukuyama procura a confiança (trust) como fundamento do político e regressa a ideia radical, como algo que está para além da esquerda e da direita (Anthony Giddens), em tempo de comunitarismo (Amitai Etzioni) e de neoconservatives (Mark Gerson e Irving Kristol), quando Kenichi Ohmae fala no fim do Estado e na emergência da economia regional. Acabada a guerra fria, quando todos falam em globalização, Eric J. Hobsbawm caracteriza o período posterior a 1914, como a age of extremes. Boaventura Sousa Santos edita Towards a New Common Sense, Francisco Lucas Pires reflecte sobre Portugal e oFuturo da União Europeia e Almerindo Lessa deixa-nos No Tempo do Meu Espaço, no Espaço do Meu Tempo

Acórdão Bosman

O Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias estatui que as regras da federação de futebol que limitam o número de jogadores estrangeiros em equipas de futebol e as regras relativas às transferências de jogadores contrariam a legislação comunitária (15 de Dezembro).

Democratic Leadership Council

Clinton funda o Democratic Leadership Council visando eliminar o esquerdismo liberal que domina os democratas desde 1972, recentrando o partido na classe média. Defende assim os "novos democratas", tal como Blair defende o "new labour"

©  José Adelino Maltez, História do Presente (2006)

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 30-04-2009