Suíça concorda em indemnizar os judeus expropriados pelos nazis que
depositaram o respectivo ouro nos bancos helvéticos (17 de Setembro).
Morte de Madre Teresa de Calcutá (5 de Setembro)

É inaugurado o Centro Comercial Colombo em Lisboa, integrado no grupo Sonae, de Belmiro de Azevedo, considerado o maior estabelecimento do género da Península Ibérica (15 de Setembro). Massas enormes de portugueses, em regime de fim-de-semana, marcham de automóvel, autocarro ou
metropolitano, para viverem a emoção inaugural da nova catedral de consumo. A cerimónia conta com a presença da veneranda figura do chefe de Estado a que chegámos, do número dois do governo que escolhemos e do número dois da câmara da maior cidade do país. A recebê-los, a todos, o máximo
representante de um dos principais grupos económicos portugueses.
O grande iniciador da era dos hipermercados ditos continentes, decide agora desbravar avenidas lusíadas e mobilizar para o consumo símbolos das navegações e das descobertas, dando emprego a antigos ministros e à fina flor da
intelectualidade lusitana. No Colombo, esse progresso a que temos direito, a própria guerra colonial é vendida a fascículos. Já Álvaro Cunhal, o indiscutido passador de autênticos certificados de antifascismo, cansado de tanto partir os dentes à reacção, depois de ter perdido os respectivos
paraísos terrestres, ditos sol da terra, decide continuar na procura da utopia, escrevendo romances sobre o respectivo tempo de clandestinidade. Finalmente, numa qualquer quintarola algarvia, restos do jet set lusitano, misturando condessas, catedráticos, viúvas de patos bravos,
cabeleireiros, cabeleiras e decoradoras, fazem uma festa com muito golfe, o velho desporto, agora popularizado, pela divinal imagem de um comissário europeu, de origem portuguesa.
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síntese do ano