2004

Durão Barroso assume a presidência da União Europeia e Santana Lopes Primeiro-Ministro

Cosmopolis

© José Adelino Maltez, História do Presente, 2006

 

 

 

Novo alargamento da União Europeia a Chipre, Eslováquia, Estónia, Hungria, Letónia, Malta, Polónia e República Checa (1 de Maio).

Tempo de futebol Futebol Clube do Porto vence a Liga dos Campeões Europeus (26 de Maio). Portugal organiza o campeonato europeu de selecções nacionais de futebol (Euro 2004) e consegue chegar à final, onde acaba derrotado pelos gregos.

Eleições para o Parlamento Europeu (13 de Junho). O Portugal urneiro mostrou aquilo que queria. Escolheu soberanamente, sufragando o actual projecto de Constituição europeia e dando uma maioria esmagadoramente absoluta ao Partido Socialista Europeu e ao Partido Popular Europeu. Ficámos, definitivamente, os mais europeístas da Europa e até os mais esquerdistas do mesmo universo político. A profunda onda de felicidade que marcou o coração lusitano foi, aliás, acompanhada por uma das mais patrióticas manifestações que nos mobilizou desde 1890, como o demonstram os inúmeros símbolos da nacionalidade que ornam as janelas e varandas deste jardim à beira mar plantado. Com efeito, num universo de 8 746 600 eleitores, apesar de só 3 394 356 irem às urnas (38, 80%), eis que 1 511102 deram um voto amarelo ao situacionismo, conforme os pedidos do PS, 308 858 preferiram o voto vermelho, do PCP, e 167 032 mandarem o Bloco de Esquerda para Estrasburgo. Se a coligação no poder ainda conseguiu mobilizar 1 129 065 votantes, eis que 87 194 eleitores foram expressamente às urnas para votarem em branco, seguindo o conselho de José Saramago. Dos outros quase não reza a história. A primeira observação global diz-nos que a esquerda empanturrou, porque teve das maiores vitórias eleitorais desde 1974. Até porque não existe uma qualquer direita instalada no poder, mas uma espécie de "esquerda menos", gerida por muitos ex-militantes de extrema-esquerda. Isto é, talvez passássemos a ser o país mais à esquerda da Europa, porque o domínio tanto é esmagador nos resultados eleitorais como, sobretudo, a nível dos aparelhos ideológicos. Isto é, dos aparelhos culturais, universitários e comunicacionais, onde dominam os cinquentões e sessentões do Maio de 1968, desde os que continuam a cantar "A Internacional" aos que são os propagandistas e intelectuais do sistema situacionista. Isto é, a vitória dos vitoriosos do passado domingo antes de o ser já o era. É evidente que os que recolhem os "jobs for the boys" deste governo e deste parlamento nacional ainda têm um longo período de gestão dos despojos e pouco se importam com o futuro, de acordo com a lógica do "enquanto o pau vai e vem, folgam as costas". Os que não precisam de lugares políticos de nomeação para continuarem a viver e a sobreviver ficam apenas preocupados com um país duradouramente "madailizado". Depois desta breve interrupção, o programa vai continuar. O apito dourado deve elevar-se a sinfonia depois de acabar o Euro 2004. A pedofilia passará a ser analisada pelos tribunais. A corrupção continuará a ser apenas objecto estatístico.

Toma posse o XVI Governo Constitucional, sob a chefia de Pedro Santana Lopes (17 de Julho). O anterior chefe do governo, José Manuel Durão Barroso aceitou o convite para assumir a presidência da Comissão Europeia. O governo continua a ser sustentado pela coligação PSD/PP. E depois de gémitos imensos, a montanha parlamentar deu luz o ratinho do novo programa governamental. Esse conjunto de frases metidas a martelo num texto "copy and paste", que bem podia ser adquirido num desses supermercados das pós-graduações para gente fina. Esse solene nada tanto poderia ser assumido por José Sócrates como ser incluído na próxima colectânea de discursos de Jorge Sampaio e os rapazinhos e as rapariguinhas que, nesta conspiração de avós e netos, por aí circulam com o nome de ministros e ministras, secretárias e secretários de Estado, esse máximo denominador comum da presente união dos interesses sociais, políticos e económicos, são, precisamente, aquilo que o marcelismo gostava de ter sido. Essa direita das chamadas forças vivas, bem representativas do estado de cobardia generalizada a que chegámos. A culpa não está evidentemente em Pedro Santana Lopes ou Paulo Portas. Porque, se eles não existissem, outros teriam que ser inventados, nesta genealogia de fidalgotes que, querendo cumprir a etimologia, são, precisamente, os descendentes de alguns dos principais gestores de influências da presente encruzilhada decadentista da pátria. Estes governantes apenas cantarolam ideias e ideologias. Um dia são liberais, adeptos de agressivo individualismo. Outro, sociais-democratas ou democratas-cristãos, cheios de preocupações sociais, fazendo discursos sobre os velhinhos, os pobrezinhos, os reformadinhos, os aposentadões, os jubilidassímos e outros que tais. Um dia estão à direita, de faca na liga, à maneira de Alberto João. Outro, viram à esquerda, no choradinho "jet set", como os ex-líderes de RGA feitos figurões de Estado. Produzidos pela nossa tradução em calão dos Berlusconi, sabem que o povão está embriagado de fado, futebol e fátima e que, em caso de crise, basta mobilizar um novo João Braga, um novo Eusébio ou um novo Rasputine para que, no baralhar e dar de novo, tudo continue como dantes.

Corvetas, sinecuras e traduções em calão

Porque sei que, no campeonato da vida política, vão ganhando os molusculares jogadores que são donos de uma táctica sem estratégia e de um discurso sem ideias, mas que conseguem assumir o oportunismo da barganha, num Portugal que vai continuando a ser "este país", asfixiado por uma estreita mentalidade de quintal e pela clausura fria de uma classe de pretensos "intelectuários", onde muitos apenas querem a "sinecura" ou a "prebenda" da "empregomania" do "comer à mesa do orçamento".

O ministro das corvetas, comandando o quadrado resistente das forças armadas lusitanas, impediu que um sucedâneo traineira holandesa atracasse na barra do Mondego. Irrita-me particularmente a pretensa mistura de moral e soberania que tratou de inventar como inimigas as ditas "women on waves", até porque não subscrevo o dogma congreganista e anti-liberal que leva polícias e tribunais a reprimirem o que devia ser uma opção livre e pessoal, de sagrada defesa do direito à vida.

Acresce que, em Portugal, nem o processo revolucionário em curso, nem os dramas de alinhamento da guerra fria foram capazes de levar à destruição certas instituições que, assumindo-se como supra-partidárias, também nunca foram instrumentalizadas pelo "amigo" norte-americano, pelo "amigo" britânico ou pelo "amigo" francês. Socialistas, conselheiros da revolução, conservadores, liberais, democratas-cristãos e sociais-democratas, durante anos e anos, souberam cultivar o consenso da defesa nacional, com princípios nacionais e procura de doutrinas nacionais, dado que os ministros passavam e as instituições ficavam. Aliás, ninguém se incomodou que a democracia pós-revolucionária tivesse a dirigir o Instituto de Defesa Nacional o mais íntimo colaborador militar de Marcello Caetano.

Temo que estes princípios ascendam agora à categoria de música celestial e melodia do passado, em nome de novas doutrinas exógenas que, "rapidamente e em força", nos vão culturalmente colonizando. Temo que passem a vigorar alguns manuais de programação de certos poderes supra-nacionais, tecnocratizando e amansando hierarquicamente o que deveria ser marcado pelas virtudes da coragem e da honra.

Basta notar como continuam a ser promovidos alguns intelectuais orgânicos, recém-filiados no ministerialismo, incluindo um que, no respectivo "curriculum" publicitado, diz que tem "a melhor dissertação de mestrado" e "a melhor dissertação de doutoramento", sem qualquer rebuço. Se é habitual a falta de maturidade de jovens professores auxiliares, ainda marcados pela ilusão das pequenas vaidades universitárias, temo que, assentes em altos cargos públicos, possam cair na tentação do dogmatismo privado e do "spoil system".

Por isso, ouso disparar minha revolta contra os que continuam a traduzir o "bushismo" neo-conservador, em calão "anglo-saxónico". E ao escrever estas palavras, assumo naturalmente as consequências da atitude, esperando o meu adequado saneamento de uma instituição onde que tenho colaborado graciosamente desde 1986. O ministro Rui Gomes da Silva, meu companheiro institucional em tal formação, que anote os desenvolvimentos do que aqui desencadeio. Sei dizer sim, através do não.

Lopes e a luta de classes

Numa espécie de reedição das famosas conversas em família de outras eras, o nosso mediático Primeiro-Ministro decidiu seguir o conselho dos seus assessores de imagem e apareceu num telejornal de fim-de-semana, vestindo a farpela de comentador político. O fim da charla foi reinterpretar autenticamente as muitas palavras que foi emitindo ao longo dos primeiros tempos da sua governação, dando alguns ditos por não-ditos e dizendo que disse o que desdisse, numa trapalhada demagógica e comicieira.

Pedro Santana Lopes, deixando-se encantar pelo estilo do jacobinismo verbal em que foi pródigo o Mário Soares dos velhos tempos, também meteu a cabeça no sítio dos pés, e vice-versa, ao anunciar que a mão longa do Estado, incapaz de combater a evasão fiscal, iria ao bolso da chamada classe média.

O Primeiro-Ministro, extremamente preocupado com a circunstância de acusarem o respectivo governo de ser um mero feitor de ricos, tratou de assumir o voluntarismo do Zé do Telhado, proclamando que iremos pagar a saúde pública de forma proporcional aos rendimentos fiscais declarados, inventando assim uma impossibilidade constitucional e, talvez, uma loucura burocrática, que não fará justiça e gerará revolta no justo que continuará a ser identificado como pecador, face à risada dos infractores que até poderão requerer um certificado de pobrezinhos.

Depois de algumas reflexões, tive de concluir que Santana Lopes é tão histórico do PPD que ainda se mantém fiel àquele pequeno parágrafo do programa inicial do partido que fazia uma invocação marxista. Daí que pretenda elevar ao máximo a ideia de luta de classes, utilizando cartões eventualmente coloridos que, começando a ser usados nos serviços de saúde, se estenderão, depois, às estradas e passeios, às escolas públicas, aos transportes e ao próprio acesso à recepção das ondas hertzianas.

Felizmente, fiquei a saber, pela própria voz de Santana Lopes, que, afinal, não haveria novos cartões de saúde, bastando, para a nossa identificação de classe, o cartão de contribuinte, com o qual seremos facilmente classificados como ricos, pobres ou remediados. Imediatamente fui à carteira, consultar o meu e, mirando-o e remirando-o, não encontrei nenhum sinal desse tipo, pelo que desconfio que ele possa estar oculto nos inúmeros dígitos que me qualificam ou que, clandestinamente, nele tenha sido introduzido um "chip" com ligação oculta a um centro de actualização de dados, dada a variação de poder de compra que, para baixo, tenho tido ao longo dos governos PP/PSD.

Tive de concluir que, afinal, vão ser emitidos novos cartões fiscais, com adequada diferenciação de classe, e sabendo como os serviços de finanças costumam demorar meses e meses para a renovação dos ditos cartões, temo que, na necessária renovação dos comandos informáticos do ministério finanças, alguém recorra aos agentes que tão magnificamente procederam ao presente sistema de colocação de professores.

Fiquei também sem saber como se vai identificar individualmente o rendimento de cada um, atendendo que parece haver famílias, isto é, pais, filhos, ascendentes, colaterais e dependentes, onde todos são iguais a gastar em saúde, mas onde só alguns são mais iguais quanto ao fornecimento de rendimento, num país onde apenas cerca de um terço dos residentes pertencem ao nível dos activos.

Julgo que nenhum regime fez justiça e eliminou a pobreza atacando aqueles que podem ser identificados como não pobres através do olhar do comunismo burocrático. Por isso, sou obrigado a reduzir as intenções lopistas a mais um flope. Porque assim continuaremos a ser o país da Europa Ocidental onde há mais pobres, onde os professores são os mais mal pagos, mas onde, pelo contrário, os gestores são os mais prebendados da Europa, principalmente os administradores da Caixa Geral de Depósitos e, muito especialmente, um deles, agora pobre aposentado, que, quando era ministro, proclamava, a sete ventos, que, infelizmente, em Portugal, apenas havia "postos de vencimento", quando eram necessários "postos de trabalho".

Da rumsfeldização à auto-dissolução

A bushodependência, se levou Barroso à presidência da comissão da UE, ainda não nos deu as prometidas contrapartidas financeiras e tecnológicas que poderiam lobrigar-se na Carlyle ou na renovação das oficinas de material aeronáutico de Alverca. Por enquanto, apenas se nota a elevação ao mais alto cargo do delgado paginador do regime, a fernandesização mental e muitas cenas de ciúmes do patriarca Mário, dado que os "favorites" parecem agora ser outros, apesar de Rumsfeld ser o mesmo.

Mas desenganem-se os que pensam que haverá nova era com o eventual acesso à casa branca de Kery com molho de Heinz. A alteração radical das circunstâncias que propiciem a boa-educação da necessária vontade de independência nacional só acontecerá quando as chamadas elites não nos transformarem em ilotas.

Se estas ditas elites continuarem a repetir o capitulacionismo que marcou a classe política monárquica diante do Ultimatum, não haverá novo grito de "A Portuguesa". Logo, a política de educação continuará a enredar-se nas desavenças de novos Justinos, de novos Abílios e de novas Comptas. E a nossa sociedade dita hiper-informada só topará o desastre depois do factos consumados. Quem pensa baixinho não vê um boi à frente dos olhos.

Se continuar esta ditadura da incompetência, poderá acontecer que a nossa criatividade constitucional resolva o problema do presidente Sampaio, dado que tudo aponta para a emergência de uma auto-dissolução do sistema.

Preços do petróleo ultrapassam a barreira dos 50 dólares por barril (28 de Setembro).

Antes de Marcelo deixar de homiliar

Aqueles que têm crenças já não as podem exercitar no espaço público da pátria. Ficamo-nos pela pequena solidão dos lares, pelas pequenas catacumbas das redes de amigos. E quase de nada valem os signos institucionais de outras procuras. A Universidade depende de um elogio televisivo de Luís Delgado ou por um relatório em inglês de Veiga Simão. As forças armadas tendem a ser encimadas pelo charuto Davidoff de Helena Sacadura Cabral. A justiça, um longo sorriso dilatória. E a república, a ambiguidade discursiva de Sampaio, essas palavras emitidas que apenas servem para interpretações contraditórias. Discursos onde não há linhas, mas apenas entrelinhas. Onde não há ideias, mas insinuações.

A política pós-socrática Chegou Sócrates e o tempo mudou, mas a esperança ainda não voltou. Ferro foi-se, Carvalhas anunciou o abandono, Barroso mudou-se e, pasme-se, Portas assumiu o decanato da liderança partidária e até da governação. Eis a nova era, a vida nova, a direita mexida, a esquerda moderna, tudo pós-moderno, com teleponto, elixir da juventude eterna, quotas, cotas, tias, lambada e "barbies".

Eis o "pedregulho" que caiu em cheio neste charco... (Emídio Guerreiro dixit). Porque cita modernizadamente Kennedy, o John de quase há meio século, o tal que se foi em Dallas, depois ter ido com a Mafia e as Monroes, e de nos ter mandado p´rós Vietnames e a dos Porcos. Só que, entre Sócrates e Lopes, dois géneros zoológicos para o mesmo Louçã, há o idêntico perfume "hollywoodesco", entre o cineclubismo de esquerda e o gosto pela cóboiada da brilhantina, como o exige a salsicharia teledemocrática.

Logo, acabamos por ter que chafurdar nestas águas chocas das direitas que convêm à esquerda situacionista e das esquerdas que são subsidiadas pela direita dos interesses, onde continua a punição por delito de crença. Como aconteceu ao indigitado Rocco Buttiglione para comissário europeu, esse destacado professor e filósofo político, um dos mais marcantes nomes do jusnaturalismo neo-tomista, centrista de sempre, bem próximo do pensamento de João Paulo II, o que revela um dos mais graves vícios da nova Europa, o da censura implícita do novo politicamente correcto que prefere frades vindos do MES e do governo de Vasco Gonçalves.

Confesso que, apesar de não ser um praticante do catolaicismo e não nutrir qualquer simpatia pelo modelo berlusconiano, tenho de reconhecer que, com este neo-dogmatismo dito anti-dogmático, um tal Karol Wojtyla nunca poderia ter sido eleito e transformar-se na personalidade mais marcante da segunda metade do século XX.

Quem quiser ser alguém neste mercado intelectualês e politiqueiro não convém que se mostre um fervoroso católico, republicano, comunista, monárquico ou maçon, pois logo passa a ser integrista, histórico e fundamentalista, só porque tem espinha. Do mesmo modo, se manifestar as suas convicções heterossexuais, corre o risco de ser perseguido pelos trejeitos inquisitoriais dos inúmeros "lobbies" de "gays" que estão no poder mediático, político, diplomático e editorial, para gáudio das alqueidas e alqueidões.

Aqueles que têm crenças já não as podem exercitar na esfera pública. Ficam-se pela solidão dos lares, pelas pequenas catacumbas das redes de amigos e até pelos blogues que não são abruptos. Porque de quase de nada valem os signos institucionais de outras procuras, dado que a república caiu na ambiguidade discursiva de Sampaio, nesse texto sem palavra que apenas serve para interpretações da racionalidade importada, nesse discurso onde há apenas entrelinhas tortas e insinuações curvas, onde nem Deus escreveria direito nem o Diabo marraria. E, quanto menos a ideia e a emoção de nação nos mobilizarem, mais seremos estadualizados de forma alienígena. E com a política reduzida à heteronomia, a cidadania pode reduzir-se à fragmentação contestatária e ao protesto faccioso, como recentemente aconteceu em Coimbra, com o regresso da Falange Demagógica de 1910 à Sala dos Capelos.

Sem uma comunidade afectiva que nos dê justiça e bem comum, apenas reclamaremos direitos e nunca daremos ao todo a necessária justiça e o indispensável amor. Contestar, protestar, exigir podem ser fracturantes se não assumirem a dimensão militante da resistência. E caso não haja alma que nos identifique, não passaremos de mera sociedade anónima gestionária. Só com uma necessária tensão espiritual, poderemos vencer as teias da demagogia, da incompetência e do negocismo.

O que mais me incomoda nas recentes movimentações das marceladas e pedralhadas é que tenho de chegar à conclusão que o velho Estado moderno se deixou enredar nas teias dos especialistas na conquista e manutenção no poder no âmbito do clubismo, do facciosismo e do campanário. Competentíssimos nesses domínios da fulanização, da galopinagem e do caciqueirismo, grande parte dos figurões que nos regem não percebem que atingiram, há muito, as raias do princípio de Peter, a partir das quais estão condenados a pisar os terrenos da incompetência.

Nesta manhã de sexta-feira fui acordado quase de madrugada para comentar na Antena 1 o caso Marcelo. E falei, falei, talvez uns dez a quinze minutos. Já não sei bem o que disse e nem sequer gravei a charla. A jornalista que me contactou e me transformou em especialista em liberdade de expressão, conheceu-me através da "Google". Apareci em directo no jornal das oito e já com cortes no jornal das nove. Disse que a nossa liberdade é condicionada pelo poder económico e o poder político. Recordei que os dois mandões privados da nossa comunicação eram o Visconde da Anadia e o Visconde de Balsemão, os mesmos cujos ascendentes que já mandavam políticamente nos tempos do Principe Regente, nos primeiros anos do século XIX. São eles que escolhem a direita e a esquerda que temos e os resultados chamam-se Paulo Portas, Pedro Santana Lopes e José Sócrates. Disse que Marcelo também tinha sido escolhido por eles e que chegara a governanta do sistema. Mais acresecntei que o mesmo devia agora estar com uma barrigada de gozo perante o maior facto político que até hoje criou. Se calhar falei em demasia, mas defendi a liberdade de expressão contra esta tentativa de lei das rolhas, à boa maneira cabralista....

Eleições regionais. Vitória de Alberto João Jardim e do PSD na Madeira e de Carlos César e do PS nos Açores, ambos com maioria absoluta (17 de Outubro).

Assinado em Roma o tratado constitucional europeu (29 de Outubro).

George Bush vence as eleições presidenciais norte-americanas (2 de Novembro).

Começa o julgamento do processo da Casa Pia (25 de Novembro).

Jorge Sampaio anuncia a dissolução da Assembleia da República e marca as eleições legislativas para 20 de Fevereiro (20 de Novembro)

Equipa do Futebol Clube do Porto vence a taça intercontinental em Tóquio (12 de Dezembro9.

 

 

Herculano, Alexandre (1873/1983, I): 151

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 23-04-2009