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Políticos Portugueses da I República (1910-1926)
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Albuquerque, Brás  Mouzinho de. Ministro do interior no governo da União Sagrada, presidido por António José de Almeida, de 29 de Maio de 1916 a 25 de Abril de 1917, na qualidade de independente.

 

António José de Almeida

Almeida, António José de(1866-1929)
Médico, deputado republicano no período agonizante da Monarquia Constitucional.
Fundador do
Partido Evolucionista.
Ministro do interior do governo provisório, de 5 de Outubro de 1910 a 4 de Setembro de 1911.
Presidente do Ministério da
União Sagrada, de 15 de Março de 1916 a 25 de Abril de 1917, onde acumulava a pasta das colónias.
Presidente da República, eleito em 6 de Agosto de 1919. Exerce as funções de 5 de Outubro de 1919 a 5 de Outubro de 1923.

Segundo Raúl Brandão, é um orador, até os seus artigos são discursos... mas justiça, liberdade e povo que para outros não passam de palavras, são para ele realidades profundas. Médico, deputado republicano antes de 1910. Quando estudante, com 24 anos, publica um célebre artigo, Bragança, o Último, pelo qual é condenado a três meses de prisão. Exerce a clínica em S. Tomé, donde regressa em 1903. Em 24 de Janeiro desse mesmo ano, faz um vibrante discurso no funeral de Rafael Bordalo Pinheiro. Detido em 31 de Janeiro de 1908. Director da revista Alma Nacional. Fundador do partido evolucionista.

O mítico tribuno dos tempos da propaganda heróica, o palavroso ideólogo da revista Alma Nacional, impulsivo no discurso, volúvel de feitio, todo ele uma sucessão rápida de amores e ódios, misturando táctica com estratégia, tanto não tinha ideias gerais assentes em linhas filosóficas mínimas. Romântico, homem de crenças, reduzia as ideias ao prazer do discurso.

Ministro do interior do governo provisório de 5 de Outubro de 1910 a 4 de Setembro de 1911. É então o ministro da província.

Começa por ser apoiado por Machado Santos, mas em breve constitui uma terceira força, aproveitando os confrontos entre o grupo de Camacho/ Relvas e o de Costa/ Bernardino. 

Presidente do ministério da união sagrada, de 15 de Março de 1916 a 25 de Abril de 1917, onde acumula a pasta das colónias.

Presidente da república eleito em 6 de Agosto de 1919. Exerce as funções de 5 de Outubro de 1919 a 5 de Outubro de 1923. É o único que consegue cumprir o seu mandato. Morreu em 30 de Outubro de 1929.

A partir de Janeiro de 1911 desenha um movimento de ruptura com a facção dominante no governo provisório. Nesse mesmo mês apresenta no conselho de ministros, projecto sobre o horário de trabalho, que não é aprovado. É então que começa a publicar-se o jornal República, de que é fundador (15 de Janeiro).

Dá apoio frouxo ao segundo governo, presidido por João Chagas, em Setembro de 1911, quando se esboça uma manobra entre camachistas e afonsistas para o afastar. No mês seguinte é vaiado e sovado no Rossio por afonsistas.

Tinha-se declarado independente do Partido Republicano em nota publicada em A República. Em Novembro António José de Almeida e Afonso Costa vão de comboio ao Porto em propaganda. Na chegada ao Porto, Almeida é insultado e Costa aplaudido. Repete-se a cena no regresso a Lisboa, no dia 6 de Novembro. Manifestantes gritam vários morras e Almeida, em charrette, tem de sacar da pistola para se defender. Costa vai de automóvel e é ovacionado.

·Quarenta Anos de Vida Literária e Política 4 vols., Lisboa, 1933-1934.

 

 

Almeida, Artur Duarte Luz de (1867-1939) Fundador da Carbonária Portuguesa em 1897, de que foi Grão-Mestre. Um dos conspiradores do 5 de Outubro, tem de fugir em 1909, regressando a Portugal apenas depois da implantação da República.

 

Celestino de Almeida

Almeida, Celestino Germano Pais de (1861-1922)
Deputado à
Constituinte (1911).
Ministro das Colónias, no governo de João Chagas (3 de Setembro a 12 de Novembro de 1911).
Ministro da Marinha do Governo de Augusto de Vasconcelos (12 de Novembro de 1911 a 16 de Junho de 1912).
Subsecretário de Estado das Colónias no governo de António José de Almeida (18 de Maio de 1916 a 25 de Abril de 1917).
Novamente Ministro da Marinha (21 de Janeiro a 8 de Março de 1920) e das Colónias (24 de Maio a 30 de Agosto de 1921), nos governos de Domingos Pereira e Barros Queirós, respectivamente.

 

Almeida, Filémon da Silveira Duarte de
Ministro das Colónias no governo de António Maria da Silva (1 de Julho a 1 de Agosto de 1925).

 

Almeida, Fortunato de (1869-1933)

Formado em direito. Historiador. Professor de liceu

·A Questão SocialCoimbra, 1893.

·Subsídios para a História Económica de PortugalPorto, 1920.

·História da Igreja em PortugalEm seis volumes, 1910-1922.

·História de PortugalEm seis volumes, 1922-1929.

 

 

Almeida, Manuel Lacerda de (1890-1930) matemático e astrónomo. Outubrista, do partido radical. Chefe da revolução de Almada de Fevereiro de 1926. Ministro da instrução pública de 22 de Outubro a 5 de Novembro de 1920.

 

 

Alpoim, Amâncio de (1889-1948). Deputado centrista em 1918, filiou-se depois no Partido Socialista (1922). Sobrinho de José Maria Alpoim. Advogado, primeiro, no Porto e, depois de 1933, em Lourenço Marques. Foi administrador da Caixa Gera de Depósitos.

 

 

Álvares, José Maria (1875-1940) Engenheiro formado em Inglaterra. Ministro da agricultura de 20 a 30 de Novembro de 1920, no governo de Álvaro de Castro. Democrático e reconstituinte, fundador da União dos Interesses Económicos. Presidente da AIP em 1924, sucedendo a Alfredo da Silva. Lança a revista Indústria Portuguesa em 1928. Animador do I Congresso da Indústria Portuguesa de 1933.

 

 

Alves, César Justino de Lima (1866-1942).

Maçon desde 1908. Agrónomo, professor do Instituto Superior de Agricultura. Democrático e reconstituinte. Ministro da agricultura no governo de Sá Cardoso, de 30 de Junho de 1919 a 3 de Janeiro de 1920

 

 

Amaral, Joaquim Mendes do (1889-1961) ~

Oficial do exército e professor da Escola de Guerra. Secretário de Estado do comércio de 15 de Maio a 8 de Outubro de 1918 (interino das finanças de 1 de Junho a 8 de Outubro) e ministro da agricultura de 7 de Julho a 10 de Novembro de 1928. Presidente da Câmara Municipal de Alcácer do Sal.

 

 

Amorim, Diogo Pacheco de (1888-1976) Professor de matemática nas universidades de Coimbra e do Porto. Deputado católico em 1919. Volta a ser deputado salazarista em 1934 e 1938.

 

 

Andrade, Alfredo Augusto Freire de (1859-1929). Oficial de engenharia. Professor da Escola do Exército e da Escola Politécnica. Chefe de gabinte de António Enes em 1894-1895. Governador de Moçambique de 1906 a 1910. Franquista, adere à República. Director-geral das Colónias de 1911 a 1913. Presidente do Conselho Superior de Instrução. Ministro dos negócios estrangeiros de 23 de Maio a 12 de Dezembro de 1914, no governo de Bernardim Machado. Ver Eduardo de Noronha, Freire de Andrade, Cadernos Coloniais, Lisboa, Cosmos, 1935.

 

 

Arcos, Henrique Monteiro Correia da Silva Paço d’
Ministro das Colónias no governo de Vitorino Guimarães (16 de Fevereiro a 1 de Julho de 1925).
Pai do escritor Joaquim de Paço d’Arcos.

Autor de:

  • «Memórias de Guerra no Mar», Coimbra, Imprensa da Universidade, 1931.

 

Arez, António Augusto de Almeida  (1868-1942). Juiz e oficial do exército, de origens goesas. Auditor geral do CEP. Membro do partido radical, passa para os reconstituintes. Chega a ser membro da Aliança Republicano-Socialista. Ministro da justiça de 22 de Outubro a 5 de Novembro de 1921, no governo de Manuel Maria Coelho. Dirigente do partido radical.

 

Manuel de Arriaga

Arriaga Brum da Silveira e Peyerlongue, Manuel José de (1841-1917) Deputado repubicano antes de 1910. Eleito em Novembro de 1882, sob um governo regenerador, e reeleito em 30 de Março de 1890. Organizador do programa do partido republicano de 10 de Junho de 1882. Reitor da Universidade de Coimbra depois da instauração da República. No discurso de posse, anuncia a extinção da Faculdade de Teologia e a abolição dos juramentos religiosos, anunciando um ensino sem Deus e sem Rei. Invoca todo um programático positivista, gerando uma constestação ideológica, onde se destaca Paulo Merêa, em O idealismo e o direito. Presidente da República de 5 de Maio de 1911 a 27 de Maio de 1915.·Na Primeira Presidência da República Portuguesa. Um Rápido RelatórioLisboa, 1916. Autor de Harmonias Sociais. O Problema Humano e a Futura Organização Social. No Debute da sua Fase Definitiva. A Paz dos Povos, Coimbra, 1907. Ver também Na Primeira Presidência da República Portuguesa. Um Rápido Relatório, Lisboa, 1916.

 

 

Arriaga, José de (1848-1921)
Historiador.
Irmão de Manuel de Arriaga.
Autor de:

  • «História da Revolução Portuguesa de 1820», 4 vols., Porto, 1886-1889.

 

Azevedo, Américo Olavo Correia de (1881-1927) Maçon desde 1901. Membro do grupo dos Jovens Turcos, sucessivamente democrático e reconstituinte. Deputado de 1911 a 1925. Ministro da guerra de 8 de Maio a 6 de Julho de 1924. Morre na revolta de 8 de Fevereiro de 1927.

 

 

Azevedo, Aníbal Lúcio de (1876-1952). Engenheiro de minas, chega a director da casa da Moeda. Maçon desde 1911. Membro do partido democrático. Ministro do comércio do governo de António Maria Baptista/ Ramos Preto, de 8 de Março a 26 de Junho de 1920.

 

 

Azevedo, José João Pinto da Cruz (1888-1964). Oficial do exército. Ministro dos abastecimentos com Sidónio Pais.

 

© José Adelino Maltez. Todos os direitos reservados. Cópias autorizadas, desde que indicada a proveniência: Página profissional de José Adelino Maltez ( http://maltez.info). Última revisão em: 20-12-2003