/span>
 || Governos || Grupos || Eleições || Regimes || Anuário || Biografias || Revoltas

  Anuário 1846

 

Maria da Fonte, Emboscada e Patuleia

Romantismo e mau ano agrícola

Arquivo antigo do anuário CEPP

Maria da Fonte (a partir de 19 de Março)

Governo nº 19 (20 de Maio) Palmela (140 dias).

Em Agosto de 1846, o Grande Oriente Lusitano deixa de ser comandado por António Bernardo da Costa Cabral, assumindo as funções de grão-mestre de facto o Visconde da Oliveira.

Emboscada. A chamada emboscada, um golpe palaciano que reforça as posições cabralistas.

 

Governo nº 20 (6 de Outubro) Saldanha (987 dias)

Sublevação do Porto (10 de Outubro)

 

Contrato dos tabacos – Arrematado por doze anos o contrato de tabaco, sabão e pólvora a José Eugénio de Almeida (n. 1812).

O diplomata contra a guerra – Conforme observa Joaquim de Carvalho, a rainha optava pelo estilo daquele que era mais diplomata do que governante e que tentou um parêntesis entre duas reacções, através de uma política de equilíbrio e de discreta transigência. Acontece que se manifestavam então quatro correntes, diversas, senão hostis…: a conservadora, procurando manter com homens diferentes a estrutura anterior; a da irritação contra o passado próximo, desejando destruí-lo; a da instauração de um regime novo; e, finalmente, a da política sedativa e de errata, para continuarmos a citar o mesmo historiador. O novo governo pouco mais faz do que emitir uma proclamação com a promessa de encerramento das Cortes cabralistas e de revogação das leis sobre a saúde que proibia o enterramento dentro das igrejas (26 de Novembro de 1845) e a reforma tributária (1 de Julho de 1843): a representação nacional será convocada assim que a tranquilidade do país o permita; pois só então pode esta representação ser verdadeira, e tratar competentemente dos negócios públicos. Entretanto, os cabralistas zangam-se com Terceira e os setembristas não ficam satisfeitos e fazem logo ameaças. Palmela na noite do dia 21 de Maio chega mesmo a reunir-se com a oposição parlamentar, na qual se destaca o conde de Antasö, e logo cede a algumas reivindicações desta, nomeadamente a demissão do comandante da guarda municipal de Lisboa, o cabralista D. Carlos de Mascarenhas, o marquês de Fronteira, promovendo também a imediata revogação da lei sanitária e da lei da reforma tributária. No dia 23 já é chamado para o governo, para a pasta da marinha e ultramar Luís Mouzinho de Albuquerque.

 

Novo decreto eleitoral marca eleições para 11 de Outubro (27 de Julho), mas o diploma acaba por não se aplicar.

Um ministério nascido da tormenta – Conforme observa Mouzinho da Silveira, os cabrais fugiram para nãos serem assassinados pela vingança geral; mas foram aparecendo nos grupos do povo homens moderados e proprietários sem cor exclusiva em política, porque eram cartistas, setembristas e miguelistas e mesmo o maior número e mais salientes eram cartistas, e moderavam a revolução, reduzindo-a à pura resistência aos cabrais, mas sem invocar novo sistema político e sem desacatar a Rainha em alguma palavra... O ministério nasceu da tormenta e não podia desde logo nascer forte para comprimir as ambições contrárias ao amor do justo; mas quando aceitou o cargo fez um grande serviço à humanidade e ao Trono; ele pôde em pouco tempo remeter para os seus lares o povo sublevado justamente, nem devia, nem podia, conservá-lo armado, nem dirigido por mais de um centro