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Costa Cabral volta a controlar o governo
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Remodelação – Em 29 de Janeiro: António
Roberto de Oliveira Lopes Branco (1808-1889) na fazenda; José Joaquim
Januário Lapa na guerra; José Marcelino de Sá Vargas (1802-1876) na justiça, até
18 de Junho de 1849.
Lopes Branco – Homem sem princípios
fixos, isto é, homem de ganhar, pois tem pertencido a todos os partidos
(Lavradio, referindo-se ao novo ministro da fazenda, Lopes Branco, que era
deputado da oposição ao cabralismo, mas que, depois de ofender-se com o governo
de Palmela, passou a seguir Saldanha depois de 6 de Outubro de 1846. Agora
aparece ligado a Costa Cabral, substituindo Joaquim José Falcão, depois deste
não conseguir arrematar dois terços do rendimento da Alfândega das Sete Casas e
do Imposto do Pescado ao grupo do conde de Farrobo e de Vicente Gonçalves Rio
Tinto, numa operação que recebeu acusações de fraude e concussão.
Vive-se uma crescente aproximação de Costa Cabral
e de Saldanha e o jornal Revolução de Setembro de 10 de Fevereiro chega a
dizer: o conde Tomar esconde-se por trás do duque de Saldanha, mas por mais
que se encolha todos o vêem. Assim, Saldanha bem marcado, tenta alargar o
seu espaço de influência e tem várias negociações com Passos Manuel, enquanto os
pares do reino Lavradio, Rodrigo da Fonseca e Palmela chegam a comunicar ao
chefe do governo que estavam completamente desligados do setembrismo. Apenas
permanecem na Câmara Alta cinco teimosos patuleias: Loulé, Rio Maior,
Fonte Arcada, Sá da Bandeira e Mello.
Nova mudança – Em 3 de Maio: Barão de Vila
Nova de Ourém, saldanhista, na marinha
Maçonaria –
António Bernardo da Costa Cabral demite-se de grão-mestre do Grande Oriente
Lusitano (18 de Maio).
Governo nº
21 (18 de Junho) de António Bernardo da
Costa Cabral (1803-1889). 1º Conde desde 1845 e 1º marquês de Tomar desde
1878 (683 dias). Assume-se uma imagem conciliatória sob o lema de Liberdade
constitucional, Justiça, Legalidade e Economia.
Presidente acumula a presidência e o reino. Nos
negócios eclesiásticos e justiça, Félix Pereira de Magalhães (1794-1878). Na
fazenda, António José de Ávila, então juiz do Supremo Tribunal Administrativo.
Na guerra, o major Adriano Maurício Guilherme Ferreri. Nos estrangeiros, o conde
do Tojal. Na marinha e ultramar, o visconde de Castelões, Flórido Rodrigues
Pereira Forjaz (1790-1862).
Félix Pereira de Magalhães
– Foi nomeado por ser presidente do
banco. É homem de curto entendimento, pouco saber, muito orgulhoso e grosseiro
(comentário de Lavradio sobre a escolha de Félix Magalhães Pereira para ministro
da justiça).
Os opositores de sempre
– O governo, apesar de logo em 20 de
Junho, conceder uma amnistia geral e completa, para todos os crimes políticos
cometidos, depois de 28 de Abril de 1847, tem forte oposição na Câmara dos
Pares, com o conde do Lavradio, Fonte Arcada e Sá da Bandeira. Na Câmara dos
Deputados, destaca-se Carlos Bento da Silva. Costa Cabral proclama: pois
tenho eu culpa que sendo a nação chamada a dar o seu voto na urna, repelisse os
meus adversários políticos?.
Turbulências maçónicas – Cisão no Grande
Oriente Lusitano. A facção adepta de Costa Cabral passa a ser liderada por João
Rebelo da Costa Cabral. Outro grupo, por José Bernardo da Silva Cabral. A
terceira parcela constitui o Grande Oriente de Portugal, com o Visconde da
Oliveira, o conde da Cunha e José Joaquim de Almeida Moura Coutinhoö
(1838-1912), o novo grão-mestre.
Crise na
liderança da Maçonaria do Sul que tem
como grão-mestre Francisco António de Campos até Junho de 1849. Em 26 de
Dezembro esta maçonaria passa a Confederação Maçónica Portuguesa, sob o regime
do grão-mestre João Gualberto de Pina Cabral.
Assinada a
Concordata (21 de Outubro) que cria um Tribunal de Nunciatura e uma Bula de
Santa Cruzada.
Grande campanha
na imprensa contra o chefe do governo
– Há
ataques ad hominem, considerado concussionário e corrupto.
Fala-se no caleche oferecido
pelo agiota José Maria Figueiredo Frescata que, além de uma casa de tavolagem, é
o principal financiador do jornal cabralista
A Lei.
A oferta fora compensada por uma comenda da Ordem de Cristo (a primeira notícia
vem no jornal Patriota
de 17 de Novembro).
Morning Post
– O jornal
britânico Morning Post,
de 17 de Setembro, traz insinuação de relações íntimas de Cabral com D. Maria II,
para além de uma lista dos dinheiros recebidos por Costa Cabral das diversas
companhias entre 1842 e 1845: Companhia dos Vinhos do Porto, Companhia das
Estradas do Minho, Companhia Confiança e Companhia das Obras Públicas,
concluindo que o dinheiro recebido equivaleria a 15% da receita pública.
Nova fornada de
pares –
Costa Cabral em 15 de
Dezembro consegue a nomeação de nove novos pares do reino. A terceira concedida
a Cabral. O governo passa a ter 53 pares em pouco mais de cem (103).
Quintas, castelos
e palácios –
Fica também a
saber-se que recebera do Visconde de Ferreira uma quinta na Mealhada, mas posta
em nome da filha. Discutem-se as sumptuosas obras que fez no castelo de Tomar e
no palácio onde vive na Calçada da Estrela em Lisboa.
Requerimentos
contra Cabral –
Também em Dezembro
surgem vários requerimentos dirigidos à Rainha, subscritos uns por miguelistas,
outros por membros do partido nacional. No dia 16 deste mês o próprio Saldanha
escreve à Rainha solicitando a remoção do conde de Tomar.
Oposição de José Bernardo
– Cresce a oposição de José Bernardo da
Silva Cabral ao irmão, principalmente no jornal O Estandarte. A oposição
progressista compara o dissídio às lutas de Caim contra Abel. O jornal de
António Bernardo, A Lei, zurze nos adeptos de José Bernardo, falando num
pacto monstruoso e numa aliança tácita com o Partido Nacional.