| || | Governos | || | Grupos | || | Eleições | || | Regimes | || | Anuário | || | Biografias | || | Revoltas | /span>
|
|
(Ver Tradição e Revolução, vol. II) Ver Cosmopolis |
||
|
|
Mantêm-se Pinto Barbosa, nas finanças, bem como Antunes Varela, na justiça, Veiga de Macedo, nas corporações, e Arantes e Oliveira nas obras públicas.
|
|
A campanha de
Delgado – Sessão no Café Chave de Ouro, onde o candidato declara:
obviamente demiti-lo-ei (referindo-se ao seu procedimento relativamente ao
presidente do Conselho, no caso de uma vitória eleitoral). Mobiliza, no Porto,
cerca de 200 000 pessoas na Praça Carlos Alberto (14 de Maio). Regressa a
Lisboa, depois de visitar a Póvoa do Varzim, e na capital, a polícia dispara
sobre a multidão (16 de Maio), seguindo-se comício no Liceu Camões (18 de Maio).
Sou
liberal – Sou liberal e como liberal
me dirijo a todos os portugueses que desejem a sua pátria libertada
(Humberto Delgado).
Contra
a ditadura policial – Condeno o
híbrido sistema político tirânico e vingativo que está a arrastar-nos para a
pior catástrofe da nossa história... a idolatria da autoridade, o materialismo
da obediência passiva... tendo começado por ser uma ditadura administrativa,
manhosamente se transformou em ditadura policial, contrária ao destino moral e
pessoal do homem... O Estado Novo tornou os ricos mais ricos e os pobres mais
pobres... para me declarar monárquico não peço licença ao rei nem aos bobos da
Corte (Luís de Almeida Braga).
O Chefe de Estado não se discute –
Considero que o Chefe de Estado não pode ser
discutido nem discutir, pois tem de ser respeitado
(Américo Tomás)
Retirada de Cunha
Leal e Arlindo Vicente – Cunha Leal comunica nos microfones do Rádio Clube
Português que retira o seu projecto de candidatura, apoiando Humberto Delgado.
Anunciada também a retirada de Arlindo Vicente, depois do acordo feito em
Cacilhas com Delgado (noite de 29 para 30 de Maio). Cunha Leal havia sido
proposto pelos membros da comissão informal que liderara o processo da campanha
eleitoral da oposição do ano anterior, com destaque para Cruz Ferreira, Manuel
Sertório, Manuel João da Palma Carlo e Constantino Fernandes. A proposta tem o
imediato apoio dos comunistas bem como de Nuno Rodrigues dos Santos que, por
esta razão, entra em conflito como o Directório Democrato-Social.
Os
verdadeiros nacionalistas – Um
governo autoritário, que vive à custa do silêncio dos adversários e nega os
direitos do cidadão, pelo que pode
impor-se num país de escravos, nunca a um povo que teve de lutar com extremos de
bravura para fundar a sua independência e expandir-se no mundo. Nada de um
português do velho cerne pode perdoar do que reduzirem-nos à condição de menor.
É deste fundo de oito séculos de Nação que os portugueses aclamam o candidato
independente. E por uma razão apenas: porque ele lhes prometeu, por forma
heróica, as liberdades a que tem direito. Os verdadeiros nacionalistas são os
partidários do general Humberto Delgado (Jaime Cortesão)
Intentona –
Estaria marcada para 2 de Junho uma revolta militar, coordenada por Delgado,
mas o general, desde o dia 31 de Maio, sabia que ela tinha sido desmobilizada.
Presidente não
tem programa –
Não tem a União
Nacional nem tem o seu candidato de apresentar um programa e a respeito dele
abrir um debate inoportuno e desprovido de sentido... O candidato a Presidente
da República só pode ter um programa: cumprir a Constituição e as obrigações que
derivam da sua letra e do seu espírito, na obediência aos princípios que nela se
consignam e na fidelidade do imperativo do bem comum que as Forças Armadas
proclamaram em 28 de Maio de 1926
(Comunicado da União Nacional, sobre a candidatura de Américo Tomás)
Eleições (8
de Junho). A oposição é impedida de fiscalizar as mesas de voto. O Supremo
Tribunal de Justiça proclama os resultados do sufrágio: 75% para Tomás, 23% para
Delgado... Salazar desabafa para colaboradores: se a campanha de Delgado se
tivesse prolongado por mais um ou dois meses, ele tinha ganho as eleições
(Setembro).
Um processo
subversivo –
A campanha das
oposições não foi propriamente de propaganda do candidato à Presidência da
República, mas o desenvolvimento de um processo subversivo
(Salazar).
Os
inimigos da inteligência – O regime do Estado Novo é um permanente
inimigo da inteligência nacional... as ditaduras, por muito que durem,
são um regime sem futuro, defendendo um regime de pão e liberdade para
todos (Ferreira de Castro).
Protestos contra
a burla – Humberto Delgado decide criar o Movimento Nacional
Independente (18 de Junho). A
reunião decorre na casa de António Sérgio, participando os representantes
nacionais e locais da candidatura. O movimento assume-se como organização
civil de indivíduos e não de grupos, repetindo
programa da candidatura de Delgado e declarando opor-se a todas as
concepções totalitárias e à inclusão na sua organização de qualquer grupo, seita
ou partido. Greve de protesto
contra a chamada burla eleitoral iniciada no Couço e mobilizando rurais
(23 de Junho). Dura cerca de 8 dias. A GNR cerca a vila e leva a cabo várias
detenções.
Católicos em
rebeldia – Carta do Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes a António de
Oliveira Salazar, onde se tecem duras críticas à falta de autenticidade
corporativista e social-cristã do regime (13 de Junho). A missiva levará,
depois, o prelado ao exílio, donde só regressa com Marcello Caetano. O Bispo da
Beira, D. Sebastião Soares de Resende, entra em conflito directo com Salazar e
chama-lhe chefe manhoso e terrível (Setembro). Também em Maio, há uma
carta dirigida por um grupo de católicos ao jornal Novidades, onde se
critica o apoio dado por este órgão oficioso da Igreja Católica ao Estado Novo.
Subscrita por personalidades que depois se vão destacar como militantes do PS
(João Gomes, Manuel Serra, Nuno Portas), do MDP (Mário Murteira e Francisco
Pereira de Moura) e do MES (Nuno Teotónio
Remodelação – Em 14 de Agosto: saem do
governo Santos Costa e Marcello Caetano. O primeiro é substituído na defesa por
Júlio Botelho Moniz. O segundo, por Pedro Teotónio Pereira (que só toma posse a
9 de Setembro). Almeida Fernandes no exército; Mendonça Dias na marinha; Vasco
Lopes Alvesö
sucede a Raúl Ventura no ultramar, com este desgastado por uma polémica com
Francisco da Cunha Leal, desde Maio, apesar de ter o apoio de Adriano Moreira;
Ferreira Dias na economia; Pires Cardoso no interior; Henrique Martins de
Carvalho na saúde (até 4 de Dezembro de 1962). Carlos Gomes da Silva Ribeiro nas
comunicações; Marcelo Matias nos estrangeiros. Mantêm-se Pinto Barbosa, nas
finanças, bem como Antunes Varela, na justiça, Veiga de Macedo, nas corporações,
e Arantes e Oliveira, nas obras públicas. Baltazar Rebelo de Sousa é o único
marcelista a ficar no governo, mas com a morte na alma, segundo
palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, para quem Salazar não tem sucessor, o
regime é dele e para ele, não sai porque sabe que não pode sair, só que
não pode sair, se sair o seu regime desmorona-se, porque é seu e só seu, e sabe
disso.
Em 6 de Dezembro
surge uma nova comissão executiva da União Nacional, presidida por Castro
Fernandes, com Costa Brochado, António Pinto Mesquita e Henrique Tenreiro,
cabendo a este último o controlo do Diário da Manhã.
Incidentes,
prisões e intentonas –
Agitação em Beja, com
a morte de um operário (30 de Julho). Em 26 de Setembro é preso o escriturário
dos Hospitais Civis de Lisboa Carlos Paredes (1925-2004), o genial guitarrista,
condenado e libertado em 1959, activista do PCP. Incidentes em Lisboa junto à
estátua de António José de Almeida: polícia ataca manifestantes com gás
lacrimogéneo. Delgado participa na manifestação com Arlindo Vicente, António
Sérgio, Jaime Cortesão e Mário de Azevedo Gomes (5 de Outubro). Nota oficiosa do
Governo anuncia que não autoriza o deputado trabalhista britânico Aneurin Bevan
a visitar Portugal, a fim de realizar uma conferência, para que teria sido
convidado pela oposição (11 de Novembro). A comissão de recepção, constituída
por Humberto Delgado, Francisco Vieira de Almeida, Jaime Cortesão, Mário de
Azevedo Gomes e António Sérgio, depois de protestar formalmente, acaba toda ela
detida (22 de Novembro). Também Henrique Galvão se encontra preso no Hospital
Santa Maria (Setembro). Chega a ser planeada uma intentona delgadista, com
Manuel Serra e o capitão Almeida Santos, sendo marcada para o efeito a data de
28 de Dezembro. Prisão de dirigentes comunistas como Jaime Serra e Pedro Soares.
Refira-se que em 1958 e 1959 são presos 40 funcionários deste partido e
assaltadas vinte casas clandestinas, com destruição de tipografias.