Governo do duque da Terceira (1836)

  1836 Da resistência chamorra à Revolução de Setembro  

Governo nº 9 do duque da Terceira (144 dias, desde 20 de Abril, cerca de cinco meses). A composição do novo governo, afecto ao chamado partido dos amigos de D. Pedro, revela uma clara aliança entre os chamorros e os moderados do partido aristocrata, ou conservador, mas sem a presença do incontestável líder do mesmo, Palmela , nomeado plenipotenciário em Londres, num ambiente inequivocamente dominado pela maçonaria do Grande Oriente Lusitano. Já Saldanha é presenteado como cargo de primeiro ajudante do rei D. Fernando.

Presidente, António José de Sousa Manuel e Meneses Severim de Noronha (1792-1860), 7º conde e 1º marquês de Vila Flor (desde 1827) e duque da Terceira desde 1832, acumula a guerra. No reino, Agostinho José Freire. Na justiça, Joaquim António de Aguiar. Na fazenda, Silva Carvalho. Na marinha, Manuel Gonçalves de Miranda. (1780-1841) Nos estrangeiros, o conde de Vila Real

Chamorros contra a Maçonaria do Sul – A palavra de ordem é de luta contra os anarquistas e os desorganizadores, pelo que uma das primeiras medidas do governo consiste na dissolução da Sociedade Patriótica Lisbonense, o Clube dos Camilos (28 de Abril), a quem os adversários chamam dos camelos, revelando o conflito aberto entre os maçons carvalhistas e a Maçonaria do Sul, que suportara o gabinete de José Jorge Loureiro. Segue-se um reforço da Guarda Municipal de Lisboa e a criação de força igual no Porto, ao mesmo tempo que se comprimem as Guardas Nacionais, afectas aos radicais. Isto é, o facciosismo trata de brincar às guardas pretorianas e, portanto, passa a depender desse jogo de forças milicianas.

  Governo anterior

Governo posterior  

 

Governo do duque da Terceira

De 20 de Abril de 1836 a 10 de Setembro de 1836.

·Presidente acumula a guerra.

·No reino, Agostinho José Freire

·Na justiça, Joaquim António de Aguiar

·Na fazenda, Silva Carvalho

·Na marinha, Manuel Gonçalves de Miranda

·Nos estrangeiros, o conde de Vila Real

·Dissolução da Sociedade Patriótica Lisbonense, em 28 de Abril

·Dissolução da Câmara dos Deputados em 4 de Junho

·Eleições de 17 de Julho de 1836

Em 5 de Agosto de 1836 as Cortes foram adiadas por 37 dias, para 11 de Setembro. Aliás, as novas Cortes não chegaram a reunir, por causa dos acontecimentos de 9 de Setembro que levaram à restauração da Constituição de 1822.

 

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 31-03-2009