Governo de José Jorge Loureiro (1835-1836)

1835 Devoristas, fusão, godos e vândalos 

1836 Da resistência chamorra à Revolução de Setembro  

Governo nº8 de José Jorge Loureiro (1791-1860) (155 dias, a partir de 18 de Novembro, cerca de cinco meses) Um gabinete integralmente composto por membros da Maçonaria do Sul que nasce tanto dos resultados das eleições suplementares como do pronunciamento. O chamado ministério dos vândalos, dominado pela antiga oposição mercantil.

Presidenteö acumula a pasta da guerra. Sá da Bandeira no reino (até 25 de Novembro de 1835) e na marinha. Manuel António Velez Caldeira Castelo Branco (1791-1868) nos assuntos eclesiásticos e justiça. Na fazenda, Francisco António de Campos (até 6 de Abril, quando assume a pasta José Jorge Loureiro). Marquês de Loulé nos estrangeiros.

Em 25 de Novembro: Luís Mouzinho de Albuquerque nos reino (ausente até ao dia 30 de Novembro)

O sonho do império colonial – Sá da Bandeira apenas se interessa pelos assuntos ultramarinos. Segundo Fronteira, desejava exportar para as colónias todas as leis da Ditadura de D. Pedro, fazendo os pretos e mulatos administradores de concelhos e regedores de paróquia, sem eles saberem o que isso era, e, ainda mais, fazendo-os jurados. Refere também que Sá da Bandeira é inimigo capital da escravatura, mas que, sem o saber, está rodeado de negreiros. Salienta até que a sua banca estava cheia de plantas e vistas de cidades que imaginava edificar.

  Governo anterior

Governo posterior  

Governo de José Jorge Loureiro

De 18 de Novembro de 1835 a 20 de Abril de 1836

·Presidente acumula a pasta da guerra.

· Sá da Bandeira no reino (até 25 de Novembro de 1835) e na marinha.

· Manuel António Velez Caldeira Castelo Branco nos assuntos eclesiásticos e justiça.

·Na fazenda, Francisco António de Campos (até 6 de Abril, quando assume a pasta José Jorge Loureiro)

·Marquês de Loulé nos estrangeiros[1].

·Um governo de antigos oposicionistas, depois da vitória da oposição nas eleições suplementares de 16 de Novembro e da manifestação de militares contra o afastamento dos oficiais que se tinham candidatado às eleições, realizada no dia seguinte em Alcântara. Os adversários chama ao novo governo o ministério dos vandâlos.

·Entre os demitidos, contam-se os coronéis João Pedro Soares Luna,  barão de Sabrosa e José Maria de Sousa; o tenente-coronel Manuel Bernardo Vida, o major Vasconcelos Correia e o capitão Manuel Tomás dos Santos[2]. Uma delegação dos manifestantes dirigiu-se à rainha e disse que a tropa estava em armas.

· Saldanha caía na ponta das espadas. Segundo Lavradio, estavam inauguarados os pronunciamentos militares em Portugal. Saldanha e Palmela são obrigados à demissão. Os militares opunham-se ao envio de um corpo expedicionário português de 6 000 homens para Espanha, a pedido de Mendizabal, para combaterem os carlistas.

·Loureiro era considerado a alma do ministério (Fronteira). Sá da Bandeira apenas se interessava pelos assuntos ultramarinos. Segundo Fronteira, desejava exportar para as colónias todas as leis da Ditadura de D. preto, fazendo os pretos e mulatos administradores de concelhos e regedores de paróquia, sem eles saberem o que isso era, e, ainda mais, fazendo-os jurados[3]

Em 25 de Novembro de 1835

· Luís Mouzinho de Albuquerque nos reino (ausente até ao dia 30 de Novembro)

·Em 25 de Janeiro, aprovada a venda da Companhia das Lezírias

Em 6 de Abril de 1836:

·José Jorge Loureiro substitui Francisco António de Campos na fazenda

·No dia 6 de Abril chega a Lisboa D. Fernando. Nesse mesmo dia a Câmara do Deputados aprovava um diploma onde se extinguia o cargo de Comandante em Chefe do Exército, cargo prometido ao príncipe consorte pelo negociador português conde do Lavradio.

·O governo não consegue ver aprovado o orçamento, ao mesmo tempo que Silva Carvalho defende o não pagamento dos impostos. Isto é, um governo nascido de uma pressão da oposição militar radical, acaba por cair por razões financeiras. Campos chora em plena sessão parlamentar em 29 de Fevereiro de 1836, apresentando a sua demissão em 6 de Abril.


 

[1] Lavradio, Memórias, II, p. 83

[2] Lavradio, II, p. 82.

[3] Fronteira, parte VI, p. 161. Refere também que  Sá da Bandeira era inimigo capital da escravatura, mas que, sem o saber, estava rodeado de negreiros. Salienta também que a sua banca estav cheia de plantas e vistas de cidades que imaginava edificar.

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 31-03-2009