1984
 

Junho
Delors para a Europa e eleições europeias

 

 

Índia: massacre de sikhs, durante a desocupação do templo dourado em Amristar (6 de Junho)

Itália: morte de Berlinguer (11 de Junho)

 

Eleições em França; derrocada do PCF -11%-, aumento da extrema-direita -11%- e vitória da oposição de direita -43% (17 de Junho). Manifestação da direita francesa em Paris a favor da escola livre (24 de Junho)

Eleições na Polónia. Solidariedade apela ao boicote (17 de Junho)

Novo chefe do governo no Canadá. John Turner sucede a Pierre Eliot Trudeau (30 de Junho)

Realizam-se as segundas eleições para o Parlamento Europeu por sufrágio universal directo (14 e 17 de Junho de 1984). Forte abstenção e recuo dos partidos no poder por toda a Europa.

O Conselho Europeu reúne-se em Fontainebleau. Os Dez chegam a acordo sobre o montante da compensação a atribuir ao Reino Unido, de forma a reduzir a sua contribuição para o orçamento da Comunidade; a partir da presidência irlandesa, são criados dois comités ad hoc : o comité Dooge sobre as instituições e o comité Adonino sobre a Europa dos cidadãos (25 e 26 de Junho de 1984)

Acordo quanto à nomeação do francês Jacques Delors para a presidência da Comissão (26 de Junho de 1984).

Lucas Pires congrega uma série de jovens quadros e de universitários, adeptos da perspectiva liberal, influenciado pelas experiências de Reagan e Thatcher (2 de Junho).

Sottomayor Cardia e Manuel Alegre criticam a proposta de lei sobre segurança interna (20 de Junho).

Conselho Nacional do PSD mostra-se crítico para com a coligação (3 de Junho). Dá até Outubro um prazo para que o governo aplique reformas estruturais no sistema económico e político. Por outras palavras, o Bloco Central, enredado em questiúnculas congreganistas, tanto assiste ao renascimento da militância maçónica, como confirma um núcleo central de interesses em torno de lugares empresariais e fundacionais de nomeação ou influência governamental, gerando um rotativismo que se unifica na garantia dada à prebenda e ao posto de vencimento, mesmo que suceda uma derrota eleitoral. Gera-se assim um ambiente de poder pelo poder semelhante ao que uniu regeneradores e históricos, cento e vinte anos antes, na chamada fusão. Só que, desta, PS e PSD vão ser mais eficazes, cristalizando um processo bipolarizador que, se vai dar estabilidade política à democracia, também vai impedir a hipótese de construção de alternativas fora dos dois partidos dominantes. Quem quiser fazer política, à direita e à esquerda, mesmo que não seja social-democrata ou socialista, fica assim condenado a seguir a via pouco sacra dos baronatos e notáveis que comandam o ritmo da nova partidocracia que sairá reforçada com o processo da integração europeia. Por outras palavras, a democracia representativa, o atlantismo e o europeísmo passam a ser as novas conquistas de uma revolução pós-revolucionária, rigorosamente fechada pelo novo clube dos políticos, marcados pelo velhíssimo oportunismo utilitarista a que não faltarão os gerontes.

 

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©  José Adelino Maltez, História do Presente (2006)

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: