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  Anuário de 1926

 

1926

 

Uma revolução à procura de autor

A rebelião das massas e o primado do espiritual

União Nacional e Pan-Europa

Quinze pecados da I República

pormenores em anuário CEPP)

 

Revolução de Almada (1 de Fevereiro)

Congresso dos nacionalistas, leva à dissidência da União Liberal Republicana (6 de Março)

Revolução Nacional do 28 de Maio

 

Governo nº 96 Mendes Cabeçadas

18 dias

 

  Governo nº 97 Gomes da Costa (22 dias)

  Governo nº 98 Carmona (649 dias)

Críticas ao Banco de Portugal – O deputado Amâncio de Alpoim (n. 1889), ex-centrista e socialista desde 1922, sobrinho de José Maria Alpoim, diz que a administração do Banco de Portugal é uma caverna de falsificadores e ladrões (4 de Janeiro).

Patriotismo imperial – Sai um número especial da revista Seara Nova sobre O Problema Colonial, dirigido por Jaime Cortesão, invocando-se o Infante D. Henrique, iniciador do descobrimento científico e da obra de colonização europeia, onde se proclama que a revista entende que a finalidade ideal da nação, maior e profunda razão da sua independência, se liga indissoluvelmente à missão colonizante e, por consequência, à posse dos seus domínios do ultramar (9 de Janeiro). Por outras palavras, até o órgão onde se expressa o racionalismo sergiano, defensor da política de fixação, assume a necessidade do transporte para uma política de inequívoco patriotismo imperial, de acordo com o sonho republicano.

Reflexos parlamentares do caso Alves dos Reis (11 de Janeiro). Um juiz de instrução do processo põe a hipótese do caso estar relacionado com um vasto plano soviético. Cunha Leal, no parlamento, repete a ideia, proclamando que se trata de um reflexo do ferrete do estrangeiro (29 de Janeiro).

Dá-se uma tentativa de revolta radical chefiada pelo construtor civil José Augusto da Silva Martins Júnior, tendo no comando militar do processo o alferes Lacerda de Almeida e reunindo outubristas, sidonistas, ex-democráticos, formigas pretas e radicais (1 de Fevereiro), no que é conhecido pela revolução de Almada. O governo e o presidente da república estão no Porto a comemorar o 31 de Janeiro. No comando militar do processo,

Proposta de régie para os tabacos Governo apresenta proposta para régie nos tabacos com um exaustivo relatório historiando o processo (9 de Fevereiro). O prazo da concessão, estabelecido em 1906 terminava em 30 de Abril, mas logo se levanta um clamor pela liberdade de exploração, modelo este que, na Europa só era praticado pelos britânicos.

Congresso do Partido Nacionalista no Liceu Camões em Lisboa, onde Cunha Leal é vivamente criticado por aceitar a sinecura de vice-governador do Banco Nacional Ultramarino (6 de Março). O visado organiza lista opositora, com Vasconcelos e Sá, Mendes Cabeçadas, Vicente Ferreira, Bissaia Barreto, Carlos Pereira e João Pinheiro, enfrentando a lista oficiosa de Tamagnini Barbosa e Pedro Pitta, mas não tem êxito.

Constituída a União Liberal Republicana, no Teatro Nacional, com o apoio de Rocha Saraiva e de um grupo importante de evolucionistas que invocam o apoio de António José de Almeida (10 de Abril).

Afonso Costa é eleito presidente da assembleia extraordinária da Sociedade das Nações (10 de Abril).

Seara Nova contra o fascismo: comício organizado pela Seara Nova contra a hipótese de um golpe fascista (27 de Abril).

Começa a discutir-se na Câmara dos Deputados a questão dos tabacos (8 de Abril), estando contra a proposta governamental, de administração directa do monopólio pelo Estado, os projectos de lei dos deputados Pestana Júnior, Aboim Inglês e Cunha Leal, todos invocando o princípio da liberdade de exploração. Nova sessão agitada na Câmara dos Deputados (14 de Abril) e, durante a discussão de um projecto do deputado Manuel José da Silva, uniformizando o subsídio parlamentar dos deputados que são funcionários públicos, António Maria da Silva chama epilépticos aos deputados esquerdistas. Há cadeiras e cadeiras partidas pelos protestos, continuando-se o regime do chamado batuque parlamentar.

Afonso Costa regressa a Paris (17 de Abril)

Morte de Alves Roçadas, comandante da divisão de Lisboa, que prometera pôr a casa em ordem e que era a esperança do comando do movimento militar em esboço, antes de se escolher Gomes da Costa (28 de Abril).

Manifestações contra o governo por causa dos tabacos no dia 28. Governo assume a posse da Companhia dos Tabacos (30 de Abril). Despacho do governo, apenas publicado em 19 de Maio seguinte, determina que funcionários governamentais tomem posse da Companhia. Incidentes sobre a questão dos tabacos prosseguem em 1, 12, 17, 20 e 22 de Maio. Grita-se abaixo a ditadura democrática e morra o governo. Os apoiantes da Esquerda Democrática usam flores vermelhas na lapela. Em 4 de Maio, Marques Guedes discursa na Câmara dos Deputados sobre a matéria. Apresentada moção que determina o encerramento da fábrica.

Abaixo a ditadura democrática! O governo decide deixar de representar-se na Câmara dos Deputados (25 de Maio).

Morra o governo! Na Ordem do Exército deste dia, comunica-se que o Conselho de Ministros autorizou a triplificação das gratificações ao serviço de oficiais e sargentos. Gomes da Costa é avisado pelo tenente João Pereira de Carvalho que tudo poderia desencadear-se, podendo marchar para o Norte, a fim de comandar os revoltosos.

Ordem Nova – É lançada a revista Ordem Nova, em Março, que tem como redactores-fundadores Marcello Caetano e Albano Pereira Dias de Magalhães. Diz-se revista antimoderna, antiliberal, antidemocrática, antiburguesa e antibolchevista; contra-revolucionária; reaccionária; católica, apostólica e romana; monárquica, intolerante e intransigente; insolidária com escritores, jornalistas e quaisquer profissionais das letras, da arte e da imprensa. Outros colaboradores: Pedro Teotónio Pereira, Manuel Múrias, J. A. Vaz Pinto e Nuno de Montemor. Doze números até Março de 1927.

Revolucionários que são conservadores – António Sérgio, na Seara Nova, elogia a conferência de Magalhães Colaço, proferida na Associação dos Advogados, No topo dos grandes caminhos, conservadores e radicais, publicada em Da Vida Pública Portuguesa. Observa que a definição dada pelo jovem professor quanto ao espírito conservador equivale ao que o próprio Sérgio considera como espírito revolucionário. Aliás, no mês seguinte o mesmo Sérgio dizia: o grande conservador Disraeli disse que o dever do homem de Estado é fazer por meios pacíficos (normais, legais) o que faria pelos violentos uma revolução (1 de Abril)

O despotismo encimando ao avenida da liberdade – Lançada a primeira pedra da estátua do Marquês de Pombal na Rotunda, em Lisboa (13 de Maio), numa promoção, já antiga, da maçonaria. Projectado na monarquia constitucional, a estátua só será concluída com a Ditadura Nacional. Deste modo, muito simbolicamente, a Avenida da Liberdade passa a ser encimada pelo despotismo esclarecido. Isto é, admite-se que as luzes se tornem num fim que admite meios violentos, num país onde os conservadores se confundem com os revolucionários e os golpes reaccionários são, muitas vezes, comandados por gente vinda da extrema-esquerda. Como escrevia Ramalho Ortigão em 1882, trata-se de um monumento fúnebre elevado à morte da democracia e à do senso comum na sociedade portuguesa.

O filme do Golpe de Estado – Manuel de Oliveira Gomes da Costa (1863-1929) parte de automóvel, a caminho do Norte, no dia 26 de Maio, chegando ao Porto no dia seguinte. Segundo Raúl Brandão, tinha cabeça de galinha e é sempre da opinião da última pessoa com quem fala. Para Fernando Pessoa, o Chefe que trouxe, grande figura de soldado, foi um chefe inteiramente ocasional; não conspirou, revoltou-se, como ele muito bem disse.

As 8 horas e 30 minutos, do dia 27, chega ao Porto. Às 22 horas atinge Braga. A conjura começara a ser urdida na ressaca do 18 de Abril, com muitas pontas na teia. Numa delas, José Mendes Cabeçadas Júnior, capitão de mar e guerra, e irmão do capitão do Exército João Cabeçadas. Noutra, o grupo de Filomeno da Câmara, Raúl Esteves e Sinel de Cordes, subsidiados por Luís Charters de Azevedo. Entre os diversos nós de tal entrelaçado, o tenente de cavalaria João Pereira de Carvalho.

Sempre requisitado por todos, o General Gomes da Costa mantém contactos com o professor do Instituto Superior do Comércio José Eugénio Dias Ferreira, cujo caso académico tinha desencadeado a greve académica de 1907.

O governo tinha pleno conhecimento das movimentações e até chega a parlamentar com alguns dos ninhos conspiradores, numa reunião ocorrida em Coimbra, com os ministros da guerra, José da Conceição Mascarenhas, das Finanças, Armando Marques Guedes, e da agricultura, Torres Garcia. Ao que parece, o governo tenta ser ele a encabeçar a possível ditadura que muitos ambicionam e a própria embaixada britânica teme que António Maria da Silva se assuma como o novo líder autoritário, considerando-o como o nosso potencial líder fascista. Amílcar Mota chega mesmo a conseguir aliciar Roberto Baptista, democrático, que havia sido chefe de gabinete de Sebastião Teles, durante a monarquia.

Em Lisboa, Mendes Cabeçadas entrega a Bernardino Machado carta onde, em nome de vários oficiais, pede um governo de carácter extra-partidário, constituído por republicanos que mereçam a confiança do País.

Inicia-se o movimento em Braga às 6 horas da madrugada do dia 28. Em Lisboa uma Junta de Salvação Pública lança manifesto, subscrito por Mendes Cabeçadas, Gama Ochoa, Jaime Baptista e Carlos Vilhena (1889-1988).

O governo de António Maria da Silva, estabelecendo a censura nos jornais, lança nota oficiosa, onde diz que há sossego no país... apenas uma parte da guarnição de Braga está revoltada.

Bernardino Machado decide ouvir os vários chefes políticos, na parte da tarde, quando já tinham chegado a Lisboa, notícias do movimento de Braga.

Recebe também Mendes Cabeçadas que havia sido preso quando se dirigia a Santarém, juntamente com Gama Ochoa e Brito Pais.

Gomes da Costa dá uma entrevista ao jornalista Norberto Lopes, do Diário de Lisboa, onde declara que seria constituído um governo militar, composto pelas pessoas que dirigiram o Movimento, falando na necessidade de um triunvirato que seria apoiado por um Conselho Técnico.

Em Braga, continua reunido desde o dia 27, o Congresso Mariano, contando com a presença de D. Manuel Gonçalves Cerejeira.

Cunha Leal também está na cidade dos arcebispos, almoçando com apoiantes. Discursa no Bom Jesus, criticando o partido democrático, outrora obediente à ameaça do chicote de nove rabos do Dr. Afonso Costa, mas que agora nem sequer tem um chefe. é um instituto tresmalhado. Não perdoa também ao que resta do partido nacionalista: nem toda a mole ambição do sr. Ginestal Machado, nem todas as intrigas do sr. Pedro Pita, nem todo o maquiavelismo do sr. Tamagnini Barbosa são susceptíveis de inspirar confiança à nação…é um organismo parasitário.

 

Há alguma resistência de forças fiéis ao governo. No Porto, o general Gastão de Sousa Dias, comandante da guarnição, impõe a censura à imprensa e proíbe a circulação de veículos. Em Santarém, assume-se o coronel Fernando Freiriaö , que chega a prender Mendes Cabeçadas. Em Braga, o general José Domingos Peres, comandante da divisão, depois de receber o emissário de Gomes da Costa, Pinto Correia, prefere retirar-se sem resistência, mas sem aderir. Em Coimbra, aparece nos comandos o ministro da agricultura, Torres Garcia. Em Lisboa, o governo tem como aliados o governador civil, Barbosa Viana, e o director da Polícia Especial, capitão Teodorico de Sousa. As próprias unidades militares de Lisboa, a nível dos grandes comandos, parecem obedecer ao comandante de Divisão, o general Simas Machado, que sucedera a Alves Roçadas.

Contra as quadrilhas e as clientelas – Gomes da Costa emite uma nova declaração onde sublinha: vergada sob a acção duma maioria devassa e tirânica, a Nação sente-se morrer. Eu por mim revolto-me abertamente. Numa entrevista a um jornalista, acrescenta: revolto-me com todo o exército português em nome da pátria... eu, que nunca choro, chorei lágrimas de sangue, lágrimas de raiva e desespero, pelos desesperos da Pátria amordaçada pelas quadrilhas partidárias, ao sentir o ulular faminto das clientelas vorazes que se esfaimam a roer os ossos de Portugal. Malditos!.

Militar, mas não militarista – O mesmo Gomes da Costa, numa entrevista ao jornal do Porto, o Primeiro de Janeiro, observa que este movimento é militar, mas não é militarista... Se o exército inicia, organiza e realiza este movimento é por se reconhecer como única entidade com poder e força para cumprir o que a opinião pública exige.

O necessário mito nacional – No Jornal do Comércio e das Colónias, Augusto da Costa entrevista Fernando Pessoa, onde este confessa que há uma espécie de propaganda com que se pode levantar o moral de uma nação – a construção ou renovação e a difusão consequente e multímoda de um grande mito nacional. A entrevista continua no número de 5 de Junho de 1926.

Governo de António Maria da Silva apresenta demissão, no dia 29, quando o Movimento já é obedecido em quase todo o país. Contudo, ainda há um conselho de ministros, presidido por Bernardino Machado, nas instalações do governo civil, até que, ao começo da noite, o Presidente da República aceita o pedido de demissão do governo. A nota oficiosa da presidência da república dando conta da exoneração é emitida às 23 h e 30 m.

No mesmo dia, a guarnição de Lisboa adere a Gomes da Costa, numa atitude apoiada pelo comandante da polícia, Ferreira do Amaral. Entretanto, o ministério da marinha, é ocupado por um grupo de oficiais, sargentos e praças da Armada, comandado pelo outubrista Procópio de Freitas que diz querer colaborar com o comité revolucionário de Mendes Cabeçadas, mas declarando ao jornal Século que a Marinha não dará a sua adesão a um Governo de carácter militarista.

 

Ainda a 29, Carmonaö , que está em Elvas, assume o comando da 4ª divisão em Évora.

Enquanto isto, realiza-se o II Congresso do PCP em Lisboa, na rua António Maria Cardoso.

Manifesta-se, entretanto, uma Junta Militar Revolucionária, com Ferreira do Amaral, mas sem Cabeçadas, dissolvida no mesmo dia, declarando acompanhar o movimento de Braga, mas que logo se dissolve.

Bernardino Machado indigita Cabeçadas a formar governo, às 11 horas da manhã do dia 30, domingo, depois de convite formulado por Ribeiro de Carvalho.

Às 7 horas da manhã, Ferreira do Amaral, comandante da PSP de Lisboa, toma posse como governador civil interino de Lisboa. Gomes da Costa vai depois dizer que a guarnição de Lisboa não podia bater-se. Aderiu. E Ferreira do Amaral, confessar então querer um governo republicano e uma Constituição. Sem isso, é impossível a paz.

Depois de Cabeçadas endereçar uma carta ao Presidente da República, onde propõe a constituição de um governo de carácter extra-partidário, constituído por republicanos que mereçam a confiança do país, Bernardino logo o nomeia Ministro da Marinha e presidente do Ministério, acumulando interinamente todas as outras pastas. Repete o que fizera Saldanha em 19 de Maio de 1870 e Pimenta de Castro, em 25 de Janeiro de 1915, mas assumindo também os poderes que, antes, cabiam ao rei e ao presidente da república.

Governo nº 96 de Mendes Cabeçadas (18 dias). Bernardino Machado convida Cabeçadas a formar governo, às 11 horas da manhã de domingo, 30 de Maio. Depois de Cabeçadas endereçar uma carta ao Presidente da República, onde propõe a constituição de um governo de carácter extra-partidário, constituído por republicanos que mereçam a confiança do país, Bernardino logo o nomeia Ministro da Marinha e presidente do Ministério, acumulando interinamente todas as outras pastas. Repete o que fizera Saldanha em 19 de Maio de 1870 e Pimenta de Castro, em 25 de Janeiro de 1915, mas assumindo também os poderes que, antes, cabiam ao rei e ao presidente da república.

Em 30 de Maio de 1926: presidente assume todas as pastas. Nesse mesmo dia é instituído um triunvirato com Cabeçadas na presidência, marinha e justiça. Gomes da Costa na guerra, colónias e agricultura. Armando Humberto da Gama Ochoa (1877-1941) no interior, estrangeiros e instrução. Em 3 de Junho de 1926: Cabeçadas na presidência e interior; António de Oliveira Salazar (1889-1970) nas finanças; Manuel Rodrigues (1889-1946) na justiça; Gomes da Costa na guerra e colónias; Jaime Maria da Graça Afreixo (1867-1942) na marinha; Carmona nos estrangeiros; Mendes dos Remédios na instrução.

O 1º governo da Ditadura, presidido por Mendes Cabeçadas, tem três fases. Na primeira, em 30 de Maio de 1926, há apenas um Presidente do Ministério.

Na segunda, a partir do dia 31, o mesmo assume todas as pastas e concentra a plenitude do poder executivo, face à renúncia de Bernardino Machado.

Na terceira, desde 2 de Junho, o ministério é repartido por um triunvirato. O mesmo Cabeçadas fica com a marinha e a justiça, Gomes da Costa na guerra, colónias e agricultura, Gama Ochoa no interior, estrangeiros e instrução.

Em 3 de Junho, nova repartição: Cabeçadas na presidência e interior. Oliveira Salazar nas finanças. Manuel Rodrigues na justiça. Gomes da Costa na guerra e colónias. Jaime Afreixo na marinha. Carmona nos estrangeiros. Mendes dos Remédios na instrução. Ezequiel de Campos na agricultura e no comércio.

Ao começo da tarde do dia 30 de Maio sai uma nota da presidência da república anuncia as circunstâncias e Cabeçadas presta compromisso de honra cerca das 20 horas desse dia.

Bernardino Machado, através do seu secretário, Bourbon e Meneses, conferencia no Palácio de Belém, com os majores Ribeiro de Carvalho e Francisco Aragão, tentando também contactar com Brito Camacho que, entretanto, já tinha retirado para Aljustrel.

Na noite do mesmo dia 30, alguns republicanos dirigem-se a casa de Álvaro de Castro, a quem solicitam a resistência. Este, já deitado, levanta-se, e, de pijama, declara: não há nada a fazer. Chega a hora deles. É inútil tudo.

Nessa noite, a população de Lisboa, manifesta-se a favor do novo poder estabelecido. Grita-se morra o partido democrático e clama-se contra o governo de António Maria da Silva. Vitoriam o exército liberal, a República e Gomes da Costa. Até se notam grupos operários que saúdam a chegada da ditadura militar.

Entretanto, Gomes da Costa dá ordem a todas as forças militares para avançarem sobre Lisboa.

Cabeçadas, no dia 31, instala a presidência do governo no ministério da guerra e aqui, cerca das 16 horas, toma posse das restantes pastas ministeriais.

Realiza-se, contudo, a última sessão da Câmara dos Deputados, presidida por Rodrigues Gaspar, a que apenas comparecem 37 deputados. Da mesma forma sucede com o Senado, presidido por Correia Barreto, com 24 senadores. Ambos ainda recebem continência dos soldados da guarda à entrada no Palácio das Cortes. Abrem a sessão, mas logo reconhecem a falta de quorum. Soltam-se ainda, nas duas sessões, uns tímidos vivas à República, com os parlamentares monárquicos calados, mas a cumprirem a sua missão, não faltando um protocolar discurso do senador monárquico João de Azevedo Coutinho que faz o elogio formal de Correia Barreto. Às 16 h e 15 m chega um esquadrão de cavalaria da GNR que encerra as portas do Congresso.

No mesmo dia, Cabeçadas recebe carta de Bernardino Machado, ao retirar-se para a sua residência particular na Cruz Quebrada, onde o Presidente da República renuncia ao cargo de Chefe de Estado, confiando o mesmo ao Ministério em conjunto. Considera que restaurada a ordem pública sem violentas colisões e entregue a constituição de um Ministério Nacional a V. Exª, em quem a República tanto confia, a minha missão está cumprida. Esta carta será publicada no Diário do Governo de 12 de Junho seguinte, para os devidos efeitos.

Cabeçadas lê o processo, considerando que, em conformidade com a Constituição passa a ter a plenitude do Poder Executivo.

Entretanto, chega a Lisboa, no rápido da noite, Pedro de Almeida, delegado de Gomes da Costa, bem como os dois emissários que Cabeçadas tinha enviado ao Norte, Bragança Pereira e José Romão. O comandante, que se encontra junto das tropas bivacadas na Amadora, recebe-os de madrugada, numa reunião alargada a João Maria Ferreira do Amaral e a Oliveira Gomes, comandante da Escola Prática de Infantaria, que chefia as forças estacionadas na Amadora.

No Entroncamento, às 22 horas, já Raúl Esteves e Passos e Sousa congregam cerca de 2 000 homens, postos à disposição de Gomes da Costa que, no Porto, telegrafa aos últimos, dizendo que o governo de Lisboa não merece confiança e atraiçoa o espírito do movimento do Exército... Vou iniciar a marcha sobre Lisboa rapidamente.

Carmona estaciona em Vendas Novas comandando as forças do exército do sul.

Também a 31, o major Ribeiro de Carvalho, ainda apela para que se repita o modelo da Regeneração de 1851, com uma política ampla e de generosa conciliação nacional, reconhecendo que o movimento pode ser útil. Salienta que a vitória da revolução é, antes de mais nada, um triunfo da opinião pública. Os revoltosos venceram porque ninguém estava disposto a sacrificar-se por um governo que não traduzia os votos da nação.

Cabeçadas segue para Coimbra no rápido do Porto, logo de manhã. Gomes da Costa, sai do Porto, a meio da tarde, no comboio Sud, juntamente com o capitão-tenente Armando Humberto da Gama Ochoa, com o mesmo destino (1 de Junho). Têm uma conferência de reconciliação, nessa cidade do Mondego, ao fim da tarde. Dela resulta a nomeação de um triunvirato provisório, com Cabeçadas e Gama Ochoa, até então representante de Gomes da Costa no Porto e seu homem de confiança. Cabeçadas regressa a Lisboa, no rápido da noite, acompanhado por Filomeno da Câmara Melo Cabral e Raúl Augusto Esteves.

Gomes da Costa, que segue no mesmo comboio, desce no Entroncamento. Entretanto, Pedro de Almeida é encarregado de contactar Mendes dos Remédios, Oliveira Salazar e Manuel Rodrigues, para os sondar no sentido de entrarem para o governo.

Cabeçadas chega a Lisboa já de madrugada (2 de Junho). Declara aos jornalistas a constituição de um triunvirato provisório, dado que o ministério definitivo seria formado, depois da chegada de Gomes da Costa a Lisboa, e para o qual seriam convidadas entidades de reconhecido mérito e provada honestidade.

Decreta, então, a distribuição das pastas ministeriais, atribuindo a Gomes da Costa as da guerra, colónias e agricultura, e a Gama Ochoa, as do interior, negócios estrangeiros e instrução (decreto publicados no Diário do Governo do dia 2, mas com a data do dia 1, com Mendes Cabeçadas a assumir-se como Chefe de Estado).

Noutro curioso decreto, em simultâneo, Cabeçadas demite-se a si mesmo: é um caso inédito na história da República: um chefe de Governo demitir-se a si próprio. Sucedera assim porque também é Chefe de Estado (Rocha Martins).

Gomes da Costa sai do Entroncamento e vai para Tancos, donde emite um telegrama a todas as unidades militares, onde declara discordar da atitude de Cabeçadas: comunico, para conhecimento de todos os oficiais, que não estou de acordo com a notícia dos jornais acerca da formação do Ministério, continuando à frente do movimento de carácter exclusivamente militar, para engrandecimento da Pátria e para bem da República e do Exército. Gomes da Costa, General.

Gomes da Costa instala-se em Sacavém, onde chega às 3 horas da madrugada de 3 de Junho. Tem uma reunião imediata com Cabeçadas e às 5 horas da madrugada chegam a acordo, substituindo o triunvirato por uma Junta Governativa.

Segundo a acta da reunião, transformada em nota oficiosa, Cabeçadas seria presidente do ministério e ministro do interior; Gomes da Costa, da guerra e das colónias; Óscar Carmona, dos negócios estrangeiros; Almeida Ribeiro, da justiça; Oliveira Salazar, das finanças; Mendes dos Remédios, da instrução; Jaime Afreixo, da marinha; e Ezequiel de Campos, da agricultura e do comércio e comunicações.

Cabeçadas volta a Lisboa e emite decretos no Diário do Governo, onde altera duas coisas face ao acordo de Sacavém: Gomes da Costa fica apenas como ministro interino das colónias e, em vez de Almeida Ribeiro, aparece Manuel Rodrigues, na pasta da justiça. Nenhum dos ministros civis nomeados dá acordo prévio à nomeação.

Gama Ochoa afasta-se do movimento. O Correio da Manhã revela que o memso havia sido delegado dos Transportes Marítimos do Porto. Raúl Esteves protesta, pedindo a demissão de oficial do Exército. Também Mendes Cabeçadas não quer incluir incluir Sinel de Cordes no elenco, acusando-o de activismo monárquico, apenas aceitando Passos e Sousa.

Gomes da Costa na Amadora, instala-se no Quartel da Aviação, onde promove uma reunião com a oficialidade do movimento e o governo (4 de Junho). Há vários discursos. O tenente Manuel Caetano de Sousa dirige-se directamente a Gomes da Costa e diz-lhe para desconfiar das lisonjas e dos aplausos.

Não sou ditador, mas soldado – Um estudante de medicina clama por um Poder Novo independente da política, contra Cabeçadas e Ferreira do Amaral. Gomes da Costa encerra a sessão dizendo que nunca será ditador como Primo de Rivera ou Mussolini: um ditador em Portugal teria o ar de quem vai apossar-se da Nação como pertença sua. Em Portugal não há rei. Eu sou apenas um soldado. Cabeçadas responde, declarando-se solidário com Gomes da Costa e Carmona apenas se manifesta pela regeneração nacional.

Chega a tuna de Coimbra – Igualmente neste dia, à tarde, desembarcam em Lisboa, vindos de Coimbra, Remédios, Rodrigues e Salazar, a chamada tuna. Avistam-se na Amadora com Gomes da Costa. Remédios e Rodrigues tomam posse, Salazar volta para casa no dia seguinte, alegando o seu precário estado de saúde e a opinião do seu médico assistente, dr. Bissaia Barreto. Desde então, na colina universitária da Lusa-Atenas, gera-se o mito da chamada da pátria, desejo que afecta muitos universitários quando, a meio da carreira, recebem um convite para gerirem uma qualquer posta estadual e que alguns confundem com a chegada de uma qualquer língua de fogo celestial e, mantendo o provincianismo, caminham para Lisboa, à espera de uma consagração que os liberte de posteriores esforços curriculares.

Cabeçadas cai em desgraça – Nesse dia é também distribuído um Diário do Governo, com uma lei assinada por Mendes Cabeçadas e Bernardino Machado, em 31 de Maio, onde se reconhecem cerca de revolucionários civis e militares do 5 de Outubro, o que causa viva indignação entre os militares golpistas.

Termina a concentração de tropas em Sacavém e o comando revolucionário instala o quartel-general na Amadora, onde chega Carmona, recebido por Gomes da Costa e Cabeçadas (5 de Junho).

Ezequiel de Campos não chega a tomar posse, devido à oposição de Jaime Afreixo, que declara não querer participar num gabinete com políticos, pelo que se publica novo decreto no Diário do Governo, nomeando Adolfo César de Pina (1865-1943) para o comércio e as comunicações, e Felisberto Alves Pedrosa, para a agricultura. Do Porto, como enviado de Ezequiel tinha vindo o capitão Sarmento Pimentel.

Sai no Jornal do Comércio a segunda parte da entrevista de Fernando Pessoa a Augusto da Costa, cuja primeira parte tinha sido publicada a 28 de Maio.

Gomes da Costa toma posse como Ministro da Guerra e interino das Colónias, juntamente com Felisberto Pedrosa, nomeado no dia anterior (7 de Junho). Continuam sem ocupação os lugares de ministro das finanças, devido à renúncia de Salazar, e do comércio e comunicações.

No mesmo dia, Parada da Vitória na Avenida da República, com 15 000 homens. Assiste o corpo diplomático. Rocha Martins confessa que, nesse dia, estando perto de Sinel de Cordes, durante o desfile lhe diz: que bem que fica o Gomes da Costa a cavalo. Sinel, entre risadas dos que assistem à cena, responde: oxalá se aguente muito tempo no selim.

Tomam posse os restantes ministros. Associações patronais manifestam o seu apoio ao governo (8 de Junho).

Sai Diário do Governo formalizando a dissolução do Congresso da República, continua a não haver ministro das finanças e o Exército parece tão febril como os políticos (9 de Junho).

Mendes dos Remédios avista-se com Salazar em Coimbra (10 de Junho).

 

Jornais anunciam que Salazar vai aceitar a pasta das finanças (11 de Junho). Gomes da Costa reúne com Cabeçadas ao fim da tarde, anunciando-se a aceitação da pasta por Salazar e a nomeação do tenente-coronel Abílio Augusto Valdês no comércio e comunicações, face à não tomada de posse de César Pina.

Salazar vem a Lisboa onde tem uma entrevista com Mendes Cabeçadas e toma posse como ministro das finanças. Os jornais falam que havia sido sondado para a pasta António Vicente Ferreira (12 de Junho). Passos e Sousa também é empossado na pasta do comércio e comunicações.

Decreto governamental restabelece a autonomia universitária revogando diploma de 27 de Agosto de 1919 que prevê a nomeação dos reitores por decreto do governo.

Jornal A Época de José Fernando de Sousa, que vinha atacando Mendes Cabeçadas, principalmente pela lei publicada a 4 de Junho, noticia ter-se constituído no Porto, no dia 12 de Junho, um comité militar revolucionário que exige um triunvirato constituído por Gomes da Costa, Óscar Carmona e Filomeno da Câmara, apesar do general Roberto Baptista, comandante da divisão do norte, desmentir o que considera boato.

Começa a desenhar-se uma frente anti-Cabeçadas entre os militares mais activos no movimento (13 de Junho).

Gomes da Costa apresenta ao governo o programa da revolução (14 de Junho).

Conselho de Ministros. Gomes da Costa apresenta algumas reclamações do Exército, a que Mendes Cabeçadas não dá resposta positiva (16 de Junho).

Governo nº 97 de Gomes da Costa (22 dias, desde 17 de Junho). Só no dia 19 sai o Diário do Governo com a constituição do novo ministério presidido por Gomes da Costa, datado do dia 17.

A presidência cabe a Gomes da Costa, mas sem dois dos membros da tuna de Coimbra, Salazar e Remédios. Sai também Mendes Cabeçadas. No interior, António Claro. Nas finanças, Filomeno da Câmara Melo Cabral (1873-1934). Nas colónias, Gama Ochoa. Na instrução, Artur Ricardo Jorge. Na justiça, Manuel Rodrigues. Nos estrangeiros, Carmona.

Em 6 de Julho: substituição de Claro, Carmona e Ochoa, logo substituídos por Gomes da Costa, Martinho Nobre de Melo e João de Almeida (1863-1953). Os ministros não atingidos pela recomposição, à excepção de Filomeno da Câmaraö , declaram-se solidários com os restantes e já no dia 8, Gomes da Costa fica prisioneiro no próprio palácio de Belém, sendo posteriormente transferido para Caxias e Cascais, até que no dia 11 é desterrado para Angra do Heroísmo.

A revolução à procura de autor – Pouco mais de um mês depois da revolta, o 28 de Maio, encontra uma linha de força sintetizada em Carmona, deixando de ser mais um interregno autoritário, ao mesmo tempo que nem sequer se assume como um novo sidonismo. Depois de derrubado Cabeçadas, ainda preso nas teias das fidelidades republicanas e maçónicas, no activo, segue-se a queda de Gomes da Costa, demasiadamente impulsivo para seguir qualquer linha de coerência programática. Surge, em seguida, um tempo de pausa para que assentem os movimentos de apoio dessa amálgama, desde os monárquicos aos republicanos conservadores da União Liberal Republicana de Cunha Leal; desde certa maçonaria aos sidonistas; desde os que pensam na experiência de Primo de Rivera aos que sonham com o fascismo mussoliniano. Porque tudo ainda é mesmo possível: desde um regresso mais ou menos musculado à ordem republicana até à própria instauração de um novo regime. Por enquanto, apenas uma ditadura militar periclitante e muitos candidatos a magos das tecnocracias ministeriais.

Governo nº 98 de Óscar Carmona (649 dias, desde 9 de Julho). Golpe de Estado de Óscar Carmona e Sinel de Cordes. Gomes da Costa, pela manhã, ainda visita quartéis, mas este recusam-lhe obediência, recolhendo a Belém, onde uma força da Cavalaria 2 vai cercar o palácio. Constituído o governo de António Óscar Fragoso Carmona às 16 horas.

Presidência de Carmona, também na pasta da guerra. No interior, José Ribeiro Castanho. Na justiça, Manuel Rodrigues. Nas finanças, o general João José Sinel de Cordesö . Na marinha, Jaime Afreixo. Nos estrangeiros, António Maria Bettencourt Rodrigues (1854-1933). Nas colónias, João Belo (1876-1928), antigo colaborador de Mouzinho de Albuquerque e Brito Camacho e parente de Afonso Lopes Vieira. Na instrução, Ricardo Jorge. No comércio, Abílio Valdez Passos e Sousa (n. 1881). Na agricultura, Alves Pedrosa. Em 16 de Novembro: Carmona assume as funções de Presidente da República, a título interino, sendo substituído na pasta da guerra pelo coronel Passos e Sousa.

Revolta em Chaves, sob o comando do capitão Alfredo António Chaves, é prontamente jugulada. Visava a reposição do regime anterior (11 de Setembro).

Esboça-se em Lisboa uma tentativa de golpe de Estado, dentro do espírito do 28 de Maio, visando a constituição de uma nova equipa dirigente, com Óscar Carmona remetido para a presidência da República e o coronel João de Almeida para Presidente do ministério (Setembro).

Ocupada a sede da Confederação Geral do Trabalho (2 de Novembro). Detidos inúmeros sindicalistas. Já em 19 de Junho tinha sido assaltada a sede do jornal A Batalha.

Carmona assume as funções de Presidente da República, a título interino, sendo substituído na pasta da guerra pelo coronel Passos e Sousa (16 de Novembro). Decreto de 26 de Novembro, publicado a 29, alarga poderes e regalias do Chefe de Estado, estabelecendo-se que, enquanto não fosse eleito o Presidente da República, exerceria tais funções o Presidente do Ministério, sem pasta.

Passos e Sousa assume a pasta da guerra, substituindo Carmona. É substituído no comércio por Júlio César de Carvalho Teixeira (29 de Novembro)

Carmona é investido pelo Governo como presidente da República, de forma interina. No seu discurso, falando no movimento do 28 de Maio, declara: o programa desse movimento não é de vinganças nem de retaliações. É de paz e concórdia (30 de Novembro).

Julgamento de João de Almeida a bordo da fragata D. Fernando. Acusado do crime de incitamento à rebelião. Defendido por Tamagnini Barbosa, é absolvido por unanimidade. Prova-se que apenas terá dactilografado uma mensagem a ser enviada pelas vias hierárquicas dos comandos das regiões militares, mas desde que o projecto de mensagem tivesse o acordo do ministro da Guerra (11 de Dezembro).

Sinel de Cordes parte para Londres a fim de negociar a dívida de guerra com a Inglaterra (17 de Dezembro). Contraída por Afonso Costa em 1916, havia a promessa de a liquidar em dois anos, após o termo do conflito, mas nada tinha sido cumprido até à data. No dia 31, é, finalmente, assinado acordo para a liquidação da dívida.

& Anais da Revolução Nacionai (1948, I): 63, 83; (1948, II): 38, 40; Brochado, Costa (1959): 108, 109; (1987): 116; Cardia (II): 19, 147, 164, 165; Carvalho, Montezuma de (1979): 183; Cruz, Guilherme Braga da (1975): 625, 660, 661, 662, 663, 666, 667, 668, 669, 670, 673, 674, 675, 676, 677, 678, 680, 681, 682, 676, 687, 688; Gomes, Pinharanda (1984): 138; Gouveia, Rosa: 62; Guedes, Armando Marques: 244, 377; Leal, Francisco da Cunha (1966, II): 408, 453, 458; Martins, F. Rocha (A Europa em Guerra, II): 470, 471, 482, 485, 486, 487, 488, 492, 493, 496, 498, 499, 505, 506, 508, 522, 525, 526, 529; Nogueira, Franco (I): 302, 308, 311, 317; Nunes, Leopoldo: 121, 122, 124, 125, 127, 128, 134, 135, 136, 138, 139; Ortigão, Ramalho (Farpas, VI): 148; Pabón, Jesus: 591; Paxeco, Óscar (1942): 132, 133; Peres, Damião: 407, 408, 409, 418, 432, 433; Pessoa, Fernando (1978): 353; Quadros, António (II, Paginas de Pensamento Político de Fernando Pessoa) 107, 116, 121, 132, 141; Rodrigues, Ernesto: 229; Serrão, Joaquim Veríssimo (XI): 311 ss..