1978
 

Janeiro
Assassinato de Chamorro e turbulências em países islâmicos

 

Confrontos entre polícias e manifestantes religiosos no Irão, na cidade santa de Qom, a favor do ayatollah Khomeini (9 de Janeiro).

Há também revoltas sindicais na Tunísia, depois de greve geral (26 de Janeiro)

O jornalista da Nicarágua Pedro Chamorro*, director de La Prensa, opositor ao somozismo é assassinado (10 de Janeiro). A oposição, apoiada pela Igreja e pelo patronato, responde com uma greve geral de protesto

Cai sobre o Canadá um satélite militar soviético (24 de Janeiro)

Detenção de Edmundo Pedro, então membro do Secretariado Nacional do PS, deputado e membro do conselho de administração da RTP. Está na posse de 36 metralhadoras G3, das 150 que haviam sido entregues ao PS na noite do referido dia 25 por Tomé Pinto, de acordo com um Plano Global de Operações, liderado por Ramalho Eanes. Edmundo será absolvido em Novembro de 1978 (11 de Janeiro).

Dissolvida a FEPU, pela saída da FSP. PCP e MDP irão constituir a APU (16 de Janeiro) que tem três argolas como símbolo, à maneira das Olimpíadas, para evitar a foice e o martelo. Mas como dizem os anticomunistas, das três argolas da APU, das quais duas são verdes e uma vermelha, porque de cada três comunistas, dois foram da Legião (Vergílio Ferreira).

PS e CDS assinam acordo político de incidência governamental e Ramalho Eanes convida oficialmente Mário Soares para formar governo (19 de Janeiro).

Sá Carneiro contra Eanes – Sai no Jornal Novo um artigo de Francisco Sá Carneiro onde o general é acusado de ter impedido a formação de um governo de salvação nacional (18 de Janeiro). O artigo não é publicado no jornal do partido, Povo Livre, por oposição da directora, Helena Roseta. A Presidência da República emite uma nota onde declara que Eanes aceitou governo, com base num acordo PS/CDS.

V Congresso do PSD (dias 28 e 29 de Janeiro), no Cine Valformoso, no Porto. António Sousa Franco na liderança, depois de Sá Carneiro recusar o cargo de presidente da comissão política e renunciar ao mandato de deputado. Sérvulo Correia é o novo secretário-geral. Pouco antes, o novo líder dera uma entrevista onde dividia o partido entre uma ala rural, liderada por Sá Carneiro, e uma ala urbana, que seria mais moderada e verdadeiramente social-democrata, próxima das posições de Helmut Schmidt. Por outras palavras, o coerente militante católico, sinceramente social-democrata, que chegou a ponderar a hipótese de fazer parte do círculo de fundadores do CDS, quando colaborava com Basílio Horta, e que será ministro de Pintasilgo e Guterres, antes de falecer em Junho de 2004, em plena campanha de candidatura a deputado europeu pelo PS, mantém certa perspectiva de uma burguesia de memória cabralista, sempre temendo de uma revolta nortenha e ruralista, susceptível de manipulação pelos fantasmas de uma miguelismo populista. Isto é, católicos ou maçons, quando mantêm o preconceito dos filhos da grande burguesia da capital continuam a ter a ilusão de educarem as selvagens massas populares do Centro e Norte do país que, infelizmente, já não podem emigrar e até passaram a ter direito de voto.

Convenção Nacional da União de Esquerda Socialista e Democrática (UEDS), em 28 de Janeiro. Assistem ao evento, muito paternalmente, figuras como Melo Antunes e Eduardo Lourenço. Mobilizam-se membros da Fraternidade Operária, como António Lopes Cardoso, Fernanda Lopes Cardoso, Brás Pinto, Vital Rodrigues e César Oliveira, surgida em Fevereiro de 1977, bem como antigos militantes da LUAR, como Camilo Mortágua e Fernando Pereira Marques, e do Movimento Socialista Unificado, de Joel Hasse Ferreira, José Maria Brandão de Brito, António Vitorino e Rui Namorado que, vindos do MES, não alinham na Intervenção Socialista de Jorge Sampaio. Juntam-se também figuras como Jacinto Prado Coelho, Fernando Alves, Américo Ramos dos Santos, Vítor Hugo Sequeira, João Mendes Espada, Vítor Martins, Jofre Justino e Mário Murteira. Pouco depois, o remanescente do ex-MES, liderado por Jorge Sampaio, acaba por se integrar no PS, precedendo convite de Mário Soares, apesar da oposição de Francisco Salgado Zenha, Jaime Gama e Jorge Campinos.

Governo nº 111 de Mário Soares II Governo constitucional (23 de Janeiro, 211 dias). Formalmente, continua a ser um governo do PS, embora inclua militantes do CDS, como Vítor Augusto Nunes Sá Machado, nos estrangeiros, e Basílio Adolfo Mendonça Horta da Franca, no comércio e turismo, e Rui Pena, na reforma administrativa.

Constituído em nome da política de austeridade em matéria financeira, devido à pressão do FMI, destacando-se a acção do ministro das finanças, Victor Manuel Ribeiro Constâncio. A questão agrícola há-de ser o pretexto para a queda do governo, face às críticas que ao modelo são lançadas no interior do CDS, principalmente por Amaro da Costa e Francisco Lucas Pires.

Outros ministros: António de Almeida Santos (adjunto), Mário Firmino Miguel (defesa nacional), Alberto Marques de Oliveira e Silva (administração interna, até 27 de Fevereiro, sucedendo-lhe Jaime Gama), José Dias dos Santos Pais (justiça), Luís Silvério Gonçalves Saias (agricultura), Carlos Montês Melancia (indústria e tecnologia), António Manuel Maldonado Gonelha (trabalho), Mário Augusto Sottomayor Leal Cardia (educação e investigação científica), António Duarte Arnaut (assuntos sociais), Manuel Branco Ferreira Lima (transportes e comunicações) e António Francisco Barroso de Sousa Gomes (habitação e obras públicas).

 

Janeiro Fevereiro Março
Abril Maio Junho
Julho Agosto Setembro
Outubro Novembro Dezembro

Ver síntese do ano

©  José Adelino Maltez, História do Presente (2006)

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: