

Alan Garcia*, social-democrata, é eleito presidente do Peru (1
de Junho)

Eleições legislativas antecipadas na Grécia; recuo do PASOK,
subida da Nova Democracia (2 de Junho)

Senado norte-americano vota apoio aos contras da Nicarágua (12
de Junho)

Polónia: três dirigentes do Solidariedade são condenados pelo
tribunal de Gdansk a três anos de prisão (14 de Junho)

O democrata-cristão Francesco Cossiga é eleito presidente da
república em Itália (24 de Junho). É o primeiro que é eleito à
primeira votação pelo colégio eleitoral.

Livro branco da comissão sobre a concretização do mercado único
(14 de Junho)
Convenção de Schengen, entre a França, a RFA, Bélgica, Holanda e
Luxemburgo, a que mais tarde, se juntam Portugal, Espanha e Itália,
estabelece a supressão total do controlo das pessoas nas fronteiras
intracomunitárias, bem como uma estreita colaboração entre polícias (14
de Junho)
Conselho Europeu de Milão. decide convocar uma conferência
intergovernamental; não houve consenso quanto à reforma institucional;
apoiado o projecto Eureka; na véspera, havia sido anunciado um projecto
franco-alemão de união europeia (28-29 de Junho)

PSD rompe a coligação governamental, em 4 de Junho, depois de reunião de Soares e Cavaco Silva, onde este se propõe avançar com os pacotes laboral e agrícola. Eanes inicia consultas aos partidos
Portugal na CEE – Cerimónia solene de assinatura do Tratado de Adesão de Portugal à CEE decorre no claustro dos simbólicos
Jerónimos (12 de Junho). Nesta data, os gestores do aparelho de poder português subscrevem o tratado de adesão às comunidades europeias - a CECA, a CEE e a CEEA que já então se assumem como Comunidade Europeia -, algumas horas antes de idêntica atitude ser assumida, em Madrid, pelo
Estado espanhol. Para alguns observadores de mais estreitas vistas, a atrelagem dos dois Estados ibéricos ao carro europeu não passa de mero prémio pela conquista da democracia por duas entidades que tinham tido das mais longas ditaduras do Ocidente no pós-guerra. Para outros, algo de
mais: a abertura da Europa àquele pedaço de si mesma que se desencontrara do ritmo das grandes questões europeias nos anos trinta do século XX, não faltando até quem proclame, com alguma justeza, que não éramos nós a aderir à Europa, mas, pelo contrário, a Europa a aderir a si mesma. A adesão vai
concretizar-se no dia 1 de Janeiro de 1986, depois de, uma década antes a havermos formalmente solicitado. Não tarda que os nossos governantes qualifiquem a Europa das Comunidades como a prioridade das prioridades e que a nossa classe política pós-revolucionária trate de invocar uma Europa
connosco, transformada no elemento mítico de uma ideologia europeísta à portuguesa que nos prometia amanhãs que cantam, bacalhau a pataco, peixe à vista de costa e supremas produtividades por hectare.