1958
 

Maio

De Gaulle regressa ao poder

 

 

 

Conselho do Atlântico Norte reúne em Copenhaga, mostrando-se favorável a negociações com os países do Leste (5-7 de Maio)

VII Congresso do Partido Comunista da China; aprovado o chamado salto em frente (5 a 23 de Maio)

 

Insurreição de Salan em Argel; formado um comité de salvação pública que se revolta contra o governo de Paris, clamando pela Algérie Française (13 de Maio). Foi em 13 de Maio que se deu a insurreição dos generais em Argel, comandada por Raoul Salan que chega a formar um comité de salvação pública. Clamando por uma Algérie Française, formaram um comité de salvação pública que se insurgiu contra o governo de Paris.

Quinze dias depois, o Presidente Coty pede a Charles De Gaulle para suceder a Pierre Pflimlin, como chefe do governo. Em 2 de Junho de já De Gaulle assumia a função do ditador clássico obtendo plenos poderes da Assembleia Nacional.

Dois dias depois já visitava a Argélia, onde procurando acalmar a revolta dos pieds noirs vai proclamar que os argelinos são dix millions de Français à part entière , ao mesmo tempo em que ainda dava um Vive l’Algérie Française (4 de Julho de 1958), conforme o que fora votado parlamentarmente em 31 de Janeiro de 1951, com a Argélia a ser considerada parte integrante da República Francesa, mas dotada de personalidade própria

Charles de Gaulle regressa ao poder, face à revolta dos pieds noirs; o Presidente Coty pede-lhe para suceder a Pflimlin. (29 de Maio)

França 1958

Deputados da Assembleia Parlamentar Europeia decidem constituir grupos políticos, deixando de agrupar-se por país de origem (13 de Maio)

Reunião constitutiva do Comité Económico e Social em Bruxelas (19 de Maio)

Acordo entre a CEEA e os Estados Unidos sobre a construção de centrais nucleares (29 de Maio)

A campanha de Delgado – Sessão no Café Chave de Ouro, onde o candidato declara: obviamente demiti-lo-ei (referindo-se ao seu procedimento relativamente ao Presidente do Conselho, no caso de uma vitória eleitoral). Mobiliza, no Porto, cerca de 200 000 pessoas na Praça Carlos Alberto (14 de Maio). Regressa a Lisboa, depois de visitar a Póvoa do Varzim, e na capital, a polícia dispara sobre a multidão (16 de Maio), seguindo-se comício no Liceu Camões (18 de Maio).

Sou liberal – Sou liberal e como liberal me dirijo a todos os portugueses que desejem a sua pátria libertada (Humberto Delgado).

Contra a ditadura policial – Condeno o híbrido sistema político tirânico e vingativo que está a arrastar-nos para a pior catástrofe da nossa história... a idolatria da autoridade, o materialismo da obediência passiva... tendo começado por ser uma ditadura administrativa, manhosamente se transformou em ditadura policial, contrária ao destino moral e pessoal do homem... O Estado Novo tornou os ricos mais ricos e os pobres mais pobres... para me declarar monárquico não peço licença ao rei nem aos bobos da Corte (Luís de Almeida Braga).

O Chefe de Estado não se discute – Considero que o Chefe de Estado não pode ser discutido nem discutir, pois tem de ser respeitado (Américo Tomás)

Retirada de Cunha Leal e Arlindo Vicente – Cunha Leal comunica nos microfones do Rádio Clube Português que retira o seu projecto de candidatura, apoiando Humberto Delgado. Anunciada também a retirada de Arlindo Vicente, depois do acordo feito em Cacilhas com Delgado (noite de 29 para 30 de Maio). Cunha Leal havia sido proposto pelos membros da comissão informal que liderara o processo da campanha eleitoral da oposição do ano anterior, com destaque para Cruz Ferreira, Manuel Sertório, Manuel João da Palma Carlo e Constantino Fernandes. A proposta tem o imediato apoio dos comunistas bem como de Nuno Rodrigues dos Santos que, por esta razão, entra em conflito com o Directório Democrato-Social.

Os verdadeiros nacionalistas – Um governo autoritário, que vive à custa do silêncio dos adversários e nega os direitos do cidadão... pode impor-se num país de escravos, nunca a um povo que teve de lutar com extremos de bravura para fundar a sua independência e expandir-se no mundo. Nada de um português do velho cerne pode perdoar do que reduzirem-nos à condição de menor. É deste fundo de oito séculos de Nação que os portugueses aclamam o candidato independente. E por uma razão apenas: porque ele lhes prometeu, por forma heróica, as liberdades a que tem direito. Os verdadeiros nacionalistas são os partidários do general Humberto Delgado (Jaime Cortesão)

 

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©  José Adelino Maltez, História do Presente (2006)

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: