1975
 

Agosto
Da Europa de Helsínquia aos comunistas no Laos

 

 

Golpe de Estado no Bangla Desh (15 de Agosto)

Comunistas tomam o poder no Laos (24 de Agosto)

Destituído Juan Velasco Alvarado* no Peru (29 de Agosto)

Acta Final da CSCE, assinada em Helsinquia (1 de Agosto)

Em Timor, o ambiente começa a degradar-se, com o golpe da UDT em Dili (10 de Agosto), a que se segue o contra-golpe da FRETILIN. Não tarda que, depois do movimento proclamar a independência (28 de Novembro), os vizinhos indonésios comecem uma invasão militar que deixará um rasto sangrento de 200 000 mortos, com os norte-americanos, presididos por Gerald Ford e inspirados por Henry Kissiger a lavarem as mãos como Pilatos (7 de Dezembro).

Depois de Otelo Saraiva de Carvalho regressar inebriado de uma viagem a Cuba e de ter posto a hipótese de mandar os fascistas para o Campo Pequeno (1 de Agosto), o país transforma-se efectivamente numa espécie de manicómio em autogestão.

Perante a degradação, a facção moderada do MFA, apoiada por elementos do Conselho da Revolução afectos ao major Melo Antunes faz editar o célebre Documento dos Nove, em oposição ao gonçalvismo e ao controlo do PCP no processo revolucionário (7 de Agosto). No dia seguinte ainda se forma um último governo de Vasco Gonçalves, o surrealista V Governo Provisório, o primeiro que não é participado pelo PS e pelo PPD.

 

Documento dos Nove Nove membros do Conselho da Revolução (Melo Antunes, Vasco Lourenço, Sousa e Castro, Vítor Alves, Pezarat Correia, Franco Charais, Canto e Castro, Costa Neves e Vítor Crespo) elaboram documento crítico do gonçalvismo e entregam-no a Costa Gomes, sem antes o apresentarem no Conselho da Revolução. Dizem recusar tanto as vias totalitárias como as sociais-democratas. Defendem a construção de uma sociedade socialista, mas em ritmos adequados à realidade social concreta portuguesa. Apontam para uma transição gradual sem convulsões e pacífica (7 de Agosto).

Manifestação de Braga – D. Francisco Maria da Silva proclama: queremos autoridades mandatadas pelo povo como seus representantes e não como tutores. Cerca de cem mil pessoas saem à rua e o arcebispo, sem papas na língua, é comicieiramente anticomunista (10 de Agosto). Assaltadas sedes do PCP em Braga, Monção, Porto e Trofa. Comité central do PCP reúne em Alhandra.

Manifestações em Leiria e Vila Real de apoio ao Episcopado. Em Leiria, cerca de 20 000 pessoas em defesa da liberdade e da Igreja Católica. Intervenção do bispo D. Alberto Cosme do Amaral: não queremos uma Igreja algemada. (24 de Agosto).

Governo nº 108, V Governo Provisório de Vasco Gonçalves (8 de Agosto, 42 dias). Teixeira Ribeiro assume as funções de Vice-Primeiro Ministro, juntamente com Arnão Metelo. Vasco Gonçalves reconhece ser uma medida transitória, um governo de passagem, uma pausa política.

Outros ministros são Oliveira Sá, Cândido de Moura, Oliveira Baptista, Pereira de Moura, Domingos Lopes, Macaísta Malheiros, Correia Jesuíno, Silvano Ribeiro, José Emílio da Silva e José Joaquim Fragoso.

Documento da 5ª Divisão apoia o Documento do COPCON. O agitador cunhalista Varela Gomes sai da 5ª Divisão (15 de Agosto).

Vários comandantes de unidades militares da Região Militar do Norte reúnem sem o conhecimento de Eurico Corvacho e decidem entrar em prevenção rigorosa, apoiando o Documento dos Nove (17 de Agosto).

O frustrado governo Fabião – Reunião em S. Julião da Barra de oficiais do grupo dos Nove e do COPCON, presidida por Costa Gomes. Decidida a criação de sexto governo provisório, a ser presidido por Carlos Fabião (19 de Agosto). Vítor Alves, Vasco Lourenço e Melo Antunes reúnem-se com Carlos Fabião, tendo em vista a organização de um novo governo, apoiado por Costa Gomes (20 de Agosto). Nova reunião no Restelo entre o Grupo dos Nove e homens do COPCON. Não chegam a acordo, a não ser quanto à oposição comum ao governo de Vasco Gonçalves (22 de Agosto). Reunião de vários elementos do MFA, do Conselho da Revolução e do COPCON em S. Julião da Barra com Costa Gomes onde se não aprova o Documento dos Nove (24 de Agosto).

Carta de Otelo a Vasco Gonçalves: o companheiro Vasco tem de ser dispensado... é o MFA que tem de assumir as suas responsabilidades. Peço-lhe que descanse, repouse, serene, medite e leia (20 de Agosto).

Jornal A Luta – Surge o jornal A Luta dirigido por Raúl Rego e mobilizando antigos jornalistas da República afectos ao PS. Isto é, um grupo que recebe grande parte da herança político-cultural de Afonso Costa e que fazia o jornal fundado por António José de Almeida, restaura agora o título do jornal fundado por Brito Camacho, como que congregando a herança dos três partidos em que se sustentou inicialmente o regime da Primeira República. O director adjunto é Vítor Direito e o chefe de redacção, João Gomes. Entre os colaboradores, Álvaro Guerra, Maria Antónia Palla, Rocha Vieira, José Pedro Castanheira, Miguel Sousa Tavares e Helena Marques (25 de Agosto).

 

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©  José Adelino Maltez, História do Presente (2006)

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: