1975
 

Janeiro
O regresso de Deng

 

 

Congresso norte-americano adopta o Trade Bill, autorizando o Presidente a negociar na base da redução de 69% de taxas aduaneiras (Janeiro)

Deng Xiaoping* torna-se Chefe de Estado Maior do Exército (29 de Janeiro)

 

 

 

O orçamento comunitário passa a ser financiado integralmente por recursos próprios (1 de Janeiro)

Aprovado no Parlamento Europeu o projecto Patijn sobre método de eleição directa (14 de Janeiro)

 

Da via socializante ao PREC. O último sinal de moderação dado pelo comando do processo revolucionário está no chamado Plano Económico de Transição, elaborado por uma equipa coordenada pelo major Melo Antunes e concluído em Janeiro de 1975, quando se desencadeia a questão da unidade sindical, isto é, da criação por via legal de uma central sindical única (21 de Janeiro), com o óbvio apoio dos comunistas e dos seus aliados. Só a partir de então é que o Partido Socialista trata de abandonar o comboio da revolução, passando a assumir-se como o partido das liberdades contra o avanço comunista. Assim, o partido de Mário Soares e Salgado Zenha promove uma aliança com os militares anti-gonçalvistas do MFA, depressa assumindo a ruptura com o que é designado por PREC, isto é, o processo revolucionário em curso. Depois da chegada da Lisboa de um novo embaixador norte-americano, Frank Carlucci (17 de Janeiro), os novos poderes estabelecidos mostram a sua verdadeira face quando, por omissão, admitem que o Congresso do CDS que, então, se realiza no Palácio de Cristal do Porto seja boicotado por uma populaça aparentemente comandada por grupos da extrema-esquerda, com destaque para Pedro Baptista, companheiro ideológico de José Pacheco Pereira e que, depois de arrependido pela matura idade, se há-de tornar deputado do PS (26 de Janeiro). O processo que até então se considera meramente socializante, vai, em breve, assumir-se como inequivocamente socialista. Conforme declara a Comissão coordenadora do programa do MFA numa conferência de imprensa dada no último dia do ano de 1974, a via é socializante, como transparece do próprio Programa do MFA, mas ou o capital colabora nessa mesma via ou ela terá forçosamente de se transformar em socialista.

Unicidade sindical – Artigo de Francisco Salgado Zenha no Diário de Notícias contra a programada unicidade sindical (7 de Janeiro). Conselho Superior do MFA manifesta-se pela unicidade sindical, por unanimemente. PS assume-se formalmente contra a unicidade sindical (13 de Janeiro). MES, MDP e PCP promovem manifestação a favor da proposta comunista, diante do Ministério do Trabalho. O Ministro comparece e faz discurso a favor da unicidade (14 de Janeiro). Comício do PS no Pavilhão dos Desportos de Lisboa contra a unicidade sindical. Discurso de Francisco Salgado Zenha contra o PCP e a Intersindical (16 de Janeiro). Aprovada a unicidade sindical em Conselho de Ministros (20 de Janeiro). Nessa reunião há também uma decisão sobre a expropriação das terras de regadio das grandes propriedades. Aprovada com votos contrários dos ministros do PS e do PPD.

Esquerda revolucionária – Realiza-se em Lisboa o I Encontro dos Cristãos pelo Socialismo (4 de Janeiro). Manuel Serra funda a Frente Socialista Popular, confirmando a saída do Partido Socialista, pensando poder mobilizar os 44% de militantes revolucionários, da classe trabalhadora (9 de Janeiro). A gota de água que provoca a cisão é o artigo de Salgado Zenha contra a unicidade sindical (9 de Janeiro). Criado o Partido Revolucionário dos Trabalhadores que passa a editar o jornal Combate Socialista (31 de Janeiro)

 

Direita – Fundação oficial do Exército de Libertação de Portugal em Espanha (6 de Janeiro). José Miguel Júdiceö depois de estar preso em Caxias durante três meses e meio é posto em liberdade, regressando a casa, à Quinta das Lágrimas em Coimbra (9 de Janeiro). Congresso do PDC na Figueira da Foz elege Sanches Osório como secretário-geral. O Congresso é interrompido, depois do comandante região militar do Centro o solicitar, por se admitirem incidentes a provocar pelo MRPP (1 de Fevereiro).

Começa a Operação Nortada, que irá prolongar-se até ao dia 28. Campanha de Dinamização Cultural levada a cabo pelo Regimento de Comandos no Nordeste, dirigido, então por Matos Gomes. Colaboram Ramiro Correia, Faria Paulino e Dinis de Almeida (13 de Janeiro).

Democratas contra a vontade popular – Orlando de Carvalho declara ao Expresso que qualquer força se legitima sobretudo pela sua correspondência efectiva às necessidades populares que não somente a vontades populares que a controlam apenas no momento da eleição (25 de Janeiro). O brilhante professor que, de militante católico, passara a instrumento dos comunistas, manchará, depois, a sua magnífica criatividade retórica na defesa dos direitos da personalidade, quando justifica e defende a restauração da pena de morte em Angola, levada a cabo pelo regime pró-soviético do MPLA. Também não consta que o mesmo se tenha insurgido contra a expulsão da universidade de vários estudantes, acusados de militância de direita.

Assinatura do Acordo de Alvor entre os partidos armados angolanos, FNLA, MPLA e UNITA, e Governo Português. Marcada a data da independência para 11 de Novembro (15 de Janeiro).

Frank Charles Carluci. Chega a Lisboa o novo embaixador norte-americano, Frank Charles Carluci, diplomata de carreira, até então sub-secretário da saúde de Nixon, substituindo o anterior titular, Stuart Nash Scott (17 de Janeiro). O mandato que traz para a contenção da onda comunista passa por transformar Mário Soares no principal aliado e no pólo federador do grande partido anticomunista.

Mesquinhez, ódios e vinganças – Artigo de Vitorino Magalhães Godinho na Vida Mundial, critica a hipótese do MFA, ao institucionalizar-se, transformar-se em órgão de soberania ou de governo. Fala num clima de mesquinhez, tinto de ódios, de vinganças miudinhas... neste momento não existem em Portugal bases a sério, seja em que sector for; existem maiorias impreparadas e perplexas, manejadas por grupúsculos cujo cérebro está atafulhado de "slogans" decorados e não acostumados a pensar por si próprios (30 de Janeiro).

Chile, Peru e Checoslováquia – Jean-François Revel em L’Express, considera que Portugal era um terço do Chile, um terço do Peru e um terço da Checoslováquia...

I Congresso do CDS Começa o I Congresso do CDS no Porto, no Palácio Cristal (22 de Janeiro) Extrema-esquerda, então liderada pelo futuro deputado do PS, Pedro Baptista, boicota o Congresso (25 de Janeiro). Apenas termina à porta fechada em Lisboa no dia 21 de Fevereiro.

 

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©  José Adelino Maltez, História do Presente (2006)

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: