1975
 

Setembro
Execução de terroristas em Espanha

 

 

 

Execução de cinco militantes da FRAP e da ETA em Espanha (28 de Setembro)

Greve geral no País Basco (28 de Setembro)

Sihanuk volta ao Cambodja (9 de Setembro)

CEE reconhece a República Popular da China (15 de Setembro)

Tempo dos moderados – Em Setembro, dá-se uma alteração de forças no comando do processo revolucionário, quando a assembleia do MFA realizada em Tancos opta pelo afastamento de Vasco Gonçalves, gerando-se um sexto governo provisório, com a presidência do Almirante Pinheiro de Azevedo, que toma posse no dia 19 de Setembro. O processo revolucionário passa a perder fulgor a partir de então, entrando em regime de lume brando. O novo governo, ainda participado pelos comunistas, mas agora revestidos de pele tecnocrática, com o ministro do Equipamento Social, Veiga de Oliveira, vai agora ter o papel de amortecedor revolucionário. O Partido Comunista deixa de ser o principal controleiro do processo, a partir do centro do aparelho de poder pelo que desencadeia importantes acções directas, principalmente no domínio da ocupação de terras, rivalizando com a extrema-esquerda que chega mesmo a levar a cabo um assalto, seguido de incêndio, à Embaixada de Espanha (26 de Setembro).

Assembleia do MFA de Tancos decide-se pelo afastamento de Vasco Gonçalves. Este também renuncia a CEMGFA, dada a oposição da maioria dos comandos. Saem do Conselho da Revolução nove membros afectos a Vasco Gonçalves (Eurico Corvacho, Pinto Soares, Ramiro Correia, Pereira Pinto, Costa Martins, Graça Cunha, Ferreira de Sousa, Ferreira Macedo e Miguel Judas). O Conselho fica reduzido a 19 membros (5 de Setembro). Primeira reunião do novo Conselho da Revolução em Belém sob a presidência de Costa Gomes. Regresso de Melo Antunes e de mais sete conselheiros do ex-grupo dos Nove, face à saída de Vítor Alves. Criticada a extrema-esquerda (6 de Setembro)

Governo pede a demissão em 6 de Setembro. Costa Gomes aceita-a no dia 8. Publicada a 12.

 

Armas em boas mãos. Capitão Álvaro Fernandes desvia do depósito de material de guerra de Beirolas 10 000 metralhadoras G3 que entrega ao PRP, de Carlos Antunes e Isabel do Carmo (10 de Setembro). Passa, depois, à clandestinidade (23 de Setembro). Otelo, ao regressar de uma viagem à Suécia, desde o dia 20, declara que as armas estão em boas mãos (25 de Setembro).

Mudanças nas chefias militares – Pinto Soares retoma a direcção da Academia Militar (11 de Setembro). Pires Velosoö substitui Eurico Corvacho no comando da Região Militar do Norte (12 de Setembro)

Criação dos SUV num pinhal, na estrada de Braga-Porto. O movimento assume-se contra os reaccionários nos quartéis e os oficiais burgueses (6 de Setembro). Emitido o primeiro comunicado da frustrada organização leninista, logo no dia 8. Primeira manifestação decorre no Porto no dia 10. No dia 11 manifestação em Lisboa (06 de Setembro).

Contra a reacção e o fascismo. Em comício do PCP em Lisboa, Jaime Serra, antigo dirigente da ARA, afirma que o inimigo principal já não é a social-democracia (leia-se PS), mas a reacção e o fascismo, manifestando assim um recuo na chamada táctica do salame. Criados os SUV de Évora. SUV manifestam-se em Lisboa com o apoio do MES e da LCI (25 de Setembro)

Estrela de cinco pontas. Capitão Faria Paulino entrevistado pelo Diário de Notícias considera que Portugal, mesmo que não queira, terá bordada na sua bandeira uma estrela de cinco pontas (17 de Setembro)

 

Governo nº 109, o VI Governo Provisório de Pinheiro de Azevedoö , desde 19 de Setembro, 308 dias. Entre os ministros: Vasco Almeida Costa (MFA), na administração interna, Lopes Cardoso (PS), na agricultura, Rui Machete (PPD), nos assuntos sociais, Jorge Campinos (PS), no comércio externo, Magalhães Mota (PPD), no comércio interno, Almeida Santos, na comunicação social, Vítor Crespo (MFA), na cooperação, Vítor Alves (MFA), na educação, Salgado Zenha (PS), nas finanças, Eduardo Pereira (PS), na habitação e urbanismo, Walter Rosa (PS), na indústria, Pinheiro Farinha (ind.), na justiça, Melo Antunes (MFA), nos negócios estrangeiros, Veiga de Oliveira (PCP), nas obras públicas, Tomás Rosa (MFA), no trabalho, e José Augusto Fernandes (ind.), nos transportes e comunicações.

O novo gabinete, face à ausência de parlamento e de controlo constitucional, quase reveste uma feição de pequeno parlamento, nomeadamente quanto à produção legislativa, com activa disputa entre o comando político dos três principais partidos que o integram. No gabinete coordenador do PPD, junto do ministro Magalhães Mota, surgem os jovens adjuntos Guilherme de Oliveira Martins, António Rebelo de Sousa e o próprio autor destas linhas. No do PS, junto do ministro Salgado Zenha, destaca-se a capacidade organizativa do chefe de gabinete, António Guterres. No do PCP, junto do ministro Veiga de Oliveira, salienta-se o papel de Luís Sá.

Manifestação dos SUV no Porto. Cerca de 1 500 soldados fardados contra o VI governo. Fabião e Charais são acusados de quererem acabar com a revolução (21 de Setembro). Manifestação dos SUV em Lisboa com apoio da Associação dos Deficientes das Forças Armadas. Ocupam emissores e ponte sobre o Tejo. Sequestram o governo durante seis horas e barricam-se junto ao Palácio de Belém. Em defesa do governo, manifesta-se o Regimento de Comandos da Amadora (22 de Setembro).

Bomba na messe da Marinha em Cascais onde dormia Pinheiro de Azevedo (21 de Setembro)

Criada uma Acção Revolucionária dos Praças do Exército (24 de Setembro).

Governo decide retirar ao COPCON poderes para o restabelecimento da ordem pública (25 de Setembro).

Manifestantes, mobilizados pela Associação dos Deficientes das Forças Armadas, ocupam a Emissora Nacional (25 de Setembro). Deixam as mediáticas e dramáticas próteses à porta do Regimento de Comandos da Amadora (28 de Setembro)

Assalto à Embaixada de Espanha. Invoca-se um protesto contra cinco bascos executados (26 de Setembro).

Manifestações da FUR em Évora e em Beja (28 de Setembro). Manifestação da FUR em Lisboa contra ocupação das estações de rádio (29 de Setembro).

O Fidel de Castro da Europa – Otelo promete desocupar estações de rádio, mas é vaiado pelos manifestantes (29 de Setembro). Declara então: tenho falta de cultura política. Se tivesse essa cultura que não tenho poderia ter sido um Fidel de Castro da Europa (30 de Setembro)

Apreendido material de guerra na sede do MES em Santarém (28 de Setembro)

Manifestação em Lisboa de apoio ao VI Governo Provisório, apoiada pelo PS e PPD. Defende-se a lei e ordem (30 de Setembro) Associação dos Deficientes das Forças Armadas volta a ocupar a Emissora Nacional (30 de Setembro)

 

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©  José Adelino Maltez, História do Presente (2006)

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: