
Encontro entre Gerald Ford e Mao Tsetung em Pequim (2 de Dezembro)
Comando árabe toma como reféns quarenta pessoas reunidas na OPEP,
entre as quais dez ministros; serão libertados em Argel, dois dias
depois (21 de Dezembro)
Fernandez Miranda eleito presidente das Cortes (2 de Dezembro)
Arias Navarro* confirmado na chefia do governo (5 de Dezembro)
Formado novo governo em Espanha; Fraga Iribarne na Justiça (12 de
Dezembro)
Arcebispo de Madrid defende o pluralismo político (15 de Dezembro)

Conselho Europeu decide a organização das primeiras eleições
europeias por sufrágio universal para o Parlamento Europeu; fixadas as
primeiras leições para a primavera de 1978; prevista a passagem da
Europa dos Estados e dos funcionários à Europa dos Cidadãos
(1 a 2 de Dezembro)

Em 2 de Dezembro, termina o período de estado de sítio. Há reunião da Assembleia Constituinte. PS, PPD e CDS acusam PCP de envolvimento no golpe. PPD põe em causa a participação dos comunistas no governo, defendida pelo PS. Os três defendem a revisão do Pacto MFA/Partidos. Eanes visita o Porto.
No dia 3, são suspensos 35 funcionários da rádio e da RTP, implicados no 25 de Novembro
Militares de regresso aos quartéis – No dia 6, Ramalho Eanes toma posse como Chefe de Estado-Maior do Exército. Diz querer fazer dele uma força apartidária e uma instituição nacionalmente prestigiada, intimamente ligada ao povo que deve servir. Vasco Lourenço também é empossado como
Comandante da Região Militar de Lisboa. Os moderados assumem assim as rédeas do cavalo do poder político-militar e prometem fazer regressar os militares aos quartéis. Cumprirão o prometido.
Relatório das Sevícias – No relatório elaborado em 8 de Novembro de 1976, a Comissão de Averiguação de Violências sobre Presos Sujeitos às Autoridades Militares, reconhece-se que centenas de portugueses foram sujeitos a prisões arbitrárias, viam-se privados de garantias
judiciárias, sofreram torturas físicas e morais e tornaram-se ainda vítimas de outros tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes. A comissão, nomeada por Ramalho Eanes, é presidida pelo brigadeiro Henrique Calado, tinha, entre outros, a presença do juiz António Gomes Lourenço Martins e dos
advogados Ângelo Vidal de Almeida Ribeiro e Francisco de Sousa Tavares. Pronuncia-se fundamentalmente sobre os factos ocorridos entre 11 de Março e 25 de Novembro de 1975, reconhecendo que as prisões, algumas vezes com mandatos de captura assinados em branco resultaram de denúncias de organizações
partidárias e sindicais, de gabinetes ministeriais e do SDCI. As torturas foram praticadas no RALIS e no Regimento de Polícia Militar.
II Congresso do PPD em Aveiro, no Cine-Teatro (dias 6 a 8 de Dezembro). Saem do partido Emídio Guerreiro, Mota Pinto, Carlos Macedo, José Augusto Seabra, Júlio Castro Caldas, José Ferreira Júnior, Jorge Sá Borges, Vasco Graça Moura, Miguel Veiga e Alexandre Bettencourt. Segundo um
participante afecto à linha mota-pintista, aquele congresso tinha a exaltação de um comício e a devoção de uma procissão... ali havia dedo da Católica. No dia 11, vinte e um deputados dissidentes do PPD decidem constituir-se em grupo parlamentar independente liderado por Mota Pinto.
Jornais e livros da pós-revolução – Surge o primeiro número do jornal O Dia, sob a direcção de Vitorino Nemésio e David Mourão Ferreira (11 de Dezembro). Constituído, fundamentalmente, pelos jornalistas saneados por José Saramago do Diário de Notícias. Retoma a publicação o
Jornal do Comércio, tendo Luís Salgado de Matos como director. Aparecem à venda os livros de Sanches Osório, O Equívoco do 25 de Abril e de Fernando Pacheco de Amorim, Portugal Traído. Diário de Notícias volta à regularidade
editorial, agora dirigido por Vítor Cunha Regoö , com Mário Mesquita a subdirector (19 de Dezembro). Rádio Renascença regressa ao controlo da Igreja Católica (28 de Dezembro). Jornal O Século retoma a publicação dirigido por Manuel Magro.
Spínola é entrevistado por Fernando Barradas do Comércio do Porto em Bayonne (29 de Dezembro).
Plenário de agricultores em Rio Maior, com a presença de Jaime Neves. Reunidos 60 000 militantes. Ataques de José Manuel Casqueiro à lei da reforma agrária e ao ministro Lopes Cardoso (12 de Dezembro).
Intervenção socialista – Jornal Novo publica o manifesto do grupo Intervenção Socialista, que une os ex-MES, liderados por Jorge Sampaio que pretende pensar o caminho e o modo de construção do socialismo democrático e que quer intervir pensando o socialismo. Por
outra palavras, antigos compagnons de route da esquerda revolucionária, simbolizada por Carlos Antunes, preparam uma viagem mítica que os há-de conduzir à liderança da democracia pluralista, a que tardaram a aderir. Tal como antigos militantes comunistas
que apoiaram o cerco à Constituinte, se hão-de converter nos papas do constitucionalismo. E todos se condecorarão mutuamente, não faltando sequer o discreto tique das memórias do quase adolescente totalitarismo, quando alguns tratam de invocar a necessidade de uma espécie de
caça às bruxas fascistas, como tal qualificando os que, na altura, deram a vida pelo pluralismo contra o comando comunista do PREC. Nem por isso deixam de aliar-se a antigos ministros de Salazar, ainda no activismo, porque alguns deles até descendem
directamente de ministros da Ditadura, ou são filhos de directores-gerais e de outras figuras gradas ao salazarismo. A respectiva coragem antifascista teve sempre esta espécie de seguro de vida boa, que lhes garantiria um exílio doirado. Daí que o respectivo antifascismo
platónico nunca tenha passado as raias do revolucionarismo armado, até porque sempre reconheceram a falta de condições objectivas para o triunfo da revolução, com as consequentes crises de choro.
Violência anticomunista – Bomba contra sede do PCP em Vila Nova de Famalicão (4 de Dezembro). Tiros contra sede do PCP em Vila Nova de Famalicão (15 de Dezembro). Incendiada a da UDP em Braga (18 de Dezembro). Bombas contra instalações do PCP em
Freamunde e Póvoa do Varzim (23 de Dezembro) e contra livraria comunista em Vila Nova de Gaia (25 de Dezembro).
Europa connosco – Mário Soares desloca-se a Bona, Estocolmo, Oslo e Londres, de 15 a 20 de Dezembro. Na Alemanha encontra-se com Willy Brandt e Helmut Schmidt, pedindo ajuda financeira tanto para Portugal como para o Partido Socialista.
Congresso do PDC em Leiria. Silva Resende é o novo secretário-geral (16 de Dezembro).
Os novos equilíbrios do poder – Encontro entre membros do Conselho da Revolução e dos partidos para a revisão do Pacto (16 de Dezembro). Vasco Gonçalves é demitido de director do Instituto de Altos Estudos Militares (20 de Dezembro). Diploma sobre perdão e amnistia para infracções militares
posteriores ao 25 de Abril (22 de Dezembro). Kaúlza de Arriaga e Arnaldo Schultz passam de Caxias para a Trafaria, onde continuam detidos (22 de Dezembro). Extinção do Tribunal Militar Revolucionário (23 de Dezembro).
As resistências – Manifestação em Custóias contra a detenção dos implicados no 25 de Novembro (21 de Dezembro). Vigília em Custóias, contra as detenções do 25 de Novembro (24 de Dezembro).
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