1975
 

Maio
A luta contra o Baader-Meinhof

 

 

Prossegue o processo contra o grupo Baader-Meinhof em Estugarda

Continuam assassinatos de opositores na Argentina

Gerald Ford visita Madrid (30 de Maio)

Reúne em Bruxelas o Conselho da NATO

Desunião no 1º de Maio – Nas manifestações unitárias do 1º de Maio, Mário Soares é impedido de aceder à tribuna do antigo estádio da FNAT em Lisboa, sendo atacado a murro por militantes do PCP. Discursos de Costa Gomes e de Vasco Gonçalves. Incidentes entre o PS e o PCP. Grupos de extrema-esquerda fazem comemoração independente.

O Jornal – Surge o primeiro número do O Jornal, dirigido por Joaquim Letria. Há-de ser o braço intelectual dos chamados oficiais moderados do MFA, liderados por Melo Antunes (1 de Maio).

Constituído o MDLP Constituído o MDLP, organização oposicionista no exílio, dominada pelos spinolistas, tendo activo apoio de políticos da direita no exílio madrileno, com destaque para o antigo ministro Cotta Dias e para o jovem assistente universitário de Coimbra, José Miguel Júdice, acompanhado por António Marques Bessa (5 de Maio). Na ala militar, destaque para Alpoim Calvão, Almeida Bruno, Rebordão de Brito e Banjamim Abreu. O movimento tem o apoio de Manuel Cordo Boullosa e Spínola conta com a actuação de Veiga Simão, então nos Estados Unidos, onde terá apoios da CIA e a discreta ajuda de David Rockefeller. No Brasil, espera-se muito da acção de Carlos Lacerda e de Golbery do Couto e Silva. Já outros exilados em terra de Vera Cruz não parecem susceptíveis de aliciamento, como é o caso de Adriano Moreira que Spínola sempre considerou o campeão das ultrapassagens políticas. Surge também um ELP, dito Exército de Libertação de Portugal, a que não terão sido estranhas as movimentações de Esteves Pinto, Sanches Osório e Francisco Van Uden. Há também discretos contactos com a FNLA de Holden Roberto que promete aos operacionais contra-revolucionários algumas facilidades quanto ao fornecimento de armamento. Estes grupos têm discretas ligações ao grupo militar do interior, formado em Junho de 1975, em torno de Ramalho Eanes, Alípio Pinto, Loureiro dos Santos e Vasco Rocha Vieira.

Guerra civil em Angola – Começa a guerra civil em Angola, com confrontos entre o MPLA e a FNLA (12 de Maio). E a guerra ia alastrar. A guerra mesmo guerra, esse ódio de matar antes que te matem. As violações mais odientas, as torturas mais inconcebíveis, as perseguições, os incêndios e as rapinas. E chegam notícias de Luanda dando conta que a cidade nem sequer tem tempo para enterrar os próprios cadáveres.

Retornados – Em Lisboa, os ecos vão lavrando através dos refugiados e espoliados, a quem se vai dando a eufemística designação de retornados, mesmo que parte significativa deles nunca cá tivesse estado, porque haviam nascido e crescido naquela terra que, para eles, era tão pátria como para os que agora se matavam, apenas divergindo quanto à maneira de a servir. Há entre muitos desses que desembarcam inúmeras pessoas ditas de etnia africana, mas que infelizmente se sentem tão portuguesas como os que agora os recebem. E brancos, negros e mestiços vão espalhando-se por todo o país, levando as tristes novas do horror que os seus olhos viram, que as suas mãos sentiram. Falam de crianças que vagueiam pelas cidades chorando os pais mortos. De filhas violadas diante dos próprios pais e irmãos. De cadáveres esquartejados, de muito sangue e até de algum desespero canibal. E Luanda crioula, Luanda amada, transforma-se em nome de guerra. A guerra civil, uma das mais violentas formas de guerra, lá se vai consumindo, em nome de ideais, por causa de ideais antigo, instrumentalizada por não-ideais futuros.

Maniqueísmo – Vasco Gonçalves visita à Sorefame: só há duas posições, ou estamos na revolução ou estamos contra a revolução... Não há meio caminho (17 de Maio). Confirma-se o que denunciara Eduardo Lourenço no Expresso, em 3 de Maio, criticando os excessos do PREC: o maniqueísmo cego que neste momento mutuamente nos cega e nos desnorteia

Caso República – O jornal é fechado e passa a ser publicado pelos trabalhadores não-jornalistas. Raúl Rego é afastado, sendo substituído por Belo Marques. Acusam o jornal de ser órgão oficioso do PS. Rosa Coutinho defende um MFA civil (19 de Maio) Reaparece o jornal República sem Raúl Rego. O novo director é o coronel Pereira de Carvalho. O PS retira os ministros do governo (10 de Julho).

 

Emídio Guerreiro no PPD. Emídio Guerreiro novo secretário-geral do PPD. Sá Carneiro, que chega a Lisboa no dia 24, para assistir ao Conselho Nacional, instalando-se em casa de Rui Machete, segue logo depois para Londres e antes de regressar a Portugal, passa a residir em Espanha, nos arredores de Torremolinos, onde vai recuperar. Guerreiro vence as candidaturas de Magalhães Mota e Mota Pinto (25 de Maio).

Ofensiva contra o MRPP – COPCON define o grupo como seita religiosa e desencadeia assalto a sedes deste partido (28 de Maio). Vasco Gonçalves chega a observar que é necessário reprimir o MRPP, reprimir a sério. Otelo Saraiva de Carvalho justifica a acção para evitar um banho de sangue no 1º de Maio. Cerca de 400 prisões em Pinheiro da Cruz e Caxias. O movimento atinge uma dimensão especial entre as elites lusitanas, bastando atentarmos entre os foram afectados por tal experiência. Entre os futuros PSD, temos José Manuel Durão Barroso, Agostinho Branquinho, José Briosa e Gala ou José Freire Antunes. Dos PS, constam nomes como José Lamego, Ana Gomes, Maria João Rodrigues, Vítor Ramalho e Carlos Beja. Hostoriadores iluminados pela matriz tanto são Fernando Rosas, futuro intelectual condutor do Bloco de Esquerda, como António José Telo. Jornalistas são Diana Andringa, João Isidro ou Teresa de Sousa. Não faltam outros como Saldanha Sanches e a esposa, Maria José Morgado, bem como Romeu Francês ou Afonso de Albuquerque.

Semanário Tempo – Inicia a publicação o semanário dirigido por Nuno Rocha e que vai ser uma das vozes contrárias ao PREC (29 de Maio).

 

Janeiro Fevereiro Março
Abril Maio Junho
Julho Agosto Setembro
Outubro Novembro Dezembro

Ver síntese do ano

 

 

 

©  José Adelino Maltez, História do Presente (2006)

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: