1975
 

Julho
Relatório Bertrand e aquece o Verão Quente em Portugal

 

 

Nova constituição grega (11 de Julho)

Primeira missão espacial conjunta entre os EUA e a URSS (17 de Julho)

Fanfani demite-se de secretário-geral da DCI; será substituído por Benigno Zaccagnini* (19 de Julho)

Tratado de Bruxelas institui um Tribunal de Contas na CEE, que entrará em vigor em1977; reforçados os poderes orçamentais da Assembleia parlamentar europeia; entrada em vigor prevista para 1 de Junho de 1977 (22 de Julho)

Cimeira franco-alemã em Bona (25 de Julho)

OEA decide levantar bloqueio contra Cuba (29 de Julho)

Parlamento Europeu adopta o relatório Bertrand sobre a União Europeia; poderes orçamentais para o Parlamento Europeu; criação de um centro de decisão europeu, independente dos governos nacionais e responsável perante o parlamento; criação de uma Câmara dos Estados; apoio dos conservadores, democratas-cristãos e socialistas, com abstenção dos trabalhistas e dos liberais dinamarqueses; voto contra dos comunistas (10 de Julho)

Franco francês volta a integrar a serpente monetária (10 de Julho)

O Verão quente – O PS é catapultado pelas circunstâncias para o próprio comando da contra-revolução, anti-gonçalvista e anticomunista, abandonando-se as últimas ilusões de restauração da mítica unidade antifascista. Depois de abandonar o governo (10 de Julho), desencadeia uma manifestação histórica em Lisboa, na Fonte Luminosa, onde o tom anti-gonçalvista e anticomunista é predominante (19 de Julho). Esta luta pelo domínio da rua vai caber à contra-revolução durante o chamado Verão Quente, culminando com a grande manifestação dos católicos em Braga (10 de Agosto), ao mesmo tempo que surgem os primeiros sinais de violência da direita, nomeadamente com uma sucessão de assaltos a sedes do partido comunista e dos movimentos da extrema-esquerda no centro e norte de Portugal. Vive-se todo um ambiente de pré-guerra civil, destacando-se a actuação de forças clandestina de direita, desde o Movimento Democrático de Libertação de Portugal, presidido por Spínola e comandado operacionalmente por Alpoim Calvão, ao grupo da Maria da Fonte que actua sobretudo na zona do Minho, tendo activa participação de Paradela de Abreu, o editor de Portugal e o Futuro.

Enquanto isto, o poder revolucionário estabelecido dá cobertura legal aos latrocínios da chamada reforma agrária (4 de Julho) e prossegue na euforia nacionalizadora, integrando no grupo Estado a CUF (19 de Agosto), as cervejeiras (30 de Agosto), a Setenave e os Estaleiros de Viana do Castelo (1 de Setembro).

Em Angola, contra as perspectivas do Acordo de Alvor, dá-se início a uma longa guerra civil (30 de Junho), enquanto ocorrem as independências de Cabo Verde (5 de Julho) e de São Tomé e Príncipe (12 de Julho).

Independências das ex-colónias – Proclamada a independência de Cabo Verde. Vasco Gonçalves entrega o poder ao PAIGC (5 de Julho). Independência de S. Tomé e Príncipe. Rosa Coutinho entrega o poder ao MLSTP (12 de Julho)

A revolução devorando os próprios filhos – D. António Ferreira Gomes, no jornal da diocese do Porto, Voz Portucalense, proclama que não é devorando os seus filhos que as revoluções se alimentam e se salvam. Não é com saneamentos irracionais e ritualizados que se faz a catarse nacional e a purificação da sociedade portuguesa (5 de Julho).

Manifestação da Fonte Luminosa (19 de Julho). Gigantesca manifestação do PS na Fonte Luminosa mobiliza cerca de 100 000 pessoas. Há barragens de controlo popular à entrada de Lisboa, com tropas do COPCON.

Temores europeus – Governo francês decide vetar auxílio a Portugal, invocando o facto de assim se estar a apoiar uma coligação socialista-comunista. Conselho da CEE lança ultimato ao governo português: a CEE, tendo em conta a sua tradição política e histórica, só pode dar o seu apoio a uma democracia pluralista (17 de Julho).

Força, força, companheiro Vasco – Começa a campanha da 5ª Divisão. Lançado o slogan Força, força, companheiro Vasco e um cartaz de João Abel Manta com o dístico MFA/POVO/VASCO (19 de Julho). No dia anterior, pode ler-se, num comunicado do PCP: é necessário cortar o passo à reacção! é necessário levantar barragens para impedir qualquer marcha sobre Lisboa

O povo já não está com o MFA Costa Gomes reconhece que o povo já não está com o MFA, que a revolução tem de ser realista e não hostilizar o Ocidente. Otelo continua em triunfal visita a Cuba. Melo Antunes, Vítor Alves e Vítor Crespo não estão presentes (25 de Julho).

 

Janeiro Fevereiro Março
Abril Maio Junho
Julho Agosto Setembro
Outubro Novembro Dezembro

Ver síntese do ano

 

 

 

©  José Adelino Maltez, História do Presente (2006)

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: