1951
 

Junho
PCF com 26% e últimas condenações de Nuremberga

 

 

Vitória eleitoral dos sociais-cristãos na Bélgica (8 de Junho)

Parlamento federal alemão aprova a entrada no Conselho da Europa (10 de Junho)

A RFA é admitida na UNESCO (21 de Junho)

Ocorrem as últimas execuções de oficiais SS, condenados pelo Tribunal de Nuremberga (7 de Junho)

Eamon De Valera*, do Fianna Fail, regressa ao poder, até1954 (13 de Junho)

Eleições francesas; crescimento eleitoral do PCF (26% e 97 deputados) e do RPF (21% e 117 deputados); os socialistas da SFIO obtêm 106 deputados, o MRP, 88 e os radicais socialistas, 76 (17 de Junho)

Eleições na Finlândia; vitória dos socialistas e dos agrários, com recuo dos comunistas (8 de Julho)

União Nacional lança a candidatura de Craveiro Lopes (1 de Junho), proposta por Santos Costa a Salazar. Chegou a ser sondado o general Afonso Botelho, que recusa. Também foram falados outros militares, como Aníbal Passos e Sousa, Fernando Pereira Coutinho e Miguel Pereira Coutinho. Marcello Caetano chegou a ponderar, na altura, a candidatura de Américo Tomás.

Candidaturas da oposição (3 de Junho). Anunciadas as candidaturas de Quintão Meireles (segundo o SNI apoiada por situacionistas descontentes) e de Rui Luís Gomes, apoiada pelo MND, pelo MUD Juvenil e pelos comunistas. Partido Republicano não apoia nenhum. Norton de Matos sugerira a de Egas Moniz, que, entretanto, recusa.

Quintão Meireles é apoiado por Sérgio, Cabeçadas, Vieira de Almeida, Aquilino Ribeiro, Vasco de Carvalho, António Maia, Mário Pessoa, David Neto, Acácio Gouveia, Cunha Leal, Augusto da Fonseca, Teófilo Carvalho Santos, Rolão Preto e Henrique Galvão. A candidatura é marcada pelo estilo combativo de Cunha Leal e Henrique Galvão que, sem peias, denunciam a corrupção e a confusão entre o poder político e o poder económico. Promove apenas uma sessão de propaganda na Garagem Monumental ao Areeiro. No seu manifesto de 3 de Julho, considera que o país está doente; assume-se contra o partido único; e defende a integridade da pátria e da sua extensão territorial ultramarina. Critica o Partido Comunista, por ser inspirado por uma potência estrangeira. Acaba por desistir de ir às urnas em 19 de Julho.

O 28 de Maio prevertido pelo ódioA supressão de direitos ou liberdades gerou o mal estar e o temos. Hoje não há direitos, nada se obtém que não seja por favor, palavras de Mendes Cabeçadas, para quem o 28 de Maio foi pervertido por um técnico de finanças que gerou uma política de ódio e que se criaram instituições que dividem os portugueses.

Ruy Luís Gomes emite uma proclamação Ao Povo (8 de Junho). É espancado à saída de uma sessão de propaganda que se realiza em Rio Tinto (5 de Julho), antes de o Conselho de Estado o considerar inelegível (17 de Julho).

Craveiro Lopes – Salazar, em discurso proferido no Pavilhão dos Desportos, qualifica Gomes como o candidato da paz, ao serviço de Moscovo e o segundo como o candidato da pacificação, para repetir a acalmação de Ferreira do Amaral (19 de Junho). Anúncio oficial da candidatura situacionista (20 de Junho). Sessão de propaganda no ginásio do Liceu Camões (27 de Junho), com discursos de Luís Pinto Coelho, pela Mocidade Portuguesa, André Francisco Navarro, pela Legião Portuguesa, e Costa Leite, então ministro das finanças. Novo comício a 19 de Julho, no Pavilhão dos Desportos, onde é lida carta de Maurras de apoio a Salazar, mas sem que este assista. Também ocorre outro comício no Porto, no mesmo dia, presidido por Marcello Caetano.

Com a revisão constitucional (11 de Junho), surge a designação de províncias ultramarinas em vez de colónias, por influência do ministro Sarmento Rodrigues. O nome Ultramar Português passa a figurar em vez do termo Império Colonial Português. Revogado o Acto Colonial.

Emerge em Lisboa um Centro de Estudos Africanos, organização de estudantes e intelectuais, com Francisco José Tenreiro, Amílcar Cabral, Agostinho Neto, Mário de Andrade e Alda Espírito Santo. Dura até1954.

 

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©  José Adelino Maltez, História do Presente (2006)

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: