1959
 

Junho
Moscovo e Pequim acabam acordo nuclear e De Gaulle recusa instalar mísseis da NATO

 

 

Conferência de Genebra sobre a questão alemã, com os USA, o Reino Unido, a França e a URSS (11 de Maio a 20 de Junho). Adenauer que estava para se candidatar à Presidência da República prefere manter-se como chanceler, com prejuízo para Ludwig Erhard (4 de Junho)

De Gaulle recusa a construção em solo francês de rampas de lançamento de mísseis para a NATO (8 de Junho). Posição idêntica havia sido já tomada pela Islândia, Dinamarca e Noruega.

Eamon De Valera* eleito presidente da República da Irlanda (17 de Junho)

URSS denuncia acordo secreto de cooperação atómica com a RPC, que datava de 15 de Outubro1957 (15 de Junho)

Grécia pede a sua associação à comunidade (8 de Junho)

Assembleia Parlamentar Europeia aprova as conclusões da Conferência agrícola de Stresa (26 de Junho)

Os sete membros não CEE da OECE começam a estudar em Saltjosbaden, nos arredores de Estocolmo, um plano sueco sobre o desarmamento aduaneiro progressivo (1 de Junho)

 

Intentona – Estaria marcada para 2 de Junho uma revolta militar, coordenada por Delgado, mas o general, desde o dia 31 de Maio, sabia que ela tinha sido desmobilizada.

Presidente não tem programa – Não tem a União Nacional nem tem o seu candidato de apresentar um programa e a respeito dele abrir um debate inoportuno e desprovido de sentido... O candidato a Presidente da República só pode ter um programa: cumprir a Constituição e as obrigações que derivam da sua letra e do seu espírito, na obediência aos princípios que nela se consignam e na fidelidade do imperativo do bem comum que as Forças Armadas proclamaram em 28 de Maio de 1926 (Comunicado da União Nacional, sobre a candidatura de Américo Tomás)

Eleições (8 de Junho). A oposição é impedida de fiscalizar as mesas de voto. O Supremo Tribunal de Justiça proclama os resultados do sufrágio: 75% para Tomás, 23% para Delgado... Salazar desabafa para colaboradores: se a campanha de Delgado se tivesse prolongado por mais um ou dois meses, ele tinha ganho as eleições (Setembro).

Um processo subversivo – A campanha das oposições não foi propriamente de propaganda do candidato à Presidência da República, mas o desenvolvimento de um processo subversivo (Salazar).

Os inimigos da inteligência – O regime do Estado Novo é um permanente inimigo da inteligência nacional... as ditaduras, por muito que durem, são um regime sem futuro, defendendo um regime de pão e liberdade para todos (Ferreira de Castro).

Protestos contra a burla – Humberto Delgado decide criar o Movimento Nacional Independente (18 de Junho). A reunião decorre na casa de António Sérgio, participando os representantes nacionais e locais da candidatura. O movimento assume-se como organização civil de indivíduos e não de grupos, repetindo programa da candidatura de Delgado e declarando opor-se a todas as concepções totalitárias e à inclusão na sua organização de qualquer grupo, seita ou partido. Greve de protesto contra a chamada burla eleitoral iniciada no Couço e mobilizando rurais (23 de Junho). Dura cerca de 8 dias. A GNR cerca a vila e leva a cabo várias detenções.

Católicos em rebeldia – Carta do Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes a António de Oliveira Salazar, onde se tecem duras críticas à falta de autenticidade corporativista e social-cristã do regime (13 de Junho). A missiva levará, depois, o prelado ao exílio, donde só regressa com Marcello Caetano. O Bispo da Beira, D. Sebastião Soares de Resende, entra em conflito directo com Salazar e chama-lhe chefe manhoso e terrível (Setembro). Também em Maio, há uma carta dirigida por um grupo de católicos ao jornal Novidades, onde se critica o apoio dado por este órgão oficioso da Igreja Católica ao Estado Novo. Subscrita por personalidades que depois se vão destacar como militantes do PS (João Gomes, Manuel Serra, Nuno Portas), do MDP (Mário Murteira e Francisco Pereira de Moura) e do MES (Nuno Teotónio

 

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©  José Adelino Maltez, História do Presente (2006)

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: