1959
 

Janeiro
Fidel no poder e começo do mercado comum

 

 

Cuba: Triunfo da revolução castrista em Cuba. O ditador Fulgencio Batista em fuga (1 de Janeiro). Che Guevara entra em Havana (4 de Janeiro) e Fidel de Castro ascende a Primeiro Ministro (15 de Fevereiro)

No Egipto, Nasser lança uma ofensiva contra os oposicionistas, religiosos, sindicais e políticos (1 de Janeiro de 1959), sendo especialmente duro para com os comunistas

No Congo belga, depois de graves incidentes ocorridos em 4 de Janeiro de 1959, o governo belga anuncia a sua intenção de conduzir a colónia para a independência (13 de Janeiro de 1959), perante a existência de movimentos bem estruturados, nascidos em1956, quando se publicam o Manifesto de Consciência Africana e o Manifesto de Abako.

Instituída a República Federal do Mali dentro da Comunidade Francesa (17 de Janeiro)

França: Michel Debré, Primeiro Ministro (8 de Janeiro). Em França, o gaullismo institucionaliza-se com um novo governo presidido por Michel Debré, com Couve de Murville nos estrangeiros. O presidente francês que considera a Gália, como uma das três potências mundiais e, se um dia for necessário, o árbitro entre os cois campos, emite um primeiro sinal de independência face à NATO, quando decide manter, em caso de guerra, um comando nacional para os navios estacionados no Mediterrâneo (11-03-1959), enquanto Debré chega a prevenir contra a servitude face a uma nação estrangeira (15-08-1959). Este processo não obsta a que De Gaulle tanto reconheça o direito à autodeterminação da Argélia (16-09-1959) como anuncie em Dakar que a Comunidade Francesa evoluirá para um grupo de Estados independentes (13-12-1958).

Os socialistas da SFIO já não entram no governo de Michel Debré, passando para a oposição. Os 350 000 mil militantes que o partido tinha em 1946 já apenas eram 90 000 em1958, pelo que surgem várias tentativas de reorganização, nomeadamente com Mitterrand a lançar em1961 a Convenção das Instituições Republicanas. Contudo, ainda em1969, o candidato socialista à presidência, Gaston Deferre atinge a humilhante marca dos 5%.

PSI, liderado por Pietro Nenni, rompe pacto de unidade de acção que mantinha com o PCI, em Itália (26 de Janeiro). O que favorece a médio prazo a chamada abertura à esquerda da DCI provoca a imediata queda do governo de Fanfani, dado que os ministros sociais-democratas de Saragat apresentam a demissão

XXI Congresso do PCUS (27 de Janeiro a 5 de Fevereiro). Ataque às teses titistas e retórica defensora da edificação do comunismo.

Entra em vigor o Mercado Comum. São reduzidos os direitos aduaneiros entre os Seis; cerca de 10% face ao direito de base aplicado em 1 de Janeiro de 1957 (1 de Janeiro)

Robert Schuman reeleito presidente da Assembleia Parlamentar Europeia (7 de Janeiro)

O francês Louis Armand demite-se de presidente da CEEA, sendo substituído por Étienne Hirsch, em 2 de Fevereiro (14 de Janeiro)

Artigo do Pravda adverte a Áustria contra uma possível adesão ao Mercado Comum (21 de Janeiro)

Em 5 de Janeiro Henrique Galvão foge do hospital de Santa Maria. Pede asilo político na embaixada da Argentina e parte, depois, para o exílio. Transforma-se numa das figuras míticas do oposicionismo.

Marcello Caetano torna-se reitor da Universidade de Lisboa, a convite de Leite Pinto, visando a instalação de um novo campus, a chamada cidade universitária. Assim se trava o separatismo marcelista. Conforme o comentário de Marcelo Rebelo de Sousa, Salazar rejubila com a ideia de manter Caetano ligado, embora mais de longe, ao Regime e ao Governo.

 

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©  José Adelino Maltez, História do Presente (2006)

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: