Referendo italiano sobre o divórcio; 60% de votos favoráveis (12
de Maio)
Giscard d'Estaing é eleito Presidente da República em França
(19 de Maio). Chirac, Primeiro Ministro (27 de Maio)
Eleições no Luxemburgo; sociais-cristãos perdem uma hegemonia
que durava há meio século (26 de Maio).
Índia entra no clube atómico (16 de Maio)
RFA: demite-se Willy Brandt, por causa do escândalo Gunther
Guillaume (6 de Maio).
Walter Scheel eleito presidente da RFA (15 de Maio)
Helmut Schmidt* ascende a chanceler da RFA; continua a coligação
entre o SPD e o FDP (16 de Maio)

Grandes manifestações comemoram o Dia do Trabalhador.
(1 de Maio). Cerca de meio milhão de pessoas. Anunciada a constituição do MES. No dia 1 de Maio,
multidões invadem as ruas e as praças. Os cravos vermelhos consolidam-se
como símbolo de um tempo novo, ao som dos discursos de
Mário Soares e Álvaro Cunhal. O povo explode em manifestação organizada pelo
espectáculo das palavras de ordem, com um Zé povinho a vestir-se
de mariana reivindicativa, confundindo a revolução com uma grande festa.
Cunhal e Soares tentam liderar o movimento de rua e juntam-se no antigo Estádio
da FNAT, em Lisboa. Soares volta ao verbalismo demagógico e clama roucamente
contra o governo fascista e colonialista de Marcelo Caetano, dizendo que
foi hoje e aqui que destruímos o fascismo, arengando contra o baronato
político-corporativo e os agentes do imperialismo estrangeiro.
Cunhal, mais calculista, julgando repetir Lenine e o livro do processo
histórico, fala na revolução do 25 de Abril e apela para a unidade da
classe operária e das forças democráticas, clamando contra a guerra. E, num
gesto ensaiado, termina o discurso abraçado a um marinheiro e a um soldado,
desprezando a tal unidade antifascista das forças democráticas. Pereira de Moura
fica ao lado e de lado. A transmissão em directo do espectáculo do povo unido
começa engasgada nessa cena de palco, bem ensaiada.
Partidos – Criado o Movimento de Libertação da Mulher
(30 de Abril). Anunciado um Partido Cristão Social Democrata, donde vai surgir o
PDC (5 de Maio). Comunicado anuncia Partido Popular Democrático (5 de
Maio). Surge o Movimento Federalista (6 de Maio). A FPLN, também em comunicado,
anuncia a constituição de comités populares 25 de Abril (8 de Maio). Surge
oficialmente o Movimento da Esquerda Socialista (9 de Maio). Constituído o
Partido da Democracia Cristã (10 de Maio). Causa Monárquica anuncia não querer
transformar-se em partido e suspende a publicação de O Debate, o semanário
de doutrinação monárquica, dirigido por Jacinto Ferreira (11 de Maio).
Vários diplomas sobre a estrutura constitucional provisória,
nova amnistia militar (14 de Maio) e fim da censura aos espectáculos.
Spínola proclamado presidente da república em
cerimónia solene realizada no Palácio de Queluz (15 de Maio)
Governo nº 104 de Adelino da Palma Carlos,
desde 16 de Maio, tendo como ministros, entre outros, Álvaro Cunhal (PCP),
Francisco Pereira de Moura (MDP), Mário Soares (PS) e Francisco Sá Carneiro (PPD)
(16 de Maio). Dura 64 dias. Conforme Ramalho Eanes vai comentar, Palma Carlos
lembrava um touro na determinação e uma pomba na acção. Era sábio e corajoso. As
suas soluções de 1974 podiam ter poupado ao país altos custos.
Na defesa nacional, Mário Firmino Miguel; na coordenação
interterritorial, António de Almeida Santos; na administração interna, Joaquim
Jorge Magalhães Mota (PPD); na justiça, Francisco Salgado Zenha (PS); na
coordenação económica, Vasco Vieira de Almeida; na educação e cultura, Eduardo
Correia; no trabalho, Avelino Gonçalves (PCP); nos assuntos sociais, Mário
Murteira; na comunicação social, Raul Rego (PS).
Toma posse em 3 de Junho a comissão para a lei eleitoral
e apresenta relatório e projecto em 22 de Agosto. Constituída por José
Magalhães Godinho, Lino de Lima, Almeida Ribeiro, Jorge Miranda, Barbosa de
Melo, José Manuel Galvão Teles e Manuel João da Palma Carlos (24 de Maio).
Partidos – Directório Democrato-Social anuncia o fim
da respectiva actuação. Subscrevem o comunicado Acácio Gouveia, Nuno Rodrigues
dos Santos e Artur da Cunha Leal (16 de Maio). Publicado nos jornais um
manifesto do PRP-Brigadas Revolucionárias (17 de Maio). Fundado o PPM, Partido
Popular Monárquico, assumindo a presidência o lendário Francisco Rolão Preto (21
de Maio). Surge o primeiro número legal de Luta Popular, órgão do MRPP
(21 de Maio). Movimento Socialista Popular de Manuel Serra decide integrar-se no
PS (22 de Maio). Criado o Movimento Nacional Pró-Divórcio (22 de Maio).
Conferência de imprensa do Partido Democrata Cristão (23 de Maio). Surge o
primeiro número do jornal Lutar pelo Socialismo, das Comissões de Base
Socialistas, ligando militantes do PRP, da LCI e da URML (24 de Maio).
Comunicado do PSDI de Luís Arouca (25 de Maio). Partido Liberal, em
conferência de imprensa, apresenta o programa (29 de Maio). Surge
um comunicado anunciador da actividade da URML, Unidade Revolucionária
Marxista-Leninista, que se diz existente desde 1970 (8 de Junho). A OCML,
Organização Marxista-Leninista Portuguesa- O Grito do Povo faz um comício
no Porto, junto ao Mercado do Bom Sucesso, onde são criticados o PCP e Álvaro
Cunhal (10 de Junho).
Otelo Saraiva de Carvalho, graduado em brigadeiro, é
designado comandante adjunto do COPCON e comandante da região militar de Lisboa
(13 de Julho).
Tomás, Marcello, Silva Cunha e César Moreira Baptista são
deportados para o Brasil (20 de Maio).
Questão colonial – Spínola encontra-se com Senghor no
aeroporto de Lisboa e este aconselha-o no sentido da concessão da independência
às colónias (8 de Julho). Começam em
Londres as conversações com o PAIGC (24 de Maio). Segue-se o encontro de Soares
com Senghor em Paris (30 de Maio). Posse dos novos
governadores de Angola (Silvino Silvério Marques) e de Moçambique (Henrique
Soares de Melo) (11 de Junho). Negociações com o PAIGC em Argel (13 de Junho).