1974
 

Julho
Acaba ditadura na Grécia e morre Perón

 

 

 

RFA campeã mundial de futebol (7 de Julho)

Espanha: Franco hospitalizado(9 de Julho) poderes provisoriamente transferidos para Juan Carlos, de 19 de Julho a 2 de Setembro

Argentina: morte de Péron, sucedendo-lhe a esposa, Isabel* (1 de Julho)

Golpe militar pró-grego em Chipre (15 de Julho). Afastado Makarios. Turcos desembarcam na ilha (15 de Julho). Cipriotas turcos proclamam um Estado autónomo.

Queda do regime dos coronéis na Grécia; Karamanlis, até então exilado em França, forma governo civil (24 de Julho)

Apresentado a Spínola o plano Palma Carlos (5 de Julho), onde se prevê uma carta constitucional provisória, a referendar até Outubro, bem como a realização de eleições legislativas até Novembro de 1976. A proposta é apreciada no Conselho de Estado (8 de Julho).

Palma Carlos apresenta a demissão, sendo acompanhado por ministros como Sá Carneiro, Vieira de Almeida, Firmino Miguel e Magalhães Mota (9 de Julho).

Sirvo melhor, afastando-me. Sirvo melhor o meu País, afastando-me do cargo do que permanecendo nele, face ao predomínio das paixões políticas e das ambições pessoais: estou a lembrar-me a propósito da presente situação, de uma frase de Aristóteles: o homem aperfeiçoado pela sociedade é o melhor dos animais mas é o mais terrível quando vive sem justiça nem leis (Adelino da Palma Carlos, em Julho de 1974, pedindo a demissão a Spínola)

Procura de um novo chefe do governo Costa Gomes propõe imediatamente Vasco Gonçalves. Spínola convida Firmino Miguel, mas este põe como condição o apoio da JSN, o que não se concretiza. Contacta, depois, os brigadeiros Neves Cardoso e Almeida Freire. Finalmente sugere que Costa Gomes passe a primeiro ministro acumulando com o cargo de CEMGFA (11 de Julho).

O ensaio de agressividade – Prosseguem as retaliações, os saneamentos selvagens, os plenários de estudantes e trabalhadores enfurecidos, o assalto e a pilhagem de casas, ocupações laborais de empresas, a agressão ideológica maciça e tutti quanti patenteia a mobilização das massas para uma agressividade revolucionária que visa abafar o teor reformista do programa do MFA (Natália Correia, diário de 22 de Junho).

Governo nº 105 II Governo Provisório presidido por Vasco Gonçalves que declara: não desejamos, nem admitimos, de modo algum, um regresso ao triste passado de antes de 1926. 74 dias. Continua o equilíbrio da anterior participação partidária (18 de Julho). Em 18 de Agosto, o primeiro-ministro vai anunciar aumento dos preços, justificando a medida com a pesada herança que teria sido deixada pelo regime fascista.

 

Ministros sem Pasta: Vítor Manuel Rodrigues Alves, Ernesto Augusto de Melo Antunes, Álvaro Barreirinhas Cunhal e Joaquim Jorge Magalhães Mota. Mário Firmino Miguel, Defesa Nacional. António Almeida Santos, Coordenação Interterritorial. Manuel da Costa Brás, Administração Interna. Francisco Salgado Zenha, Justiça. Emílio Rui da Veiga Peixoto Vilar, Economia. Mário Soares, Negócios Estrangeiros. José Augusto Fernandes, Equipamento Social e Ambiente. Vitorino Magalhães Godinho, Educação e Cultura. José Inácio da Costa Martins, Trabalho. Maria de Lourdes Pintasilgo, Assuntos Sociais. José Eduardo Fernandes de Sanches Osório, Comunicação Social

Partidos – Movimento Federalista passa a Partido do Progresso. (19 de Julho). Criado o CDS, Partido do Centro Democrático Social (19 de Julho) que vai ter o seu primeiro comício em 20 de Agosto, em Vila Nova de Famalicão. Juventude Centrista é criada em 31 de Agosto.

Angola – Rosa Coutinho toma posse como presidente da Junta Governativa de Angola (24 de Julho).

Spínola reconhece o direito das colónias à independência (27 de Julho), quando Veiga Simão, embaixador na ONU, tinha conseguido negociar um prazo de quatro anos para a independência de Angola e Moçambique. Muitos utilizam a palavra traição, para qualificar os acontecimentos que precederam a declaração de Spínola: a descolonização não serviu para desenvolver, não serviu para fazer a paz, não serviu para descolonizar. Depois de Alcácer Quibir foi o maior desastre da nossa história...

Mortos, feridos e desertores na guerra – A guerra em três frentes envolve de 1961 a1973, segundo Silvino Silvério Marques, uma média de 107 095 de efectivo (total de 796 798 homens mobilizados). 3 265 mortos e 12 878 feridos em combate. O total de mortos, incluindo acidentes, é de 6 340 e de feridos, 27 919, ficando 3 835 deficientes. Nesse período, de 1 140 000 recenseados, foram incorporados 820 000 e apenas 8 250 fugiram à incorporação. Formalmente, de 1961 a1969 apenas houve 103 deserções nos teatros das operações. Na Guerra de 1914-1918, 7 908 mortos e 14 884 incapacitados, mobilizando-se para África 32 000 soldados europeus.

Um entusiasmo infantil – Em três meses, a poeira da excitação vai-se acamando. E com ela, a inevitável surpresa dos que vivem em "ideias", em teorias desencarnadas que vêm nos livros... Todo o entusiasmo dos primeiros dias – do primeiro mês, nos começa a parecer infantil. Mas ele foi talvez necessário, inevitável. Não se é adulto sem ser criança. Mas o mais impressionante é verificar-se a impraticabilidade de ideias armazenadas durante o fascismo. Eterno conflito da imaginação com a realidade (Virgílio Ferreira).

 

 

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©  José Adelino Maltez, História do Presente (2006)

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: