Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004


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Políticos Portugueses da Monarquia Constitucional (1820-1910)
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 Oliveira, 1º Visconde da (Desde 1842). Marcelino Máximo de Azevedo e Melo (1794-1853). Maçon. Bacharel em leis. Magistrado. Grande proprietário. Deputado em 1826-1828. Administrador-geral dos distritos de Viana em 1839-1841 e do Porto, em 1839-1841. Par do reino desde 1842. Eleito, em 15 de Agosto de 1846, Grande Inspector do Grande Oriente Lusitano, passando a ser o grão-mestre de facto, na ausência de António Bernardo da Costa Cabral. Ministro do reino no governo de Saldanha, de 6 de Outubro de 1846 a 26 de Abril de 1847. Visconde de Oliveira do Douro desde 1842. Grão-mestre do Grande Oriente de Portugal entre 1849 e 1853.

 

Oliveira, António Dias de (1804-1863) Bacharel em leis (1825). Maçon. Magistrado. Desembargador da Relação do Porto. Juiz do Supremo Tribunal de Justiça. Deputado em 1834-36; 1837-1838; 1840-42; 1851-52; 1861-1863. Espião ao serviço de Silva Carvalho em 1835, com o nome de Bernarda Clara. Passa-se para o setembrismo. Presidente do ministério e ministro do reino e da justiça de 1 de Julho a 10 de Agosto de 1837, enfrentando a chamada revolta dos marechais, desde 12 de Julho de 1837.

 

Oliveira, Francisco de Paula de (1778-1846) 2º Barão de Almeida Desde 1845 Maçon. Juiz nos Açores. Ministro da justiça do frustrado governo da belenzada, constituído de 4 para 5 de Novembro de 1836. Deputado em 1840-1842.

 

Oliveira, João Gualberto de (1788-1852). Barão e Conde do Tojal. Filho de João Francisco Oliveira, ministro de Portugal em Paris, durante o vintismo. Proprietário da fábrica de papel do Tojal. Começa como ministro da fazenda em três gabinetes setembristas, não por militância política manifesta, mas por ser um homem rico e com conhecimentos técnicos financeiros. Será um dos sustentáculos ministeriais do cabralismo, onde, para além da fazenda, há-se gerir a marinha e os negócios estrangeiros, sendo também premiado com o pariato em 1942.

·Ministro da fazenda do governo de António Dias de Oliveira, de 1 de Julho a 10 de Agosto de 1837. Segundo Oliveira Martins, era, então um homem novo, rico, sem política, banqueiro, inglesado.

·Mantém-se como ministro da fazenda no governo de Sá da Bandeira, de 10 de Agosto de 1837 a 22 de Março de 1839.

·Volta a tal pasta nos começos de 1841, até Junho, no governo de Bonfim, sucedendo a Manuel Gonçalves de Miranda.

·Ministro da fazenda do governo de Terceira de 24 de Fevereiro de 1842 a 20 de Maio de 1846, quando Costa Cabral assume a pasta do reino.

·Nomeado par do reino em 3 de Maio de 1842.

·Acumula a pasta da marinha, no mesmo governo, de 14 a 15 de Setembro de 1846, até à tomada de posse de Joaquim José Falcão.

·Ministro da fazenda do governo de Saldanha, de 20 de Fevereiro a 22 de Agosto de 1847.

·Ministro da marinha no mesmo governo, desde 28 de Abril a 22 de Agosto de 1847.

·Ministro dos negócios estrangeiros do governo de Costa Cabral, desde 18 de Junho de 1849 até 1851.

 

Oliveira, Joaquim Pedro Gomes de (m. em 1832) Membro do governo interino constituído em Lisboa em 15 de Setembro de 1820 e da posterior junta provisional preparatória das cortes. Ministro do reino de 1 de Junho de 1823 a 19 de Março de 1824. Considerado próximo da facção rainhista. D. João VI oferece-lhe o título de Conde de Azeitão, recusado pelo próprio. Avô materno de Joaquim Pedro de Oliveira Martins. Sócio da Academia das Ciências de Lisboa

 

Oliveira, Visconde da (1794-1853) Marcelino Máximo de Azevedo e Melo. 1º Visconde da Oliveira desde 1842. Bacharel em leis, magistrado e grande proprietário. Deputado, administrador de distrito, par do reino e ministro, é também figura fundamental da maçonaria, com responsabilidades cimeiras na instituição entre 1846 e a data da morte. Um dos sustentáculos do cabralismo, pelo menos até 1849. Membro da junta do Porto que restaura a Carta em 25 de Janeiro de 1842. Eleito em 15 de Agosto de 1846 Grande Inspector do Grande Oriente Lusitano, o grão-mestre de facto, na ausência de Costa Cabral. Ministro da fazenda do governo de Saldanha entre 6 de Outubro de 1846 e 26 de Abril de 1847.

·Deputado em 1826-1828.

·Administrador-geral dos distritos de Viana em 1839-1841 e do Porto, em 1839-1841.

·Par do reino desde 1842.

·Visconde de Oliveira do Douro desde 1842.

·Eleito, em 15 de Agosto de 1846, Grande Inspector do Grande Oriente Lusitano, passando a ser o grão-mestre de facto, na ausência de António Bernardo da Costa Cabral.

·Ministro do reino no governo de Saldanha, de 6 de Outubro de 1846 a 26 de Abril de 1847. Ministro da fazenda do mesmo governo, de 6 a 13 de Outubro de 1846.

·Grão-mestre do Grande Oriente de Portugal entre 1849 e 1853

 

Otolini, Francisco Aguiar. Ministro da marinha e ultramar no governo de Sabrosa, de 25 de Outubro a 26 de Novembro de 1839.

 

Ovar, Visconde de (1782-1856) António da Costa e Silva. 1º barão e 1º visconde de Ovar. Barão de Aveiro em 1841. Oficial de artilharia. Participa na Guerra Peninsular. Alinha com os pedristas desde 1828. Vai com Vila Flor para os Açores. Mindeleiro. Par do reino desde 1849. Ministro da guerra do governo de Saldanha, entre 25 de Fevereiro e 28 de Abril de 1847. Morre em 7 de Julho de 1856.

 

Ornelas e Vasconcelos, Aires (1866-1930). Militar das campanhas de África. Ministro da marinha e ultramar de João Franco, João Franco, de 19 de Maio de 1906 a 4 de Fevereiro de 1908. Apresenta no Congresso Colonial Nacional de 1901 uma memória sobre Raças e Línguas Indígenas em Moçambique. Ministro da marinha e ultramar de João Franco, de 19 de Maio de 1906 a 4 de Fevereiro de 1908. Lugar-tenenete de D. Manuel II de 1916 a 1930. Deputado monárquico em 1918 e de 1922 a 1925. Publica em 1916 Um Anno de Guerra. Agosto de 1914 a Agosto de 1915, Porto, Empresa Literária e Tipográfica. Comanda a revolta monárquica de Monsanto de 1919.

 

Ortigão, Ramalho  (1836-1915) José Duarte Ramalho Ortigão. Jornalista no Porto. Participa na questão Coimbrã em 1868. Fixa-se em Lisboa a partir de 1868. Em Maio de 1871 começa a publicar, com Eça de Queirós,  As Farpas. Bibliotecário da Ajuda de 1895 até 1910. Ver Rodrigues Cavalheiro, A Evolução Espiritual de Ramalho, Lisboa, 1962. Em 1870 critica o governo de Ávila Ramalho Ortigão questionava Porque motivo são reformistas de oposição hoje os que eram reformistas governamentais ontem?, acrescentando que os reformistas ignoram qual é a divisa que os separa pela mesma razão que nunca souberam qual era o mote que os reunia. Um partido sem conhecimentos, sem princípios, sem bases de trabalho, sem plano de administração, sem consciência de progresso e sem carta, nem guia, nem lógica de acção, não tendo razão para existir, também não tem razão para deixar de ser. Reformista é uma palavra farfalhuda, mas oca, nome convencional sem objecto em política. Ramalho Ortigão questionava Porque motivo são reformistas de oposição hoje os que eram reformistas governamentais ontem?, acrescentando que os reformistas ignoram qual é a divisa que os separa pela mesma razão que nunca souberam qual era o mote que os reunia. Um partido sem conhecimentos, sem princípios, sem bases de trabalho, sem plano de administração, sem consciência de progresso e sem carta, nem guia, nem lógica de acção, não tendo razão para existir, também não tem razão para deixar de ser. Reformista é uma palavra farfalhuda, mas oca, nome convencional sem objecto em política. Observa o seguinte, em 1874,: como os partidos militantes que aspiram ao poder ou que o exercem , são três em cada legislatura, os votos da câmara acham-se por tal modo fraccionados, que nenhum dos referidos partidos pode ter jamais a maioria absoluta. Como, por outro lado, esses três partidos abraçam todos os mesmos princípios e as mesmas ideias, nasce naturalmente em cada sessão legislativa um quarto partido que desempata a questão pessoal de se saber qual dos três partidos em luta deve trazer atrás de si     os srs. Correios de secretaria com as respectivas pastas. Um cavalheiro, tendo à sua disposição quinze votes conformes, decide da direcção que deve tomar em cada manhã o trote dos ginetes dos srs. Correios. Os vinte votos ecléticos, flutuantes, de que esse cavalheiro dispõe, postos já para a direita, já para a esquerda da câmara, determinam a sorte dos ministérios e das oposições e decidem em derradeira instância dos destinos públicos. Por outras palavras, a ideia governativa passa sucessivamente das mãos do sr. Fontes para as do sr. marquês de Ávila, para as do sr. Bispo de Viseu, para as do sr. Anselmo Braamcamp Mais escreve: o monarca lavrou então o decerto mandando o seu antigo ministério bochechar e encarregou o senhor marquês de Ávila e Bolama de reunir com os seus amigos o número de dentes necessários para formar uma gerência duradoura e firme. O mesmo autor observa em 1877 que em Portugal em vez da lógica conservadores/ revolucionário havia uma maioria parlamentar e uma oposição composta de vários grupos dissidentes. Estes grupos são fragmentos dispersos do único partido existente – o partido conservador – fragmentos cuja gravitação constitui o organismo do poder legislativo. Estes partidos, todos conservadores, não tendo princípios próprios nem ideias fundamentais que os distingam uns dos outros, sendo absolutamente indiferente para a ordem e o progresso que governe um deles ou que governe qualquer dos outros, conchavaram-se todos e resolveram de comum acordo revesarem-se no poder e governarem alternadamente segundo o lado para que as despesas da retórica nos debates ou a força da corrupção na urna faça pesar a balança da régia escolha. Tal é o espectáculo recreativo que há vinte anos nos está dando a representação nacional. Porque em todas as revoluções vitoriosas há uma parte que vinga para a posteridade e uma parte que se desconta nas restaurações subsequentes. O que vinga é o fruto da razão ou a forçadas coisas. O que se desconta num retrocesso proporcional é a obra da paixão, do sacrifício, do entusiasmo partidário. Em Julho de 1911 critica o regime: pretender equiparar o espírito revolucionário da Rotunda com o espírito revolucionário da Revolução Francesa é incorrer perante a sociologia e perante a história em tão imbecil equívoco como seria em zoologia o de confundir uma lombriga com uma cobra cascavel. No dia 5 de Outubro, em Portugal, não havia opressão e não havia fome… Os famosos princípio da Revolução Francesa, leit-motiv de toda a cantata revolucionária de Outubro último, são, precisamente, os que vigoram em toda a política portuguesa, desde o advento da revolução liberal de 34 até aos nossos dias. Em 7 de Setembro de 1914, numa célebre carta de um velho a um novo, dirigida a João Amaral, apoia o Integralismo Lusitano.

·As Farpas

(1871 - 1884) (em colaboração com Eça de Queirós, 1871 - 1872).

·As Últimas Farpas

(1911 - 1914).

 

© José Adelino Maltez. Todos os direitos reservados. Cópias autorizadas, desde que indicada a proveniência: Página profissional de José Adelino Maltez ( http://maltez.info). Última revisão em: 20-12-2003